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Henrique Barros. Doentes não Covid-19 vão ser prejudicados nesta segunda vaga

29 out, 2020 - 10:17 • Olímpia Mairos , Fátima Casanova

Presidente do Conselho Nacional de Saúde defende que “as entidades privadas ou sociais têm de colaborar” no combate à pandemia “dentro das mesmas regras” e não “numa lógica de ganância”.

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O presidente do Conselho Nacional de Saúde admite à Renascença que os doentes não Covid-19 vão ser prejudicados, nesta segunda vaga da pandemia.

Numa altura em que os números continuam a aumentar, Henrique Barros garante que o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade para dar resposta aos casos de infeção pelo novo coronavírus, já quanto aos outros doentes, o especialista admite que correm o sério risco de ficar pelo caminho.

“Claro que vamos ter todos que nos sacrificar, particularmente as pessoas que têm problemas de saúde de outra natureza e que precisavam de uma resposta. E temos de tentar estar atentos a essas situações”, alerta.

Henrique Barros considera também que “as entidades privadas ou sociais terão de colaborar dentro das mesmas regras e não pode ser feito numa lógica de ganância ou de aproveitar uma situação de grande procura para conseguir outras coisas que não responder ao sofrimento, à doença, à necessidade das pessoas”.

Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde, nesta altura, não faz sentido pensar num regresso ao confinamento, indo ao encontro do que tem sido veiculado pelo Governo.

Deve evitar-se “o confinamento, que é obviamente uma forma de baixar a probabilidade de infeções ocorrerem, mas que também perturba a nossa vida, quer a vida pessoal, quer a vida e a saúde das nossas comunidades - a saúde social, a saúde económica, de uma forma que nós não sabemos muito bem como é que vai ser, as consequências que vai ter e, ao mesmo tempo, é também, e devemos evitar, um indutor de mais desigualdades sociais”, defende Henrique Barros.

Numa altura em que ainda se conhece mal a dinâmica deste novo coronavírus, o especialista defende que é preciso fazer estudos para entender porque é que há casos em que o vírus está relativamente controlado e depois os casos disparam, como aconteceu na zona norte do país.

“Há pessoas que não transmitem a infeção a ninguém e nós precisamos de perceber porquê”, afirma o presidente do Conselho Nacional de Saúde.

“É porque têm determinados cuidados? Dentro da casa tiveram a preocupação de se separar fisicamente dos coabitantes, da família com quem vivem, tiveram mais cuidado com a limpeza, com a higiene das superfícies, usaram máscara dentro de casa?”, questiona.

Só encontrando respostas a estas questões é possível “perceber melhor o que é que se está a passar, que razões é que fazem com que, por exemplo, há um mês ou há um mês e meio, nas mesmas freguesias, nos mesmos concelhos do Norte do país, onde praticamente não havia casos, a partir de um certo momento os casos começam a aumentar”, considera Henrique Barros.

O Primeiro-ministro marcou um Conselho de Ministros extraordinário, no sábado, para definir novas medidas de controlo da pandemia.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral de Saúde, Portugal já contabilizou 128.392 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus e 2.395 óbitos.

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