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Eleições na França. Interrompidas negociações para aliança da extrema-direita

11 jun, 2024 - 19:50 • João Pedro Quesado

Eleições antecipadas marcadas por Macron estão a provocar movimentações na política francesa. Os partidos Reconquista e Reagrupamento Nacional (antigo Frente Nacional) não deverão entrar em coligação, mas extrema-direita deve contar com o apoio do partido fundado por Jacques Chirac no início dos anos 2000.

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As negociações entre os partidos de extrema-direita na França para uma coligação eleitoral nas legislativas antecipadas marcadas por Emmanuel Macron pararam esta terça-feira, menos de 24 horas após começarem. A vice-presidente do Reconquista lamentou uma mudança de posição do Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen.

Marion Maréchal lamentou, num comunicado publicado na rede social X (antigo Twitter), uma mudança de posição do Reagrupamento Nacional. Jordan Bardella, presidente do partido, terá dito a Maréchal que o antigo Frente Nacional recusava o “próprio princípio de um acordo”.

Segundo Maréchal, um dos argumentos é que o Reagrupamento Nacional não quer “qualquer associação direta ou indireta” com Éric Zemmour, líder e fundador do Reconquista.

Zemmour, um escritor e ex-jornalista francês, já foi condenado em tribunal em 2011 por provocar discriminação racial, em 2018 incitar ódio contra muçulmanos e em 2022 por incitar ódio racial. Entrou no panorama político da França com as eleições presidenciais de 2022, em que teve 7% dos votos na primeira volta, e tem atacado Marine Le Pen por ser demasiado branda em temas como a imigração muçulmana.

De acordo com o jornal francês “Le Monde”, o acordo que estava a ser negociado previa cerca de sessenta círculos eleitorais para os candidatos do Reconquista, com dez desses círculos a serem considerados ganháveis.

Maréchal, que é sobrinha de Marine Le Pen e foi cabeça de lista do Reconquista nas eleições europeias, descreveu a decisão dos responsáveis do Reagrupamento Nacional como “repentina e contraditória com as nossas numerosas conversas e trabalhos preparatórios”.

“É obviamente uma grande deceção para a França. Espero, com todo o meu coração, que esta recusa em organizar uma verdadeira coligação não conduza a uma nova vitória de Emmanuel Macron ou, pior ainda, à vitória da coligação de esquerda e de extrema-esquerda", apontou Marion Maréchal.

O acordo podia incluir um terceiro partido, o Os Republicanos – fundado por Nicolas Sarkozy e sucessor do partido criado por Jacques Chirac, presidente francês que chegou a recusar debater com Jean Marine Le Pen, o fundador do Frente Nacional. Eric Ciotti, o líder do partido, abriu esta manhã a porta a uma coligação com o Reagrupamento Nacional.

O acordo foi confirmado por Jordan Bardella ao fim da tarde, de acordo com o Le Monde, mas está a criar muita oposição interna no partido de Ciotti, com vários senadores do partido a publicar um comunicado em que se manifestam contra a hipotética coligação.

Também à esquerda se negoceia uma aliança para as legislativas antecipadas, com os socialistas, os comunistas, os verdes e o França Insubmissa - o partido de extrema-esquerda de Jean-Luc Mélenchon - a unirem-se numa coligação.

Emmanuel Macron marcou, no domingo, eleições legislativas antecipadas para 30 de junho, com a segunda volta a 7 de julho. O partido de Macron foi derrotado por uma larga margem pelo Reagrupamento Nacional nas eleições europeias.

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