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Covid-19

“Medidas apenas de fim de semana são incompletas”. Especialista pede aplicação ao nível nacional e comunicação clara

22 jun, 2021 - 10:20 • Anabela Góis , Olímpia Mairos

Médico José Artur Paiva diz ser preciso travar a fundo e não avançar para a próxima fase de desconfinamento, porque a subida de casos, que neste momento é mais evidente na Grande Lisboa, vai acabar por alastrar a todo país.

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O diretor de medicina intensiva do Hospital de São João diz serem necessárias medidas ao nível nacional e uma comunicação clara, numa altura em que Portugal voltou a entrar no vermelho na matriz de risco da Covid-19.

Os casos continuam a aumentar, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, a taxa de transmissão está em 1.19 e registam-se atualmente 120 casos por 100 mil habitantes, sendo que nesta altura metade dos novos infetados têm menos de 39 anos.

Em entrevista à Renascença, José Artur Paiva defende que as medidas para conter a pandemia têm de ser tomadas ao nível nacional e não regional ou no âmbito dos concelhos. Além disso, tem muitas dúvidas sobre os efeitos práticos da cerca a que foi sujeita a Área Metropolitana de Lisboa no passado fim de semana.

Será necessário pensar de uma forma mais ativa, de uma forma mais intensa em como reduzir o Rt em Lisboa, porque senão o que vai acontecer é um espalhar em mancha, é um aumento do Rt em mancha a partir de Lisboa e Vale do Tejo”, avisa.

No entender do especialista, “não estamos no momento de discutir coisas por concelho, por micro áreas”. Defende, por isso, “uma visão muito mais alargada”, porque “medidas apenas de fim de semana, não digo que sejam erradas, mas são incompletas, parciais e até de comprimento discutível”.

O especialista, que também é responsável pelo programa para a prevenção e controlo de infeções da DGS, pede informação clara referindo que passámos de um excesso, com conferências de imprensas diárias, para o oposto, assinalando também que agora a informação surge de forma dispersa, sem uma linha condutora e, por vezes, até com indicações contraditórias.

Na sua opinião, é preciso travar a fundo e não avançar para a próxima fase de desconfinamento, porque a subida de casos, que neste momento é mais evidente na região de Lisboa e Vale do Tejo, vai acabar por alastrar a todo país. Diz também que é preciso acelerar o processo de vacinação.

“Espero que saia muito claramente um plano comunicacional que nos faça a todos perceber que mais desconfinamento, redução das medidas de etiqueta social e a realização de grandes eventos ou super eventos é algo que não faz sentido, até termos a população protegida e atingirmos uma taxa de vacinação que permita pensar que há imunidade de grupo”, observa o médico.

José Artur Paiva alerta que “isto é ainda mais importante quando, provavelmente, se formos capazes de acelerar um pouco mais o programa vacinal, nós estamos a cerca de dois três meses de atingir essa imunidade de grupo”.

Em termos de internamentos, a região Norte do país começa a refletir já o que se passa na região de Lisboa, com doentes jovens a necessitarem de cuidados hospitalares e cuidados intensivos.

“O que nós estamos a ver agora e os casos que vão aparecendo mesmo aqui na região Norte, não tem uma incidência tão alta como em Lisboa e vale do Tejo. São na sua esmagadora maioria de pessoas com uma média de idades baixa e que a doença pode ter formas graves, mesmo em pessoas saudáveis e não idosas”, afirma José Artur Paiva.

Neste contexto, o diretor de medicina intensiva do hospital de São João, entende que a solução para controlar a pandemia passa por quatro vetores: prevenção, controlo das cadeias de transmissão, análise das pessoas vacinadas que são infetadas para detetar eventuais variantes novas e acelerar o processo de vacinação.

Em Portugal, morreram 17.068 pessoas em 865.806 casos de infeção confirmados, de acordo com o último boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.


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