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Estocolmo

Ex-chefes de petrolífera sueca começam a ser julgados por crimes de guerra no Sudão

05 set, 2023 - 13:12 • Reuters

Ex-CEO e ex-diretor executivo da Lundin Oil, que mudou entretanto de nome, são acusados de "conivência" com crimes de guerra cometidos pelo Exército sudanês e milícias armadas aliadas do Governo contra civis.

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O ex-CEO e o ex-diretor executivo de uma petrolífera sueca começaram esta terça-feira a ser julgados no seu país. Os dois homens são acusados de conivência com crimes de guerra cometidos no Sudão entre 1999 e 2003, acusações que ambos rejeitam.

O Ministério Público diz que a petrolífera anteriormente conhecida como Lundin Oil, que mudou de nome várias vezes e que, em 2022, vendeu a maior parte das suas ações, pediu a Cartum que assegurasse o acesso a um potencial campo petrolífero no que é hoje o Sudão do Sul, sabendo que tal envolveria a expropriação de terrenos à força.

De acordo com os documentos de acusação aos dois homens, datados de 2021, a procuradoria sueca considera que esta ação fez com que os responsáveis da Lundin Oil fossem "coniventes" com crimes de guerra cometidos pelo Exército sudanês e milícias armadas aliadas do Governo contra civis.

Ian Lundin, o ex-diretor executivo da petrolífera, que se senta no banco dos réus com o ex-CEO Alex Schneiter, disse esta manhã que as acusações que ambos enfrentam são falsas.

"Estamos ansiosos por nos defendermos em tribunal", disse aos jornalistas à entrada do Tribunal Distrital de Estocolmo, citado pela agência de notícias sueca TT.

Segundo o calendário do tribunal, o caso só deverá estar concluído no início de 2026.

"O que constitui conivência no sentido criminal é o facto de terem feito estas exigências apesar de saberem, e serem indiferentes, às ações do Exército e da milícia por trás da guerra, de uma forma que é proibida pela lei humanitária internacional", indicou em 2021 o MP sueco.

Schneiter e a empresa petrolífera rejeitam desde então as acusações.

A procuradoria também pediu ao tribunal de Estocolmo que confisque 2,4 mil milhões de coroas suecas (cerca de 217 milhões de euros) à empresa, atualmente conhecida como Orron Energy, mais mil milhões de coroas suecas do que tinha exigido que fosse arrestado em 2021.

A petrolífera já fez saber que vai apresentar recurso contra esta exigência.

A Suécia abriu uma investigação a este caso em 2010 na sequência de um relatório da organização não-governamental holandesa PAX sobre as atividades da empresa sueca no Sudão.

O Sudão esteve em guerra contra o Sudão do Sul durante décadas, até este último ter conquistado a independência em 2011. O antigo Presidente sudanês, Omar al-Bashir, que governou o Sudão entre 1989 e 2019, é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio e outros crimes de guerra, acusações que o ex-líder rejeita.

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