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Faltam pediatras no Algarve. Centro hospitalar gere recursos “dia-a-dia”

20 jun, 2022 - 14:01 • Filomena Barros , Rosário Silva

O diretor clinico do Centro Hospitalar Universitário do Algarve está preocupado com a escassez de pediatras para as urgências. Com a proximidade do verão e a forte pressão que se prevê, a situação tende a agravar-se. Apesar deste cenário, o responsável recusa a ideia de encerrar o serviço de pediatria.

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A falta de pediatras nas urgências no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) está a preocupar os responsáveis hospitalares que já estão a fazer uma gestão “dia-a-dia” e ainda não começou o verão.

“Na urgência geral, durante o dia, nós vamos ter falta de pediatras alguns dias da semana, de segunda a sexta-feira, diria, quase todos os dias”, afirma à Renascença, o diretor clínico do CHUA.

Segundo Horário Guerreiro, existe uma enorme dificuldade em completar as escalas, devida à falta de recursos humanos, mas também por causa da idade dos profissionais.

“O nosso número de médicos não é muito baixo, no entanto, por causa da idade dos médicos, cujo limite é superior à obrigatoriedade de fazer serviço de urgência, nós temos muitos problemas em fazer escalas de urgência”, lamenta.

“Nós temos cerca de 40 médicos a fazer urgência e apenas 24 ou 25, para as várias escalas de urgência: uma escala para cada maternidade, que são duas; uma escala para cada serviço de urgência externa, que também são duas”, explica o responsável, indicando que “no mínimo”, são necessários “quatro pediatras em simultâneo”, além de um outro “para garantir o transporte inter-hospitalar de doentes pediátricos”.

Horário Guerreiro diz que a solução tem sido o recurso a prestadores de serviços externos, só que nesta altura, não consegue dizer, por exemplo, se vai ter profissionais suficientes para os meses de verão.

“Eu não sei o que vai acontecer durante o verão, não posso prever isso. Temos que decidir de um dia para o outro, não é só uma questão de programação. Os nossos próprios colaboradores, os prestadores externos, muitas vezes não sabem qual vai ser a sua disponibilidade para o mês seguinte, pois também dependem dos seus locais de origem, portanto, temos que fazer uma gestão praticamente dia-a-dia”, refere o diretor clínico.

Apesar de todas estas dificuldades, o mesmo responsável recusa a ideia de vir a ter que encerrar os serviços de pediatria.

“Não, eu não admito. Admito fazer esta gestão, mas nós temos uma dinâmica, sabemos o que estamos cá a fazer, estamos até a levar consultas de pediatria aos centros de saúde, aumentando as consultas de proximidade, descentralizadas, e esse não é um cenário que eu preveja”, garante.

“Tenho que fazer esta gestão dia-a-dia, semana a semana e preocupa-me também a afluência aos nossos serviços de urgência em Albufeira, Loulé, Lagos e Vila Real de Santo António que são assegurados pelo CHUA, onde a afluência é enorme durante o verão, especialmente em Albufeira e eu não consigo aumentar o número de médicos que lá tenho”, refere à Renascença.

Horácio Guerreiro conta que já esta semana, nas urgências “chegamos a ter quatro horas de espera no atendimento, porque só tínhamos dois médicos, o que é o normal, mas eu precisaria de ter três médicos”.

Por isso mesmo, e com a proximidade do verão a exercer forte pressão nas urgências hospitalares, em que a “afluência que se prevê muito grande no Algarve”, o médico diz-se “preocupado”, mas, garante, por outro lado, que “não fecho a pediatria”.

Preocupações de Horácio guerreiro diretor clinico do CHUA e a perspetiva de escassez de meios humanos para fazer face a todas as respostas que terão de ser dadas. Recordo que verão exerce forte pressão no verão gestão vai ter que ser feita dia-adia nomeadamente na área da pediatria.

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  • António dos Santos
    20 jun, 2022 Coimbra 19:25
    Para acabar com esta situação criada artificialmente, o governo tem que adotar 2 medidas: 1ª fiscalizar os atestados falsos dos mesmos; 2ª obrigarem os médicos a colocar o dedo várias vezes num dia. Quanto há primeira medida é de conhecimento geral, que os médicos emitem atestados falsos para eles e para as esposas para irem fazerem férias (para além de emitirem milhões de baixas falsas). Quanto há segunda medida também é de conhecimento que os médicos de manhã colocam o dedo, saem e no final do dia (às vezes depois do jantar) vão colocar o dedo. SE TUDO ISTO FOR CORRIGIDO VERÃO QUE O PROBLEMA MELHORA. Outra medida final é o governo implementar uma regra que no final dos cursos universitários, os novos licenciados têm que trabalhar no estado durante 5 anos.

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