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ECDC

Covid-19. Portugal com situação “moderadamente preocupante”, mas “pressão gerível”

20 nov, 2021 - 09:22 • Lusa

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças considera que a vacinação contra a gripe é "essencial". O responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias, não recomenda restrições a deslocações, mas defende medidas para não-vacinados.

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A situação epidemiológica da Covid-19 é agora "moderadamente preocupante" em Portugal, segundo o ECDC, que fala numa preocupação "muito elevada" no resto da Europa e prevê aumento das infeções, internamentos e mortes nas duas próximas semanas.

“Na semana 44 [entre 01 a 07 de novembro], 10 países da União Europeia e Espaço Económico Europeu – Bélgica, Bulgária, Croácia, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Países Baixos, Polónia e Eslovénia – foram classificados como altamente preocupantes, 13 países – Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Islândia, Irlanda, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Roménia e Eslováquia – como muito preocupantes e três países – Chipre, França e Portugal – como moderadamente preocupantes", diz em entrevista por escrito à agência Lusa, em Bruxelas, Ole Heuer, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

A estes acrescem “quatro países – Itália, Malta, Espanha e Suécia – como pouco preocupantes", acrescenta o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC.

Mortalidade e internamentos devem subir nas próximas semanas

Segundo Ole Heuer, nesta primeira semana do mês (sobre a qual o centro europeu tem os dados mais recentes), o "nível de preocupação para a UE/EEE em geral é muito elevado, de 8,3 em 10", numa avaliação que tem em conta as taxas de positividade dos testes realizados e de notificação de casos, bem como indicadores de gravidade (casos entre pessoas com 65 anos de idade ou mais e admissões ou taxas de ocupação ou de morte em hospitais ou unidades de cuidados intensivos).

"No final da semana 44, a situação epidemiológica global na UE/EEE caracterizou-se por uma elevada taxa global de notificação de casos e em rápido aumento e uma taxa de mortalidade baixa, mas em lenta subida", assinala o especialista do ECDC à Lusa.

"Prevê-se que as taxas de notificação de casos, as taxas de mortalidade e de internamento em hospitais e unidades de cuidados intensivos aumentem durante as próximas duas semanas", antecipa.

Ole Heuer precisa que "as taxas de notificação de casos são atualmente mais elevadas entre os grupos etários com menos de 50 anos, mas as taxas de notificação entre os grupos etários mais velhos também estão a aumentar rapidamente".

E, apesar de ressalvar que "o quadro varia consideravelmente de país para país", o responsável adianta que "o aumento das taxas de notificação de casos e uma situação epidemiológica global de grande ou muito preocupante são agora observados na maioria dos Estados-membros da UE/EEE".

Em média, na primeira semana deste mês, a taxa global de notificação de casos de covid-19 para a UE/EEE foi de 383,9 por 100 mil habitantes (o que compara com 316,4 na semana anterior), sendo que estes números têm vindo a aumentar há cinco semanas.

Por seu lado, a taxa de mortalidade a 14 dias por infeção SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, estava nesta semana em 35,5 mortes por milhão de habitantes, em comparação com 32,3 mortes na semana anterior, também a aumentar há cinco semanas.


Boas perspetivas para Portugal

Os países europeus com taxas mais altas de vacinação anticovid-19 enfrentam uma "pressão gerível" nos hospitais em altura de forte ressurgimento das infeções, considera o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), embora sugerindo novas restrições.

"Os países ou regiões com níveis de cobertura vacinal na população total acima do nível médio atual da UE, e particularmente aqueles com os níveis mais elevados de cobertura, podem ter uma pressão gerível de internamentos e mortes" por Covid-19, afirma o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC, Ole Heuer, em entrevista por escrito à agência Lusa, em Bruxelas.

Isto, "a menos que haja uma forte diminuição da imunidade seis meses após a vacinação e/ou a sua população tenha uma imunidade natural baixa", salvaguarda o responsável.

A UE enfrenta atualmente um elevado ressurgimento das infeções por SARS-CoV-2, que provoca a Covid-19, com os internamentos, as entradas nos cuidados intensivos e o número de mortes também a aumentar, situação causada pela dominância da variante Delta (mais contagiosa) e pela descida das temperaturas, mais propícia a doenças respiratórias.

Por tudo isto, Ole Heuer argumenta que, mesmo estes países com elevada vacinação, deviam "manter ou reintroduzir medidas como a limitação da dimensão dos eventos e reuniões, a promoção do teletrabalho, o uso de máscaras faciais em espaços partilhados e o distanciamento físico, uma vez que as pessoas vacinadas ainda podem ser infetadas e transmitir mais ainda o SARS-CoV-2".

Vacina da gripe "essencial para mitigar impacto" nos hospitais

O ECDC considera que a vacinação contra a gripe é "essencial para mitigar o impacto" nos sistemas de saúde na União Europeia (UE) perante o ressurgimento de casos de Covid-19.

"A vacinação contra a gripe sazonal – especialmente para populações vulneráveis e trabalhadores da saúde – é essencial para mitigar o impacto nos indivíduos e nos sistemas de saúde nos próximos meses", afirma o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias.

Assinalando que "os grupos de risco de doença grave da gripe se sobrepõem, em grande parte, aos grupos com maior risco de doença grave e de morte por Covid-19", o especialista do ECDC acrescenta existirem "vários benefícios na coadministração de vacinas anticovid-19 com campanhas de vacinação contra a gripe sazonal", como aliás está a ser feito em Portugal.

Em causa estão, desde logo, "doses adicionais ou doses de reforço para aqueles em maior risco de doença grave e morte devido à Covid-19".

Na quinta-feira, o chefe da Estratégia de Ameaças Biológicas para a Saúde e Vacinas da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri, manifestou uma posição semelhante, encorajando "todas as pessoas a quem é oferecida uma vacina contra a gripe a vacinarem-se e a protegerem-se a si próprios, os seus familiares, amigos e colegas".

Marco Cavaleri adiantou que "os dados preliminares indicam que a vacina da gripe pode ser administrada ao mesmo que tempo que a vacina anticovid-19".

Em Portugal, decorre a campanha de vacinação contra a gripe sazonal, que começou em outubro com a vacinação dos grupos prioritários.

Segundo dados das autoridades portuguesas, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai ter, nesta época gripal, 2,24 milhões de doses de vacinas contra a gripe, o que representa um aumento global de 7% (mais cerca de 146 mil doses) comparativamente ao ano passado.

Apesar de a gripe ser considerada uma doença de cura espontânea, pode causar complicações em pessoas com doenças crónicas ou com 65 ou mais anos, sendo estas consideradas como prioritárias na inoculação para evitar a doença grave, assim como mulheres grávidas e profissionais de saúde.

Em Portugal, a vacinação contra a Covid-9 pode ser feita em simultâneo com a vacina contra a gripe, o que está a acontecer desde meados de outubro para facilitar a adesão à vacinação.

Distanciamento e máscaras devem manter-se

O ressurgimento de casos de Covid-19 na Europa deve-se ao "relaxamento de intervenções não-farmacêuticas", isto é, ao levantamento de medidas restritivas como distanciamento físico, uso de máscaras, redução da lotação em eventos/encontros de interior e de aposta no teletrabalho, defende o responsável do ECDC.

"Embora as vacinas sejam muito eficazes na prevenção de doenças e mortes graves, as pessoas vacinadas podem ser infetadas e transmitir a Covid-19, embora em menor grau do que os indivíduos não vacinados", lembra o especialista.

Ole Heuer salvaguarda que as vacinas têm sim "desempenhado um papel importante" ao "protegerem as pessoas de ficarem gravemente doentes e de morrerem de Covid-19", dada a eficácia superior a 80% contra doença grave.

Uns mais vacinados que outros

Dados do ECDC revelam que, até ao momento, 76,5% da população adulta na UE está totalmente vacinada, enquanto mais de 81% tomou apenas a primeira dose – o equivalente a 279 milhões de pessoas com o esquema de vacinação completo e 297 milhões com pelo menos uma dose administrada, segundo a página na internet do ECDC referente à vacinação na UE e que tem por base dados dos Estados-membros.

Por países, existem grandes discrepâncias nas taxas, entre os 28,6% de vacinação total de adultos na Bulgária e 92,6% na Irlanda.

Além da Bulgária, também a Roménia regista uma taxa de 42,8%, a segunda pior da UE, com os restantes países a superarem os 50%, ainda assim.

Relativamente aos países com níveis mais altos de população adulta totalmente vacinada, são, além da Irlanda, Portugal (91,9%) e Malta (91,8%), ainda segundo os dados do ECDC.

Ole Heuer diz à Lusa que os países com menor vacinação "continuam a ser os mais severamente afetados" pelo ressurgimento do vírus.

Questionado sobre as razões que justificam estes níveis tão baixos, principalmente na Europa central e de leste, o especialista aponta que "muitos países identificaram desafios em torno da desconfiança, desinformação e baixa perceção do risco, especialmente nos jovens, como alguns dos principais motores da baixa vacinação em diferentes grupos populacionais".

Ole Heuer adianta, por isso, que os "esforços incansáveis para aumentar as taxas de cobertura vacinal em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] são da maior importância".

"Em paralelo, deve ser considerada a administração de uma dose adicional de vacina a pessoas que possam ter uma resposta limitada ao ciclo primário de vacinação anticovid-19, tais como indivíduos imunodeprimidos", e ainda "doses de reforço para grupos populacionais que apresentem sinais de diminuição da imunidade, como indivíduos mais velhos e frágeis, em particular os que vivem em ambientes fechados", sugere o especialista.

E os não-vacinados?

Por estes dias, e também a pensar na época de festividades de fim de ano, vários países europeus reintroduzem medidas restritivas, principalmente para não vacinados, com a obrigação de apresentação de passe sanitário (comprovativo de vacinação ou teste) para acesso a determinados locais públicos, como a Alemanha ou Bélgica.

Já a Áustria, que começou por confinar os não vacinados, estendeu agora o confinamento a todos e tornou a vacinação obrigatória no país, sendo o primeiro país europeu a fazê-lo.

Questionado sobre estas medidas restritivas mais direcionadas para pessoas que optaram por não se vacinar, Ole Heuer afirma que "alcançar camadas de indivíduos não vacinados é vital para aumentar a cobertura vacinal e a proteção contra doenças graves, internamentos e mortes".

Porém, "não existe uma abordagem única para aumentar a vacinação nas diversas populações", já que se trata de "uma questão complexa e com razões subjacentes a uma menor utilização a variar consideravelmente entre países e dentro de cada país", ressalva o especialista.

Ole Heuer lembra, ainda, que "diferentes países relataram [ao ECDC] ter adotado uma série de estratégias para chegar aos indivíduos e grupos populacionais com baixo nível de vacinação", tentando "adaptar as diferentes medidas com base nos fatores responsáveis por essa baixa adesão, tais como [...] a desinformação, a desconfiança ou a falta de informação clara".

Por essa razão, "algumas destas estratégias incluíram equipas ou clínicas de vacinação móveis, estratégias de comunicação direcionadas e iniciativas de sensibilização", exemplifica o especialista, falando ainda na introdução de incentivos à vacinação e na vacinação obrigatória de trabalhadores da saúde.

Restrições a viagens não são recomendadas

“É pouco provável que as restrições às viagens tenham um impacto importante a longo prazo no calendário ou em intensidade em comparação com a rigorosa implementação local das intervenções não-farmacêuticas [medidas restritivas], particularmente tendo em conta o domínio da variante Delta em todos os países da UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu]", declara o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC.

Para Ole Heuer, "as restrições às viagens seriam importantes se implementadas muito cedo, de forma consistente e completa, e se houvesse provas de circulação de uma nova variante da SARS-CoV-2, particularmente de uma variante de fuga imunitária, para atrasar a sua introdução".

Ainda assim, "durante as viagens, as medidas de proteção devem ser mantidas, independentemente do estatuto de vacinação do viajante", argumenta o especialista, exortando que "se utilizem máscaras faciais, se evitem os ajuntamentos e se mantenha a distância física, bem como se aposte numa melhor ventilação nas estações e nos modos de transporte como aviões, comboios, autocarros".

Criado em 2005, o ECDC é uma agência europeia de aconselhamento aos países para reforço da capacidade de defesa da Europa contra as doenças infecciosas.

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