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Oposição pede demissão de Presidente da Tunísia depois de "fracasso eleitoral"

18 dez, 2022 - 11:33 • Lusa

A afluência às urnas nas eleições deste sábado foi de apenas 8,8% e oposição considera Kais Said um presidente "ilegítimo", exigindo a demissão após umas eleições que consideram ser um "fiasco".

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A Frente de Salvação Nacional, coligação entre os principais partidos da oposição na Tunísia, exigiu a demissão do Presidente tunisino, considerando que a afluência de 8,8% nas eleições de sábado foi um “fracasso eleitoral”, noticia a Efe. “A partir deste momento, consideramos Said um Presidente ilegítimo e exigimos a sua demissão após este fiasco”, declarou sábado à noite o líder daquela coligação Ahmed Nejib Chebbi, adversário histórico de Ben Ali, citado pela agência de notícias espanhola.

A coligação de oposição ao Presidente Kais Said é composta pelo partido islamista Ennahda, a principal força política, o liberal Tunisian Heart, o democrata Al Amal (Hope), a ultra-nacionalista Coligação Al Karama e Tounes Al Irada, fundada pelo ex-presidente Moncef Marzouki.

A baixa afluência às urnas nas eleições convocadas pelo Presidente Kais Said, após este ter dissolvido o parlamento, põe em causa o mandato do chefe de Estado tunisino, que governa com plenos poderes desde 25 de julho de 2021.

Segundo a Efe, as eleições de sábado obedeceram a uma nova lei eleitoral, que substitui os partidos por listas de membros únicos, boicotada pela maioria dos partidos políticos, e por uma Constituição recentemente adotada que enfraquece o papel do parlamento. Também o líder do Partido Desturian Livre, Abir Moussim, apoiante do antigo regime, considerou ” vaga” a posição do Presidente tunisino e do Governo do primeiro-ministro Najla Buden dada a taxa de abstenção superior a 90% nas eleições.

“O partido reserva-se o direito de agir de acordo com os meios legalmente disponíveis para impor a implementação da vontade popular (…) que rejeita o sistema falhado e destrutivo de Kais Said”, declarou Moussi, citado pela Efe.

As eleições de sábado aconteceram doze anos depois da imolação de um jovem vendedor de rua, Mohammed Bouazizi, que é vista o como início da revolução que derrubou o ditador Zine el Abidine Ben Ali e fez da Tunísia o local de nascimento da chamada Primavera Árabe.

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