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Covid-19. Dose adicional da vacina em imunodeprimidos “faz todo o sentido”

02 set, 2021 - 08:32 • Marta Grosso com redação

Investigador do Instituto de Medicina Molecular diz à Renascença que não se trata de uma terceira dose, mas de um reforço, tendo em conta a condição de saúde deste grupo de risco.

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A decisão de avançar para uma dose adicional da vacina contra a Covid-19 em pessoas mais de 16 anos que tenham um sistema imunitário comprometido merece o aplauso de Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular.

“Esta é uma decisão que faz todo o sentido, na medida em que as pessoas imunocomprometidas têm, por definição, sistemas imunitários mais débeis que não respondem de forma tão eficaz à vacinação como os de pessoas que têm sistemas imunitários em pleno funcionamento”, começa por dizer à Renascença.

Nessas pessoas, acrescenta, “as duas doses de vacina não conferem a proteção desejável e um esquema vacinal de três doses em vez de duas é mais protetor”.

Miguel Prudêncio não gosta de falar em terceira dose. Diz que é mais correto chamar-lhe reforço, porque é disso que se trata: reforçar a proteção de quem está numa situação mais frágil.

“Não estamos a falar de uma terceira dose por haver indicação de que haja uma perda da eficácia que é conferida pelas duas doses e que requer, então, uma dose adicional para repor uma eficácia que era conferida pelas duas doses e que decaiu. O que está em causa é que o esquema vacinal de duas doses em pessoas cujo sistema imunitário esteja comprometido não é tão protetor como um esquema vacinal de três doses”, sublinha.

“É um esquema vacinal diferente, específico para estas pessoas”, realça ainda.

Segundo os cálculos da Direção-geral de Saúde, serão 100 mil as pessoas incluídas neste grupo de risco, que está bem identificado: “são pessoas que, por alguma razão, não têm um sistema imunitário a funcionar em pleno e isto pode acontecer porque, por exemplo, estão a fazer tratamentos imunosupressores – que é o caso, por exemplo, de pessoas que tenham recebido transplantes e quando se recebe um transplante é necessário fazer um tratamento de imunosupressão para que não haja rejeição do órgãos que é transplantado; pessoas que estejam a fazer algum tipo de tratamento contra o cancro que possa impactar na capacidade de resposta imunitária dessas pessoas e pessoas que tenham congenitamente defeito no seu sistema imunitário que tornem esse sistema menos funcional do que na população em geral”.

Sobre a possibilidade de alargar este reforço a outros grupos, como idosos ou os profissionais de saúde, nada está decidido e Miguel Prudêncio considera prematuro tomar agora tal decisão. Segundo este investigador, não existem ainda evidências científicas de que pessoas sem problemas de imunossupressão grave precisem deste reforço.

Nas suas declarações na quarta-feira, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde referiu que a DGS está na fase de compilar informação e de analisar em continuo a evidência científica disponível pelos vários países sobre a administração da terceira dose da vacina, aguardando as indicações da EMA e do Infarmed.

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