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80 anos do Dia D: A história não se repete. Ou será que repete?

06 jun, 2024 - 22:07 • Pedro Mesquita, enviado da Renascença a França

A Renascença ouviu em França testemunhos sobre o dia que assinala o início do colapso do nazismo na frente oeste da Segunda Grande Mundial. Uma data com um forte valor histórico e simbólico, mas que também nos dá pistas para compreender a atualidade.

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80 anos do Dia D: A história não se repete, ou será que repete?
Ouça a reportagem de Pedro Mesquita, enviado da Renascença a França

Oitenta anos depois do desembarque da Normandia, que libertou a França da ocupação Nazi, a Europa está de novo em guerra. E alguns dos franceses que hoje mergulham na sua história, admitem à Renascença algum paralelismo com a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin.

Alan, um francês na casa dos 70, diz à Renascença que o Dia D nos remete para a atualidade: “Esta data tem um valor simbólico. Já são 80 anos, não é? E há semelhanças com a atualidade, claro, porque há uma guerra na Europa. Sim, hoje assinalamos o fim de uma guerra, mas não é o fim da guerra”.

Ivan, concorda com o seu amigo de esplanada e diz à Renascença que a França nunca poderá deixar de agradecer a todos aqueles jovens americanos que neste dia, há 80 anos, desembarcaram na Normandia para libertar a França.

Ivan sustenta que história nunca se repete da mesma forma, mas admite que há paralelismos entre a ocupação Nazi e a invasão russa da Ucrânia: “O Dia D foi o dia do desembarque. Todos aqueles jovens americanos que chegaram à costa francesa. Hoje, os Estados europeus e os Estados Unidos, tentam dar uma mão à Ucrânia para que se libertar da invasão russa. É verdade existem algumas semelhanças”.

Nathaniel tem 25 anos e o Dia D tem um significado especial para si, porque em criança ouviu muitas histórias sobre a famosa e audaz operação militar das forças aliadas: “O desembarque? Bem, a libertação do país em relação ao ocupante. E bem, a minha família é da Normandia, então é muito mais simbólico”.

E a Renascença também falou com Nathalie, mulher de meia-idade e rosto preocupado com o futuro. Nathalie diz-nos que este dia significa um mergulho no passado. Mas ao mesmo tempo, obriga-nos a refletir sobre o futuro: “É uma retrospeção. Na verdade, é um mergulho no passado. Ao mesmo tempo, isso leva-nos a refletir bem sobre o que vamos fazer no futuro, não é? Digo isto porque vem aí as eleições europeias. Deveríamos olhar para a história, recordar tudo o que aconteceu por causa de uma guerra, não é? Porque hoje ainda há guerras”.

Esta francesa insiste que é preciso aprender com a história, mas não lhe parece que seja isso que está a acontecer. Nathalie diz à Renascença que a França tem a obrigação de assumir maior firmeza, e ajudar muito mais a Ucrânia, sobretudo a França: “Na verdade, deveríamos ajudar a Ucrânia muito mais. Mas não podemos entrar em guerra contra a Rússia porque eles são tão poderosos. Todos temos medo, é um pouco normal. Mas eu acho que deveríamos tomar posições mais firmes e, sobretudo, a França”.

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