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Ponte da Arrábida ofuscada por edifício de luxo

20 set, 2022 - 16:55 • Redação

Imbróglio com duas décadas continua sem solução à vista. Arquiteto paisagista Rui Salgado defende que o edifício foi feito a pensar numa minoria, para "um mercado imobiliário que está em crescendo no Porto, o mercado de luxo".

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No Porto, um edifício de 16 andares, que visualmente ultrapassa a Ponte da Arrábida, continua a dar que falar.

A situação não é nova, mas o impacto visual que o edifício de luxo provoca faz com continue a ser tema de conversa, por residentes e turistas.

O processo, com mais de 20 anos, conta-se em poucas palavras. Quer o terreno, quer o edifício da imobiliária Arcada obedecem a um Pedido de Informação Prévia (PIP), que foi feito em 2002, embora, só em 2013, tenha sido aprovado o projeto de licenciamento de um conjunto de edifícios junto à Ponte da Arrábida, de resto, o ano em que a mesma ponte foi classificada como Monumento Nacional.

Só quatro anos depois, em 2017, foi emitida a licença para a primeira fase de construção, período a partir do qual surgem um conjunto de questões e protestos relativos a todo esse processo.

Entre ações judiciais e aberturas de inquéritos, o projeto esteve embargado mais de um ano, mas de pouco adiantaram as contestações, que acabaram por concluir pela legalidade do projeto.

Em 2019, é então aprovada a segunda fase do licenciamento, mas desde esse ano que a Ponte da Arrábida está inserida numa Zona Especial de Proteção, o que confere um conjunto de restrições à construção na área circundante ao monumento e que, até então, não existiam.

Ao imbróglio acrescenta-se um outro aspeto que permitia a construção dos edifícios naquele local: um processo de indemnizações decorrentes da não permissão de construção no Parque da Cidade.

"Uma aberração" para o Porto

Leis e confusões à parte, a verdade é que para os que por ali passam a paisagem e continua obstruída. O prédio, que destoa dos restantes edifícios que estão em volta, chega mesmo a tapar parte da Ponte da Arrábida.

O impacto visual é negativo aos olhos de qualquer pessoa e há mesmo quem chegue a dizer que "a nível arquitetónico e paisagístico, é uma aberração brutal".

Comentários menos positivos, também, de quem percebe do assunto, como é o caso do arquiteto paisagista, Rui Salgado, que defende que o edifício foi feito a pensar numa minoria, para "um mercado imobiliário que está em crescendo no Porto, o mercado de luxo".

Agora, defende o arquiteto, a única coisa a fazer é diminuir o impacto visual causado pelo edificado, criando "medidas sustentáveis", através de "varandas ajardinadas, paredes verticais com plantas" ou espaços verdes na área envolvente.

Medidas que podem mitigar o impacto visual criado pelo prédio que está a mais, numa vista que não foi protegida a tempo.

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  • Ivo Pestana
    21 set, 2022 Funchal 14:05
    Hoje em dia, no reino do betão, vale tudo. Normal! Na minha cidade até miradouros são engolidos. As autarquias querem é o dinheirinho das licenças e taxinhas, o resto não conta.
  • Maria Rita Padilha
    21 set, 2022 Valongo 13:40
    Passei lá no domingo e é, de facto, uma aberração! Só me perguntei: como é possível?

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