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Autarca de Florença relaciona "caso David" com défice de educação

30 mar, 2023 - 00:38

Uma professora foi demitida depois de um dos pais ter protestado por os alunos de uma turma, com idades entre os 11 e os 12 anos, terem visto um homem nu sem censura.

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O autarca de Florença defende ser imperativo investir numa cultura baseada na "sabedoria e conhecimento" para evitar casos como o de uma professora que se demitiu por mostrar aos alunos a estátua de David, um nú de Michelangelo.

David Nardella acredita que a falta de educação em humanidades e um turismo entendido apenas como entretenimento levou a extremos como o que aconteceu com a diretora de uma escola na Florida, nos Estados Unidos, que foi obrigada a demitir-se por ter mostrado aos alunos uma imagem da famosa estátua de David, do artista renascentista Michelangelo.

"Pensar que o David é um símbolo de pornografia é a coisa mais estúpida que alguma vez ouvi. Ainda mais quando é um símbolo do renascimento e da beleza", disse o presidente da câmara numa conversa com a EFE a partir do Palazzo Vecchio, horas depois de ter falado com a professora.

O presidente da câmara estava em Nova Iorque para assistir a um evento das Nações Unidas quando soube "com estupefação" da demissão da professora, depois de um dos pais ter protestado por os alunos de uma turma, com idades entre os 11 e os 12 anos, terem visto um homem nu sem censura.

Trata-se da escultura concluída por Michelangelo em 1504 e que está em exposta na Galeria Accademia, em Florença, onde recebe quase dois milhões de visitantes por ano, havendo ainda uma réplica em exposição para transeuntes na Piazza della Signoria, em frente à câmara municipal.

David Nardella contou que teve "uma longa conversa" com a professora, tendo expressado "a solidariedade do povo de Florença" para com ela.

A câmara convidou a professora Hope Carrasquilla a visitar a cidade e prometeu entregar-lhe um prémio por ter "a coragem de não aceitar o ultimato que lhe foi dado e de se manter coerente com o seu compromisso de ensinar".

A notícia da demissão da professora, com repercussões em todo o mundo, deu grande publicidade a esta cidade italiana que já recebe milhões de turistas anualmente, um volume que não convence o presidente da câmara, que se declara desapontado com o turismo baseado no "consumismo" e no "divertimento".

"Deixa-me um pouco irritado os turistas que vêm a Florença por algumas horas, tiram fotografias e partem sem compreender o património da cidade", criticou.

No seu entender, "o turismo não deve ser apenas entretenimento", considerando ser imperativo investir numa cultura baseada na "sabedoria e conhecimento".

A cidade viveu recentemente outra afronta contra um dos seus monumentos, quando um grupo de ativistas ambientais pintou de laranja a fachada do Palazzo Vecchio durante um protesto em plena luz do dia.

"Nesta era de especialização corremos o risco de perder de vista os valores que têm estado na base da civilização moderna. E Florença é uma parte fundamental desse património mundial", advertiu o autarca.

"É por isso que penso que a história da arte deveria ser mais ensinada, especialmente a Renascença e não apenas na Europa", defendeu, avisando: "Se perdermos de vista a cultura, também falharemos em campos como a tecnologia, a economia e a física". .

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