Tempo
|
A+ / A-

Guerra na Ucrânia

Musk admite ter "cortado" comunicações por satélite para impedir Kiev de atacar Rússia

08 set, 2023 - 10:30 • Redação

O detentor da rede social X, ex-Twitter, e também dono da Tesla, diz ter tomado a decisão por temer que Vladimir Putin respondesse ao ataque com armas nucleares.

A+ / A-

Um membro do governo ucraniano criticou o dono da Tesla e da rede social X (antigo Twitter), Elon Musk, por dar ordens para desligar a rede de satélites da Starlink sobre a Crimeia no ano passado, a fim de impedir um ataque ucraniano a navios de guerra russos. De acordo com um relatório da CNN, as autoridades ucranianas e norte-americanas lutaram para restaurar o serviço, apelando diretamente a Musk, que acabou, eventualmente, por concordar.

“O Starlink não foi feito para se envolver em guerras. Foi feito para que as pessoas pudessem assistir Netflix e relaxar, estudar online e fazer coisas boas e pacíficas, não ataques de drones”, disse Musk, de acordo com a sua nova biografia. O dono da Tesla admitiu que estava preocupado que o ataque ucraniano aos navios russos pudesse provocar o Kremlin a iniciar uma guerra nuclear.

Starlink é a rede global da SpaceX com mais de quatro mil satélites que fornecem serviços para mais de 50 países. Na Ucrânia, o Starlink funcionou como tecido conjuntivo para comunicações cruciais no campo de batalha.

Um assessor do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, Mykhailo Podolyak, atacou Musk por causa da revelação. “Ao não permitir que drones ucranianos destruíssem parte da frota militar russa por meio da interferência do Starlink, Elon Musk permitiu que esta frota disparasse mísseis Kalibr contra cidades ucranianas”, escreveu na quinta-feira, nas redes sociais, depois de a CNN relatar alguns dos detalhes do livro. A biografia, intitulada de “Elon Musk”, vai ser lançada terça-feira, dia 12 de setembro.

“Como resultado, civis e crianças estão a ser mortos. Este é o preço de um cocktail de ignorância e grande ego”, acrescentou no X.

A decisão de Musk foi discutida num telefonema com o conselheiro de segurança nacional do presidente Joe Biden, Jake Sullivan, e o presidente do estado-maior conjunto do exército dos Estados Unidos da América, Mark Milley.

Desde que surgiram relatos de que a SpaceX tinha desligado a comunicação por satélite na Ucrânia, o Pentágono fez um contrato com a SpaceX. Os detalhes do contrato são desconhecidos – o porta-voz do Pentágono, Jeff Jurgenson, recusou-se a dizer mais “devido à natureza crítica destes sistemas”. Porém, colocar o Starlink sob contrato permite ao Pentágono mais controlo e, possivelmente, evitar que o serviço fosse desligado outra vez repentinamente.

“Acho que se os ataques ucranianos tivessem conseguido afundar a frota russa, teria sido como um mini Pearl Harbor”, disse Musk, numa entrevista ao autor Walter Isaacson. “Não queríamos fazer parte disso”, acrescentou.
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Cidadao
    08 set, 2023 Lisboa 15:23
    Musk é um empresário, não um político e muito menos um militar, para afirmar abertamente que a Rússia iria empregar o nuclear. "Eles" andam a ameaçar fazê-lo praticamente desde o inicio da guerra e essa é uma ameaça que já ninguém leva a sério - aliás a atitude Ocidental agora é "experimentem fazê-lo; logo em seguida, experimentamos nós em vocês" - pois já se viu que cão que ladra não morde e de tanta vez usada, a ameaça perdeu impacto. Não sei se a Ucrânia estava em condições de afundar toda a esquadra russa, mas bastaria por fora de ação 2 ou 3 navios lança-mísseis e as vidas ucranianas perdidas, assim como os estragos na Ucrânia, seriam muito menores. Mais uma vez se prova que indústrias/sistemas/ tudo o que seja estratégico, não pode estar nas mãos de privados, mas tem de estar nas mãos de Estados, seja por tomada de posse de emergência, ou por requisição com efeitos imediatos.

Destaques V+