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Hospital de São João no Porto

Especialista de medicina intensiva avisa que o número de internamentos vai disparar

10 jan, 2021 - 21:17 • André Rodrigues com redação

Para evitar a falência da atividade assistencial aos doentes não Covid, José Artur Paiva defende uma articulação reforçada entre o SNS e o setor privado. “Nenhuma resposta do SNS pode tender para o infinito”, alerta.

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Portugal precisa de uma expansão urgente e imediata da resposta em cuidados intensivos, defende José Artur Paiva, diretor de serviço de medicina intensiva do Hospital de São João. Em declarações à Renascença, este especialista avisa que o número de internamentos vão disparar.

"Por cada dia que temos 10 mil novos casos, nós teremos uma semana depois desse dia cerca de 150 novas admissões em medicina intensiva. A próxima semana e a semana a seguir a essa vão ser semanas de uma sobrecarga enorme”, diz.

Segundo José Artur Paiva, os próximos dias são decisivos para evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde. “Nenhuma resposta do SNS pode tender para o infinito. Se o número de casos continuarem a aumentar, a resposta é impossível”, frisa.

“A expansão até agora feita na ARS de Lisboa e Vale do Tejo foi inferior à expansão realizada nas outras ARS. Isto decorreu de a primeira e segunda onda terem exigido mais das regiões mais a Norte do que a Sul do país. E essa expansão de camas de medicina intensiva implicam cessação temporária de algumas atividades, nomeadamente a cirurgia programada. De forma a que a medicina intensiva possa ocupar áreas que normalmente não ocupam”, afirma.

O responsável avisa também que a expansão da resposta de cuidados intensivos vai ter consequências na atividade programada e não urgente.

Para evitar a falência da atividade assistencial aos doentes não Covid, José Artur Paiva defende então uma articulação reforçada entre o SNS e o setor privado.

"Precisamos de uma colaboração intensificada com os privados de forma a que alguma atividade adicional que não pode ser feito no público seja feito no privado, de forma a perdermos o mínimo possível da área não Covid”, defende.

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