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Onda de calor no Brasil. Sensação térmica atingiu os 58,5ºC no Rio de Janeiro

15 nov, 2023 - 15:19 • Redação

Esta já é a oitava onda de calor que o país enfrenta em 2023. Alterações climáticas e El Niño são a explicação, de acordo com investigadores.

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O Brasil está a ser assolada por uma onda de calor. Na terça-feira, a temperatura chegou aos 36ºC e a sensação térmica atingiu os 58,5ºC na zona oeste do Rio de Janeiro, confirma o jornal Folha de S. Paulo. Recordes de temperatura foram batidos quando falta um mês para o verão no hemisfério sul.

Foram também atingidos máximos de consumo de energia, devido à maior utilização de ar-condicionado e sistemas de refrigeração.

À Renascença, Regina Possari, residente no estado do Mato Grosso do Sul, diz que "este ano está a ser diferente". A viver em Campo Grande, e já habituada a temperaturas altas, Regina relata temperaturas a rondar os 40 graus esta semana, que têm afetado o seu dia-a-dia: "Sinto que não tenho a mesma energia do que num dia normal".

O alerta vermelho foi emitido em 2.707 cidades brasileiras por causa das elevadas temperaturas.

As razões para estas ondas de calor explicam-se pelas alterações climáticas e também pelo aparecimento mais frequente de fenómenos climáticos extremos, como o El Niño, explica Paulo Artaxo, membro do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês), à Folha de S.Paulo.

Também Regina Possari tem notado mudanças no clima brasileiro: "ou é o excesso de calor ou são as chuvas que vem com tempestades muito fortes, as marés estão diferentes", afirma.

A oscilação de temperatura também se tem feito sentir, já que "num dia estão 38 ou 39 graus e no outro desce para 21 ou 22 graus".

Já em agosto de 2023, em pleno inverno no Brasil, a cidade de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, registou 41,8ºC, segundo a ONU.

Os investigadores já alertaram que, devido ao aumento médio da temperatura, os períodos de tempo mais quente e seco irão aumentar.

"O Brasil, como uma região tropical e um país muito vulnerável às alterações climáticas, vai sofrer mais com o aumento da temperatura", diz Paulo Artaxo à Folha de S. Paulo. "As previsões do IPCC [Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas], dizem que a temperatura do Brasil, de acordo com o cenário das emissões, pode ter um aumento, em média, da ordem dos 4ºC", acrescenta.

Lincoln Alves, investigador do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), concorda que "as ondas de calor estão bastante relacionadas com as alterações climáticas e o aquecimento global". Num estudo realizado pelo Inpe, concluiu-se que, em 30 anos, as ondas de calor no Brasil aumentaram de sete para 52 por ano.

Em declarações à Renascença, Regina Possari considera que estes fenómenos parecem um sinal da natureza "a vingar-se das nossas atitudes. Não estamos a fazer a nossa parte, há uma falta de consciência coletiva".

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), esta é já a oitava onda de calor que o Brasil enfrenta este ano.

A onda de calor fez disparar o consumo de energia no Brasil, já que as pessoas procuram manter-se frescas através de ventoinhas ou do ar condicionado.

Além disso, foram já feitas algumas recomendações de prevenção, como não praticar atividade física durante os períodos de maior calor.

Regina conta também que nesta terça-feira, uma cidade do interior do Brasil "começou a modificar os horários de entrada das crianças na escola". Em vez de entrarem às 13h00, vão passar a entrar às 15h30, "quando o sol já baixou um pouco", explica.

Já que vive no interior do Brasil, Regina está longe do mar e diz não ter nenhum rio por perto para se refrescar, por isso, recorre à "pisicina e água de coco", trabalhando mais online.

O INMT refere que tudo indica que o ano de 2023 "será o mais quente desde a década de 60". Além disso, aponta que as tempertauras deverão manter-se altas em todo o mundo até novembro.

A onda de calor deve prolongar-se até esta sexta-feira, diz a Globo.

As alterações climáticas e a diminuição dos gases de efeito estufa serão temas a debater na COP28, no Dubai, a partir do dia 30 de novembro.

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