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​Serviço pioneiro em Bragança garante acesso a medicamentos urgentes à noite

04 jan, 2018 - 11:38 • Olímpia Mairos

A partir de agora, um doente que recorra aos serviços de urgência, durante a noite, tem a garantia de que os medicamentos prescritos vão estar disponíveis e com a possibilidade de lhe serem levados a casa gratuitamente.

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Chama-se SAFE, Serviço de Assistência Nacional Farmacêutica e envolve as entidades ligadas à saúde e todas as farmácias do distrito de Bragança.

Para o serviço funcionar, o doente tem de ter disponível um telemóvel, no qual vai receber uma mensagem, quando lhe é prescrito, nas urgências, algum destes medicamentos, tendo depois de ligar para o número gratuito 800241400.

O doente fica a saber qual a farmácia que tem disponíveis os medicamentos que lhe foram prescritos e pode optar por aquela onde pretende aviar a receita ou pedir que lhe seja entregue ao domicílio.

Francisco Faria, presidente da Delegação do Norte da Associação Nacional das Farmácias adianta que o projecto garante que ninguém ficará privado dos medicamentos prescritos pelo médico.

“É um sistema alternativo que possibilita que as pessoas tenham sempre acesso aos seus medicamentos da forma mais cómoda possível e sem terem de fazer quilómetros entre as urgências, a farmácia e o seu domicílio”, explica.

Tratando-se de um projecto piloto, Francisco Faria considera que precisa ser testado e validado, mas está convicto que “vai ser um sucesso, na medida em que vai tornar mais cómodo, mais seguro, mais racional e fácil o acesso ao medicamento urgente por parte das pessoas”.

Com este novo serviço, as farmácias “vão conseguir gerir os seus recursos que não são muitos, de forma mais racional. Mas sempre com a garantia que não vai ficar nenhum cidadão desprotegido no acesso ao medicamento”, garante o presidente da Delegação do Norte da Associação Nacional das Farmácias.

O projeto SAFE (Serviço de Assistência Nacional Farmacêutica) está a ser testado, para já, só no distrito de Bragança. Destina-se apenas a medicamentos prescritos durante o período nocturno, em contexto de urgência, nomeadamente nas urgências médico-cirúrgicas de Bragança e Mirandela e nas básicas de Macedo de Cavaleiros e Mogadouro. O serviço funciona todos os dias, entre as 21h00 e as 9h00, e aos domingos e feriados durante 24h.

Autarcas temem perder serviços

O presidente da Associação de Municípios do Douro Superior, Nuno Gonçalves, considera que “o projecto em si é bom”, mas manifesta-se contra “qualquer medida que diminua o acesso a serviços públicos”.

“Não nos agrada que possamos ter aqui mais uma redução de algum serviço público. No entanto, este programa-piloto, a ser explanado para todo o território, também permitirá que haja um acesso mais igualitário para todos os cidadãos”, frisa o também presidente da câmara de Torre de Moncorvo.

Nuno Gonçalves refere-se à alteração do decreto-lei que fixa o horário de atendimento das farmácias no sentido de “nos concelhos, onde não exista serviço de urgência, as mesmas só serem obrigadas a permanecer abertas até uma hora, após o fecho dos Centros de Saúde”.

O autarca lembra que “vivemos num território onde há cada vez mais idosos e onde, muitas vezes, o acesso à internet e rede móvel é difícil” para se opor a “qualquer alteração que diminua, em termos de igualdade, o acesso aos serviços públicos”.

Também a Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) já se pronunciou sobre a matéria e garante que a medida pode afectar as populações de Miranda do Douro, Alfândega da Fé, Vinhais, Vila Flor e Vimioso.

No caso dos cinco concelhos que podem ser afectados, os centros de saúde funcionam até às 22 horas, o que significa que as farmácias só estarão obrigadas a permanecer abertas até às 23 horas.

Outra alteração que merece a contestação dos autarcas “prende-se com o facto de, se se verificar a existência de farmácias de serviço, num raio de três quilómetros, num concelho vizinho, as farmácias poderem acertar escalas entre si”.

Medidas que o Conselho Intermunicipal considera “lesivas dos interesses das populações do território”, daí ter “deliberado” pedir esclarecimentos sobre este assunto, fazendo chegar as suas preocupações às entidades competentes”, nomeadamente o Governo e a Associação Nacional de Farmácias.

Do lado da Ordem dos Farmacêuticos (OF), a bastonária, Ana Paula Martins, afirma que o SAFE arrancou, no distrito de Bragança, devido ao isolamento das populações deste território e uma média etária elevada.

“Com estas características, esta região vai-nos permitir aferir algumas lacunas que o projecto possa ter e que tenham de ser melhoradas, antes de serem replicadas em outros distritos do país”, frisa a bastonária da OF.

A responsável refuta a ideia de que a implementação do SAFE seja uma medida economicista para o sector das farmácias.

O distrito de Bragança foi escolhido devido à elevada dispersão populacional, tendo em conta que os 136 mil habitantes estão dispersos por 226 freguesias, quase todas rurais, ao longo de 6.608 km². A população é servida por 41 farmácias, 15 das quais fazem actualmente serviço noturno: três em serviço permanente e 12 em disponibilidade.

Comentários
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  • antonio baptista
    24 jan, 2018 trofa 04:35
    parabéns pela iniciativa mas o projecto chama-se safe e não seife
  • ze
    04 jan, 2018 Carnaxide 13:58
    Os Presidentes do Interior estão mais preocupados em lançar foguetes nas festas e ganharem votações... De resto não querem saber...

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