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Oposição pró-russa da Moldávia cria coligação contra adesão à UE

22 abr, 2024 - 04:23 • Lusa

Vários partidos da oposição pró-russa da Moldova anunciaram em Moscovo a criação de uma coligação contra a adesão do país à União Europeia (UE), que deverá ir a referendo a 20 de outubro.

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O fundador do partido Shor, Ilan Shor, anunciou, este domingo, domingo a criação da coligação Vitória, com quatro outros partidos, e que irá concorrer às eleições gerais e fazer campanha para o referendo, ambos previstos para a mesma data.

De acordo com a agência de notícias estatal russa TASS, Ilan Shor garantiu que "chegou a hora de vencer" as políticas do Governo da Moldova que "levam ao desastre" e sobre as quais "ninguém tem ilusões".

"O caminho louco rumo à integração europeia é um caminho para lugar nenhum para a Moldávia", acrescentou.

"Gostaríamos muito de realizar o nosso evento em Chisinau [capital], mas a Moldávia é atualmente um estado sequestrado. Qualquer oponente na Moldávia já é um traidor desde o início, qualquer ato político termina com prisões, acompanhadas de buscas e perseguições por parte do regime pró-europeu", disse Ilan Shor.

O oligarca está fugido à justiça moldava desde 2019 e foi condenado à revelia, em maio de 2023, a 15 anos de prisão por corrupção.

O Tribunal Constitucional da Moldávia aprovou na semana passada a realização de um referendo sobre a adesão do país à UE, uma iniciativa promovida pela Presidente pró-europeia Maia Sandu.

A questão volta agora ao parlamento moldavo, dominado pelo Partido Ação e Solidariedade (PAS), no poder, e que já no final de março tinha aprovado, de forma preliminar, a realização da consulta popular, numa votação boicotada pela oposição.

Se a população moldava aprovar a adesão à UE, terão de ser introduzidas várias alterações à Constituição, cujo preâmbulo destacará a irreversibilidade da integração no bloco comunitário.

A Constituição terá ainda um artigo denominado "Integração Europeia" e que indicará que o país adere aos tratados que estabelecem a UE e às leis que reveem os tratados fundadores do bloco.

A Presidente Sandu anunciou, no final de dezembro, a intenção de realizar um referendo sobre a adesão ao bloco dos 27 e o PAS já lançou uma campanha informativa a apelar ao voto favorável na consulta popular.

O alargamento do bloco esteve em discussão em 20 de março, tendo a Comissão Europeia proposto que países candidatos à União Europeia tenham uma integração gradual no espaço comunitário e em certas políticas antes da oficialização da adesão.

Além da Moldávia, são atualmente países candidatos à UE a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Geórgia, o Montenegro, a Macedónia do Norte, a Sérvia, a Turquia e a Ucrânia, sendo o Kosovo um potencial candidato.

Em dezembro, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de adesão à UE com a Moldova.

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