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Guerra no Médio Oriente

"Não há abrigos seguros". Organização em Gaza denuncia insegurança e falta de bens essenciais

19 out, 2023 - 07:50 • Redação

Mahmoud Shalabi, responsável da organização não governamental britânica Medical Aid for Palestinians, desabafa: "Passei mais de duas horas na fila para comprar pão para a minha família. Foram 10 pedaços de pão para um total para 10 membros da família. Cada um de nós conseguiu um pedaço de pão."

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A organização não governamental britânica Medical Aid for Palestinians (MAP) relata cenários de insegurança e de escassez de bens essenciais em Gaza.

“Os israelitas falam em zonas seguras. Não há abrigos seguros. Muitas pessoas morreram nessas áreas alegadamente seguras", diz responsável no terreno da organização Mahmoud Shalabi, em declarações enviadas à Renascença desde o norte da Faixa de Gaza.

“Falei com um médico no maior hospital da área central, que, de acordo com os israelitas, é uma área supostamente segura, e ele disse-me que, em determinada altura, contou 80 palestinianos mortos, dos quais 60 eram pessoas deslocadas internamente da Cidade de Gaza. As pessoas estão a fugir do Norte e da cidade de Gaza para morrer na zona central e no Sul.”

Nos hospitais, Shalabi descreve um cenário de preservação de material médico. “Muitas pessoas contaram-me que estão a racionalizar, infelizmente, material médico descartável e medicamentos que existem nos hospitais. Além de usarem tudo o que podem nas urgências, estão a racionar o máximo que podem, porque, em breve, as coisas vão esgotar.” Shalabi acrescenta também que a falta de combustível ameaça o funcionamento dos hospitais.

A falta de bens e serviços essenciais extende-se além das instituições de cuidados médicos. “Ainda não vimos água, ainda não vimos eletricidade, ou combustível bombeado para Gaza.”, conta Shalabi.

“Ontem, passei mais de duas horas na fila para comprar pão para a minha família. Foram 10 pedaços de pão para um total para 10 membros da família. Cada um de nós conseguiu um pedaço de pão - esta é a realidade que estamos a viver agora.”

Nas mensagens enviadas, Shalabi relata também em ataques aéreos contra bombeiros e ambulâncias na noite de segunda-feira, no qual morreram cinco bombeiros. Shalabi afirma que estes meios de socorro foram o alvo deste ataque.

Esta quarta-feira, pelo menos 40 pessoas morreram em bombardeamentos israelitas no centro da Faixa de Gaza, área controloada pelo grupo islamita Hamas.

Nesse mesmo dia, o presidente do Egito Abdel Fattah el-Sisi aceitou permitir a entrada de 20 camiões de ajuda humanitária, mas ainda não há confirmação de quando esta ajuda vai entrar na Faixa de Gaza. A informação foi avançada por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos da América, em declarações aos jornalistas.

No sábado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o valor da ajuda humanitária da União Europeia à população na Faixa de Gaza triplicará, passando a ser de 75 milhões de euros.

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