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Invasão do Capitólio. Ex-líder dos Proud Boys condenado a 22 anos de prisão

06 set, 2023 - 13:11 • Miguel Marques Ribeiro

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O ex-líder dos Proud Boys, Enrique Tarrio, foi esta terça-feira condenado a 22 anos de prisão por ter sido um dos coordenadores da invasão do Capitólio, ocorrida em Washington DC a 6 de janeiro de 2021, no dia da tomada de posse de Joe Biden após ter vencido as eleições presidenciais.

A sentença proferida por um tribunal de DC é a mais longa proferida até agora neste processo, envolvendo um participante no ataque à sede do poder parlamentar dos Estados Unidos.

Tarrio, de 39 anos, tinha sido considerado culpado em maio dos crimes de conspiração sediciosa, obstrução à justiça, desordem civil e destruição de propriedade do Governo.

A procuradoria pedia uma sentença de 33 anos de prisão, classificando a ação de Tarrio como "um ato calculado de terrorismo".

A defesa apontou para uma pena máxima de 15 anos, mas o juiz Timothy Kelly, que curiosamente foi indicado por Donald Trump para o cargo, acabou por ditar uma pena de 22 anos de prisão.

Motim foi dirigido à distância

No dia 6 de janeiro de 2021, Donald Trump discursou em frente ao Capitólio perante uma multidão de apoiantes.

Quase em simultâneo, decorreu na Câmara do Congresso, situada no interior do complexo, a certificação da vitória eleitoral do Presidente Joe Biden nas eleições de novembro de 2020.

A multidão acabou por invadir o edifício, aparentemente numa tentativa de impedir que Joe Biden fosse confirmado como Presidente.

Do acto de sedição resultou a morte de cinco pessoas.

Embora Enrique Tarrio não tenha estado na capital naquele dia, o tribunal deu como provado que foi o “principal organizador” da rebelião. O Ministério Público descreve-o como um "líder naturalmente carismático" e "um propagandista experiente".

Nos dias anteriores aos acontecimentos, o ativista de extrema-direita ajudou a reunir membros do grupo Proud Boys para rumarem a Washington DC e orientou as suas ações à medida que o ataque se desenrolava.

Tarrio foi presidente nacional dos Proud Boys, um grupo de extrema-direita fundado em Nova Iorque em 2016. Os seus membros consideravam-se soldados de Trump, indica a BBC, e ao longo do mandato do ex-Presidente envolveram-se frequentemente em confrontos com grupos anti-racistas e de extrema-esquerda.

À medida que os apoiantes de Trump cercavam o Capitólio, Tarrio publicou diversas mensagens na internet, onde afirmava que estava a "desfrutar do espetáculo”. "Façam o que tem que ser feito", pediu ainda aos manifestantes.

Na sentença, o juiz concluiu que Tarrio começou a planear um ataque ao Capitólio em dezembro de 2020 e instituiu, para esse efeito, uma estrutura de comando rígida.

"Tarrio foi o líder supremo” da invasão ao Capitólio, resumiu o juiz Kelly, ressaltando que o ex-líder dos Proud Boys não demonstrou qualquer arrependimento.

Detido preventivamente há cerca de um ano, Tarrio tinha pedido “misericórdia” ao juiz nos dias anteriores a conhecer a sentença.

"Não sou um fanático político”, assegurou, dizendo-se “extremamente envergonhado e dececionado” pelos atos cometidos.

Depois de ouvir a sentença, contudo, Tarrio respondeu com bonomia e ao ser levado do tribunal fez o sinal de vitória com os dois dedos.

Mais de 1.100 pessoas já presas e acusadas

A pronúncia da sentença a Tarrio na terça-feira foi a última de uma série de audiências envolvendo os líderes do motim no Capitólio.

As acusações contra os manifestantes têm variado - de crimes relativamente menores, como entrada numa área restrita, à destruição de propriedade do Governo, agressão e conspiração. Cerca de 200 arguidos declararam-se culpados de acusações criminais.

A investigação está em andamento e o FBI ainda tenta localizar 14 manifestantes capturados em vídeo a agredir policiais ou jornalistas, refere a BBC.

Donald Trump não foi acusado até ao momento, mas o Departamento de Justiça determinou que o ex-Presidente ainda pode ser processado pelo ataque ao Capitólio.

Até agora, as sentenças mais longas foram as de 18 anos de prisão proferidas na semana passada a outro Proud Boy, Ethan Nordean, e em maio a Stewart Rhodes, fundador dos Oath Keepers, outra milícia de extrema-direita envolvida na invasão.

Outros três Proud Boys receberam sentenças de prisão na semana passada pelos seus papéis no motim.

Os ex-fuzileiros navais dos EUA Dominic Pezzola e Zachary Rehl foram condenados a 10 e 15 anos de prisão, respectivamente.

Joe Biggs, um veterano do Exército dos EUA, enfrenta uma pena de 17 anos.

A extensa investigação do Departamento de Justiça sobre o motim já abrangeu mais de 1.100 pessoas presas e formalmente acusadas.

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