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Bluepharma investiga medicamento para a Covid-19, mas "vai demorar quatro anos" a chegar ao mercado

22 mar, 2021 - 17:00

Paulo Barradas Rebelo, em entrevista à Renascença, adianta que o objetivo é "diminuir o número de vezes que as pessoas vão ao hospital" e evitar internamentos. O investimento na investigação será de um milhão, a que se vão somar mais 15 milhões caso chegue a testes laboratoriais.

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A farmacêutica portuguesa Bluepharma, sediada em Coimbra, anunciou esta segunda-feira que está a desenvolver um medicamento para o tratamento da Covid-19. Em entrevista à Renascença, o presidente Paulo Barradas Rebelo afirma estar entusiasmado com o projeto, mas ao mesmo tempo põe alguma água na fervura em relação aos resultados. Quer ter o fármaco o mais cedo possível disponível para uso comercial, mas chama a atenção para que não se pode esperar que aconteça o mesmo que sucedeu com as vacinas.

Ao completar 20 anos de atividade, a Bluepharma tem em curso vários projetos, como a ampliação das atuais instalações em São Martinho (Coimbra) e a construção da nova unidade industrial em Eiras, num investimento global de perto de 50 milhões de euros. Para este projeto, numa fase inicial, está alocado um pouco mais de um milhão de euros.

Soubemos hoje que a Bluepharma está a desenvolver um medicamento para o tratamento da Covid-19. Em concreto em que é que consiste este fármaco?

Este desenvolvimento tem a ver com a forma de estar da Bluepharma, que é o de não cruzar os braços e dar o seu contributo a esta pandemia que nos está a afetar a todos.

Depois dizer que temos recursos de investigação e desenvolvimento fortíssimos que criamos ao longo destes últimos 20 anos e que estamos a disponibilizar parte deles para correr este desafio.

Em terceiro, isto é muito arriscado. Não queremos criar falsas expetativas às pessoas, porque na área farmacêutica o que aconteceu nas vacinas foi uma coisa perfeitamente inédita, conseguir trazer ao mercado soluções terapêuticas tão rápidas e garantindo a segurança, a eficácia e a qualidade desses medicamentos. O que estamos a fazer é a desenvolver o medicamento de uso perfeitamente estabelecido que já existe. Estamos a desenvolvê-lo para a Covid-19.

Qual é o objetivo?

O nosso objetivo é diminuir o número de vezes que as pessoas vão ao hospital, evitar internamento hospitalar, minimizando os efeitos que a Covid causa nos pacientes.

Quando diz que vão usar um fármaco já existente e direcioná-lo, o que é que isso significa na prática?

Ele tinha utilização para uma determinada patologia e estamos a direcioná-lo para outra patologia.

Qual era o fármaco?

Não posso dizer.

Qual a expetativa em termos de prazos para realizar a investigação e desenvolvimento e tê-lo disponível para entrar no mercado?

Somos pessoas muito positivas, temos criados os instrumentos adequados para nos lançarmos neste desenvolvimento, mas temos também para nós que a expetativa em termos temporais é muito longa. Um medicamento deste tipo, passando pelos ensaios que temos de fazer para trazer ao mercado uma solução que seja eficaz e segura, vai demorar quatro anos.

Demorará algum tempo então...

Sim, e por isso temos de ser muito prudentes a comunicar estas coisas para não criar falsas expectativas. Na área da indústria farmacêutica as coisas acontecem no seu tempo. E os tempos que temos são muito longos.

Para se perceber a diferença com a vacina, que em menos de um ano chegou ao mercado, porque é que vai ser mais moroso?

Este processo é moroso como são todos os processos na área da indústria farmacêutica. Todos nós sabemos que fazer chegar um medicamento ao mercado leva muito tempo.

Agora, esta pandemia mostrou que as parcerias público-privadas são muito importantes, ainda mais numa área cujo objetivo é o de trazer para o mercado soluções que não estão ainda satisfeitas e os tempos são determinantes.

Se o conseguimos fazer mais depressa, conseguimos solucionar as preocupações que hoje temos todos e, por outro, lado diminuir os custos no lançamento de uma tecnologia ou de um medicamento para estas patologias. O tempo é proporcional aos custos.

É possível fazermos melhor se houver uma parceria certa, correta e transparente entre as empresas e o Estado que aprova esses medicamentos.

Este projeto é só da Bluepharma ou haverá empresas parceiras?

Não, neste momento somos apenas nós próprios. No nosso DNA, as parcerias são muito importantes. Estamos muito próximos da Universidade de Coimbra. Se não tivermos a capacidade de surpreender o cliente, o vizinho do lado surpreende-nos. Temos feito isso sempre com parcerias em I&D, aprendendo com os outros, e chegando mais cedo.

Este projeto é financiado por capitais próprios, mas também pelo Compete e pelo P2020. Estamos nós próprios a fazer esse desenvolvimento. Mas não descartamos que no horizonte de três a quatro anos se tivermos sucesso e não tivermos a capacidade industrial para produzir em quantidades que satisfaçam a população, vamos recorrer a outras unidades industriais.

Qual o investimento para a investigação?

O COMPETE dará 500 mil euros. E nós teremos outro tanto, em capitais próprios, que poderá ser mais do que esse valor.

Mais de um milhão de euros?

Sim. Mas com ensaios clínicos irá para os 15 milhões de euros. E aí precisaremos de um parceiro.

Os fármacos poderão substituir a vacina ou serão complementares?

Ainda é cedo para podermos falar. Mas se eles minimizarem os efeitos desta pandemia, o valor da vacina será menor. Se não encontrarmos os fármacos para evitar os efeitos mais drásticos, a vacina será a ferramenta principal. A vacina e uma solução do lado da prevenção. Penso que serão compatíveis, mas só o tempo nos ajudará a determinar qual dos dois será a forma mais eficaz, menos intrusiva e mais económica.

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