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Falta de alojamento para estudantes. Ministra não quer “deixar ninguém para trás”

17 out, 2022 - 17:06 • Rosário Silva

No Instituto Politécnico de Portalegre, pelo menos, 80 alunos não puderam inscrever-se por falta de alojamento na região.

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior garante que o alojamento dos estudantes deslocados é “uma prioridade” para o seu ministério e que o Governo “está a trabalhar” para “não deixar ninguém para trás”.

Elvira Fortunato, na abertura do ano académico 2022-2023, no Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), foi confrontada com a dificuldade de alojamento nesta região interior do país.

Este ano entraram cerca de 500 novos alunos nesta instituição do ensino superior, mas segundo a representante da Associação de Estudantes, Carolina Henriques, pelo menos “80 alunos não puderam inscrever-se por falta de alojamento”.

“Não nos podemos dar ao luxo de perder alunos por falta de alojamento. É frustrante e desmotivador”, acentuou a aluna na mensagem de boas-vindas aos novos alunos.

Não sendo uma questão exclusiva da região, a ministra disse que o “Governo está a olhar para o problema” e recordou que estão a ser, inclusive, “envolvidas entidades do setor turístico e social para reforçar o número de camas disponibilizadas a preços acessíveis”.

“Estamos a trabalhar em várias frentes”, afirmou, nomeadamente com “câmaras municipais e outras entidades, e já assinámos uma série de concursos no âmbito do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) que vão começar a ser iniciados”.

Elvira Fortunato sublinha que a melhoria das condições de alojamento e bem-estar dos estudantes deslocados “é uma prioridade para nós”, daí que o Governo “queira reforçar o número de camas disponibilizadas, a preços acessíveis, de forma a ajudar as famílias a suportar estes custos e, acima de tudo, não deixar ninguém para trás, nem que ninguém deixe de estudar por falta de apoio sociais”.

Nesse sentido, na última semana foi anunciado o alargamento do apoio para o pagamento do alojamento aos estudantes deslocados de agregados familiares com baixos rendimentos, ainda que não sejam bolseiros.

De acordo com Elvira Fortunato, “os apoios ao alojamento a atribuir serão idênticos aos já atribuídos aos estudantes bolseiros, correspondendo a um apoio mensal que vai dos 221 euros até aos 288 euros, dependendo do concelho em que se situa a instituição de ensino superior”.

OE 2023. Ministra aguarda reforço

Questionada, pela Renascença, se está satisfeita com a fatia do Orçamento do Estado (OE) para 2023, para o ensino superior, Elvira Fortunato respondeu: “Nunca estamos satisfeitos com os orçamentos, aliás, quando trabalhava como investigadora também nunca estava satisfeita com os orçamentos que tinha”.

Segundo a tutela, o ensino superior deverá contar com um aumento de 44 milhões de euros no OE, mais 3,7% face a 2022.

“Tivemos um aumento geral de 3,7% para todo o ministério”, referiu a ministra, mas “estamos também a trabalhar de forma a conseguirmos um reforço na área do ensino superior, ainda este ano”, anunciou.

“Temos custos de energia muito elevados, temos a questão do alojamento, o Governo é sensível a esses problemas, estamos a trabalhar nisso e dentro de poucos dias, poderemos anunciar mais algumas medidas positivas”, adiantou sem, contudo, querer concretizar que medidas são essas.

Nestas declarações à Renascença, Elvira Fortunato congratulou-se ainda com o número total de estudantes inscritos, 433.217, o valor mais alto de sempre, mais 5,2% relativamente ao ano letivo 2021-2022.

“O balanço é muito positivo. Este ano batemos o recorde, temos mais de 433 mil alunos inscritos no ensino superior. É um recorde e com a 3ª fase, colocamos, este ano, mais de 50 mil alunos. Além de ser o maior numero de alunos, verificamos também que os alunos estão colocados nas primeiras e segundas e terceiras opções”, mencionou.

Elvira Fortunato considera que há agora “um ‘match’ entre a oferta e a procura, o que é muito positivo”.

A ministra destacou a criação de novos cursos, no âmbito do PRR, nomeadamente “na área das tecnologias digitais, que são áreas muito necessárias não só em Portugal, como em todo o mundo e estou muito contente, porque há uma melhor relação entre procura e oferta”.

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