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SNS. Grávidas estão com dificuldades em agendar ecografias

20 set, 2022 - 07:55 • Anabela Góis com redação

Os hospitais não têm capacidade de resposta e há cada vez menos médicos com convenções.

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As grávidas estão com dificuldades em realizar exames no Serviço Nacional de Saúde (SNS), apesar de aparentemente ter o número suficiente de médicos com competência para fazer a ecografia obstétrica diferenciada.

Os hospitais não têm capacidade de resposta e há cada vez menos médicos com convenções.

O presidente do Colégio da especialidade da Ordem dos Médicos diz à Renascença que os problemas podem ser justificados pelo desvio dos especialistas dos hospitais para assegurar as urgências.

“O problema que temos identificado no SNS é que tem havido um desvio das atividades de rotina para as atividades dos blocos de partos das urgências. Portanto, temos hospitais com pessoas capazes de realizar ecografias, mas que não dedicam o tempo que deviam a este exame”, descreve João Bernardes.

Cerca de 250 médicos têm competência para fazer ecografia obstétrica diferenciada - um grau exigido na sequência do chamado caso do bebé sem rosto. Segundo o mesmo responsável, são mais do que suficientes para as necessidades, mas o problema é que aquilo que o SNS paga pela ecografia é tão pouco que os obstetras recusam fazer convenções com o SNS.

“Existe na zona norte, como no centro e no sul um número de especialistas com essa competência, que é suficiente. Agora, o que nos têm dito é que os pagamentos que se fazem, as exigências que este exame tem, para a exigência que este exame tem de duração, de equipamento, etc, nomeadamente a ecografia do 2.° trimestre, não compensa. Por isso, as pessoas não aceitam ter convenções. São ecografias que demoram tempo, exigem muita preparação, exigem bom equipamento e dão muito aborrecimento médico legal”, explica.

O que se passa no S. João?

O hospital de São João, no Porto, é apenas um exemplo, pois desde julho que não faz ecografia do 2.º trimestre às grávidas que são referenciadas pelos centros de saúde.

Manuel Melo, administrador da pediatria, diz que foi a solução encontrada para responder à falta de médicos para assegurarem as urgências. “Efetivamente, tivemos que reduzir a capacidade instalada nos turnos de ecografia no nosso centro de diagnóstico pré-natal para que alguns médicos pudessem também dar resposta ao serviço de urgência e à necessidade de o serviço de urgência de ginecologia-obstetrícia. O nosso centro de diagnóstico pré-natal dá resposta não só às grávidas que são seguidas no hospital de São João, mas também às que são referenciadas pelos cuidados de saúde primários”.

Garante que continuam a dar “resposta aquilo que é o chamado protocolo 1 que é a ecografia de 1.° trimestre e o rastreio bioquímico, uma vez que consideramos que essa resposta é bastante relevante do ponto de vista clínico e de eventual decisão dos pais e da mulher grávida.”

Face a esta situação, as grávidas têm de procurar médicos com convenções com o SNS para fazer ecografias, sendo que o serviço nacional de saúde paga menos de 20 euros por cada exame. Já a ADSE paga um pouco mais de 100 euros.

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