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Incêndios. Governo admite "célere” adaptação de diferentes sistemas por causa das alterações climáticas

21 set, 2022 - 15:25 • Celso Paiva Sol , Rosário Silva , com Lusa

Três dezenas de peritos de todo o país reuniram esta quarta-feira, pela primeira vez, para analisar os grandes incêndios ocorridos este ano. Relatório final será entre ao Governo em novembro.

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O ministro da Administração Interna (MAI), José Luis Carneiro, reconhece a necessidade de ajustar os planos de prevenção e combate aos incêndios por força das alterações climáticas.

O governante reuniu esta quarta-feira com um painel de 30 especialistas, convidados a fazer uma avaliação técnico-científica dos grandes incêndios rurais de 2022.

Provenientes de vários centros de investigação do país, este grupo de especialistas reuniu pela primeira vez no ministério, em Lisboa, atendendo à necessidade de analisar “a particular severidade e complexidade de alguns incêndios deste ano, que exigiram um acionamento excecional de meios de resposta”.

No final da reunião, José Luís Carneiro, reconheceu que as alterações climáticas exigem uma “célere” adaptação dos vários sistemas.

“É evidente que no campo do conhecimento, em função das alterações climáticas, é necessário termos connosco os diferentes centros de conhecimento para podermos antecipar, antever, e preparar melhor os nossos sistemas, que têm que se adaptar o mais célere possível a estas alterações”, afirmou.

Não obstante, o ministro salientou que os especialistas “reconhecem que desde 2017”, registaram-se “três grandes melhorias”.

Desde logo, assegurou, “uma melhoria no domínio do conhecimento, uma melhoria no domínio da coordenação e uma melhoria na disponibilidade dos meios – mais meios financeiro, mais meios técnicos e mais meios humanos”.

Numa nota enviada à Renascença, o ministério de José Luis Carneiro recorda que, apesar “da taxa de sucesso da intervenção em ataque inicial situar-se nos 90%, e de cerca de 80% dos incêndios rurais não apresentarem uma área ardida superior a um hectare”, a verdade é que algumas das ocorrências tiveram “uma duração pouco habitual, com impactos significativos no património natural e florestal, bem como em bens e infraestruturas”, o que levou o Governo “a definir um modelo de avaliação que tem como principal objetivo retirar lições e preparar os próximos anos”.

Até ao final do mês de novembro, estas três dezenas de peritos apresentarão as suas recomendações á Comissão das Lições Aprendidas que, por sua vez, irá depois entregar um relatório final ao Governo.

Para alem disso, o ministro Jose Luis Carneiro anunciou também que Portugal prepara-se para organizar um Seminário Europeu sobre Incêndios Florestais, agendado para os dias 11 e 12 de novembro.

Incêndio na zona da Serra da Estrela, o maior de 2022

O último relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) avança que o ano de 2022 apresenta, até ao dia 31 de agosto, o sexto valor mais elevado em número de incêndios e o quarto valor mais elevado de área ardida desde 2012.

Segundo o ICNF, entre 1 de janeiro e 31 de agosto, ocorreram 9.701 incêndios rurais que resultaram em 106.639 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (54.328 ha), matos (42.367 ha) e agricultura (9.944 ha).

Os dados mostram que os anos com mais área ardida na última década, até 31 de agosto, foram 2017 (236.485 hectares), 2013 (130.393) e 2016 (128.515).

Por sua vez, os anos com maior número de fogos foram 2012 (19.071), 2013 (16.114), 2015 (16.034), 2017 (14.344) e 2016 (10.942).

O maior incêndio até à data foi o que começou a 6 de agosto no concelho da Covilhã e que atingiu a zona da Serra da Estrela ao longo de 11 dias, tendo consumido 24.334 hectares de floresta, seguido do fogo no concelho de Murça (Vila Real) que em julho provocou 7.184 hectares de área ardida.

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