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Crise climática

Guterres pede "pacto histórico" contra alterações climáticas. Sem ele "estamos condenados"

04 nov, 2022 - 14:24 • Joana Azevedo Viana

Secretário-geral da ONU pede pacto entre nações ricas e economias emergentes, a dois dias de arrancar a Cop27, cimeira do clima da ONU que se antecipa a mais difícil em pelo menos uma década.

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Na véspera daquela que é antevista como a cimeira do clima da ONU mais difícil em pelo menos uma década, António Guterres avisa que não vamos conseguir fazer frente à emergência climática se não for alcançado um "pacto histórico" entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Numa entrevista exclusiva ao "Guardian" esta sexta-feira, o secretário-geral da ONU diz que os países ricos devem assinar um "pacto histórico" com os mais pobres para combater as alterações climáticas, caso contrário "estamos condenados".

O aviso de Guterres surge a dois dias do arranque da Cop27, no próximo domingo, em Sharm el-Sheikh, no Egito, cimeira do clima da ONU que, segundo o ministro egípcio da Energia, anfitrião do evento, será "a mais difícil em pelo menos uma década".

A Cop27 acontece numa altura de profundas e crescentes tensões geopolíticas, no contexto da invasão russa da Ucrânia, de inflação galopante e da ameaça de recessão global.

Essas tensões e clivagens, defende contudo Guterres, não devem impedir a criação de uma ponte entre mais ricos e mais pobres no combate às alterações climáticas, sob pena de ser tarde demais.

"Não haverá maneira de evitarmos uma situação catastrófica se os dois [mundos, desenvolvido e em desenvolvimento] não forem capazes de estabelecer um pacto histórico. Porque neste momento estamos condenados."

A desigualdade climática gritante entre o mundo rico, responsável por grande parte das emissões poluentes, e o pobre, que está já a sentir diretamente os impactos do aquecimento global, tem de ser o foco e o centro da Cop27, defende Guterres na mesma entrevista.

"As políticas atuais [sobre o clima] serão absolutamente catastróficas. E a verdade é que não vamos ser capazes de alterar a situação se não for alcançado um pacto entre os países desenvolvidos e as economias emergentes."

Os países desenvolvidos, com os EUA e China à cabeça, continuam a falhar o objetivo de reduzir as emissões de gases nocivos o mais rápido possível, para limitar o aquecimento do planeta a 1,5 ºC como definido no Acordo do Clima assinado em Paris em 2015.

O mesmo conjunto de países também tem falhado em garantir apoio financeiro às nações mais pobres para lidarem com os efeitos das alterações climáticas no terreno, na forma de fenómenos meteorológicos cada vez mais extremos.

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