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Enfermeira relata caos em Gaziantep. “O que tem feito mais falta é a água potável"

08 fev, 2023 - 07:53 • André Rodrigues

Amina Naham conta à Renascença o cenário que se vive numa cidade onde até o hospital corre o risco de colapsar.

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Na corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros, chegam de Gaziantep relatos que dão conta da escassez de bens essenciais.

“O que tem feito mais falta é a água potável, que foi cortada em todos os prédios”, conta à Renascença Amina Naham, uma enfermeira brasileira, que vive na cidade turca próxima da fronteira com a Síria onde se registou o epicentro do abalo sísmico.

Desde a madrugada de segunda-feira, as pessoas que conseguiram escapar ilesas invadiram as ruas da cidade, à procura de “um ou outro mercado aberto que tenha um pouco de água para comprar”.

O governo turco está a distribuir água em vários pontos, “mas, como são dez cidades que estão na mesma situação em simultâneo, e como as estradas também estão cortadas, o acesso a algumas cidades está comprometido”, acrescenta.

Amina Naham vive em Gaziantep, mas trabalha como enfermeira noutro local.

A impossibilidade de se deslocar para fora da cidade fê-la voluntariar-se para ajudar as equipas de resgate. Agora, está “à espera de ser notificada” e sai de casa com uma bolsa com material de primeiros socorros, “para avaliar a tensão arterial e para medir glicemia”.

Faz-se o que se pode na cidade onde até o hospital corre o risco de colapsar.

“Estão a retirar os doentes, porque o prédio está muito abalado”, conta.

E o medo é evidente. Amina conta à Renascença que, quando foi ao centro da cidade, caminhou durante quatro horas no frio e pelo meio da neve.

“Quem tem carro está com as suas famílias dentro dos carros, nas praças. As pessoas evitam ficar em casa. Eu e o meu marido estamos em casa. Mesmo assim, correndo risco de desabamento."

Nas horas que se seguem, chegam cada vez mais equipas vindas do exterior para retirar pessoas dos escombros de uma tragédia com um número ainda longe de estar fechado.

Ainda assim, Amina não perde a esperança: “já foram encontradas crianças e mulheres com vida. Eu não perco a esperança e acredito que possamos conseguir salvar mais pessoas e que as pessoas o mais rápido possível sejam salvas com vida”, remata.

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