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Por que é que as vacinas para a Covid-19 custam entre 2 e 15 euros? É uma questão de metodologia

19 mar, 2021 - 13:20 • João Carlos Malta

Em dezembro do ano passado, um tweet deu a conhecer uma informação que a Comissão Europeia queria secreta. Os preços a pagar por cada dose dos diferentes laboratórios que comercializam a vacina na UE é muito diferente. Uma especialista em vacinação ajuda a perceber o está na base da formação do valor de venda.

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O preço que a União Europeia vai pagar por cada uma das vacinas contra a Covid-19 foi divulgado em dezembro pela secretária de Estado do Orçamento da Bélgica, Eva De Bleeker. Segundo essa publicação, começa nos 1,78 euros da Oxford/AstraZeneca, e chega até aos 14,7 euros da Moderna. Mas como é que uma vacina para a mesma doença é vendida a preços tão diferentes? E isso influencia a qualidade?

A Renascença contatou Etelvina Calé, médica com grande experiência nesta matéria e membro ativo da equipa coordenadora do programa nacional de vacinação da Direção-Geral da Saúde (DGS), para ajudar a perceber este fenómeno. A especialista, mesmo não se pronunciando em concreto sobre as vacinas para a Covid-19, avança que, de forma geral, “o preço está relacionado com as metodologias utilizadas no seu fabrico”.

Por essa razão, “metodologias mais recentes poderão levar a que o preço das vacinas seja superior”. Isto porque são metodologias (o que aqui significa formas de produção) “que estão a ser implementadas pela primeira vez”.

Por exemplo, vacinas que sejam produzidas utilizando metodologias mais antigas, como é o caso da AstraZeneca, e já perfeitamente implementadas “podem levar a que o preço resultante para essa vacina seja mais barata”.

Os laboratórios que optaram pela metodologia menos experimentada do “RNA Mensageiro” têm custos de produção e desenvolvimento maiores.

Uma publicação instantânea e uma revelação

No final do ano passado, os preços das vacinas foram disponibilizados pela governante belga Eva De Bleeker no Twitter, para logo de seguida apagar a publicação. Ainda assim não o fez a tempo de evitar que o jornal belga HLN tivesse tirado uma fotografia à publicação.

A informação tinha sido mantida em segredo pela Comissão Europeia por estar sob um acordo de confidencialidade comercial que impede a sua divulgação.

Nessa lista podia-se ver os preços de cada uma vacina para a União Europeia dos diferentes laboratórios:

  1. Oxford/AstraZeneca: 1,78 euros
  2. Johnson & Johnson: 6,94 euros
  3. Sanofi/GSK: 7,56 euros
  4. CureVac: 10 euros
  5. BioNTech/Pfizer: 12 euros
  6. Moderna: 14,7 euros

Em relação ao que leva a que um laboratório opte por uma ou outra solução, Etelvina Calé explica que são decisões da indústria “que pretende inovar ou não inovar”, “tentando obter sempre os melhores resultados em termos de eficácia e segurança das vacinas”. “Isso tem mesmo a ver com opções do laboratório que as produz”, reforça.

Preço não é qualidade

Agora, o que Calé garante é que o preço não é uma variável da qualidade. Não é um determinante. “A qualidade de qualquer vacina está sempre garantida, porque as vacinas são os medicamentos mais escrutinados no mercado”.


RITMO DA VACINAÇÃO EM PORTUGAL

A especialista em vacinação e atualmente delegada de Saúde na Amadora avança que isso sucede “por uma razão muito simples”. “São usados em pessoas saudáveis para prevenir de uma eventual doença”, sintetiza.

A grande diferença no escrutínio de que as vacinas são alvo e o resto dos medicamentos, é, segundo Etelvina Calé, a de que os fármacos são usados para pessoas já doentes, e, neste caso, “os efeitos assessórios e a segurança é menos exigente porque a pessoa está doente e usa o medicamento para minimizar o efeito da doença”.

Já uma vacina é o contrário. Trata-se de um medicamento que é usado num indivíduo saudável, “para o proteger de um eventual evento que não temos a certeza de que vá ocorrer”.

Este conjunto de fatores faz com que “os efeitos adversos sejam muito menos aceites e por isso estes medicamentos são muito mais escrutinados”. “Só são postos em utilização quando está identificada a sua segurança, já para não falar da eficácia como é óbvio”, assegura.

Farmacêuticas já pensam em subir preços

A questão do preço das vacinas será um tema que continuará por certo na ordem do dia. Ainda recentemente, o CFO da Pfizer, Frank A. D'Amelio, durante a conferência virtual Barclays Global Healthcare na semana passada, garantiu que a farmacêutica está a vendê-las a um preço de pandemia, mas que vê neste segmento uma boa oportunidade de fazer crescer os preços.

Isso acontecerá quando o “vírus passar da fase pandémica para fase endémica”. Ainda assim a Pfizer diz que é "muito cedo para especular".

“O único preço que publicámos foi o preço nos EUA de 19,50 dólares por dose. Obviamente, este não é o preço a que normalmente vendemos uma vacina. Esse é de 150 dólares, ou 175 dólares por dose”, disse.

Assim que a procura diminuir, segundo D’Amelio, fatores como eficácia, a capacidade de reforço e utilidade clínica tornar-se-ão “muito importantes” e “as condições normais de mercado começarão a aparecer. Ou seja, o preço vai aumentar.

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