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Crise climática

Editorial propõe que produtores de combustíveis fósseis paguem "imposto extra"

15 nov, 2022 - 10:37 • Joana Azevedo Viana

Mais de 30 organizações de media de mais de 20 países propõem que dinheiro arrecadado com este imposto sobre lucros extraordinários seja distribuído pelos países mais pobres e vulneráveis às alterações climáticas.

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As grandes empresas produtoras de combustíveis fósseis devem pagar um "imposto extraordinário" para se financiar os países mais pobres e mais vulneráveis às alterações climáticas.

A proposta é feita num editorial conjunto coordenado pelo "The Guardian" e assinado por mais de 30 organizações jornalísticas de mais de 20 países, que foi publicado esta terça-feira, a poucos dias de terminar a 27.ª cimeira do clima da ONU (COP 27), a decorrer no Egito.

"A humanidade tem de acabar com o seu vício nos combustíveis fósseis. Os países ricos representam

Em setembro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já tinha defendido a aplicação de um imposto sobre os lucros extraordinários das gigantes dos combustíveis e a redistribuição desse dinheiro pelas nações em desenvolvimento.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia e face à consequente crise energética instalada no continente europeu, os lucros das grandes empresas que exploram e comercializam combustíveis fósseis subiram em flecha. Só nos primeiros três meses de 2022, as gigantes do petróleo e do gás fizeram 100 mil milhões de dólares.

Há consenso entre os analistas de que qualquer proposta de sucesso que venha a ser alcançada na COP 27 depende, em larga medida, de um rápido e abrangente financiamento das nações mais pobres e vulneráveis, para as capacitar no combate às alterações climáticas.

"As alterações climáticas são um problema global que exige cooperação entre todas as nações", indicam os subscritores do editorial hoje publicado. Contudo, é sublinhado, sem financiamento adequado, não existe uma relação de confiança entre o Norte global e o Sul.

"Não há tempo para apatia nem complacência; a urgência deste momento pesa sobre nós", indicam os jornais.

A diretora do "Guardian", Katharine Viner, foi quem coordenou a iniciativa, falando num "editorial ambicioso" que coincide com uma importante e difícil cimeira mundial pelo clima.

"Com a COP 27 a decorrer no Egito, queríamos publicar um editorial ambicioso que destacasse a força do que várias organizações de media diferentes, e os nossos leitores, sentem sobre a crise climática. Este editorial conjunto é uma demonstração poderosa de como organizações de media em todo o mundo podem juntar-se e colaborar em nome do interesse público."

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  • Parvoíce
    15 nov, 2022 Pegada 15:52
    Não sejam parvos! Quem vai pagar esse imposto são os consumidores, quando as grandes empresas fizerem refletir esse imposto sobre os preços ao consumidor.

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