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O que é e o que faz o sistema Pegasus?

03 mai, 2022 - 08:33 • Anabela Góis

Apesar de o NSO Group desmentir, uma investigação do jornal Washington Post admite que o Pegasus terá espiado mais de 50 mil números de telefone de todo o mundo.

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Os telemóveis do primeiro-ministro de Espanha e da ministra da Defesa foram alvo de escutas ilícitas e externas através do software de espionagem israelita Pegasus. As escutas foram realizadas em maio de 2021 e junho de 2021.

Os dados foram já remetidos à justiça para investigação.

Como é que surgiu o Pegasus?

Tem origem israelita. É uma aplicação dedicada à espionagem. Segundo os seus criadores, é extremamente eficaz e tem sido vendida para utilização pelos governos para prevenir ataques e desmantelar grupos de pedofilia ou de tráfico de droga, por exemplo, mas como se imagina, facilmente cai em mãos pouco recomendáveis.

O programa foi desenvolvido pela empresa NSO Group, e é considerado um dos mais sofisticados no mundo da ciberespionagem. E como a sofisticação também se paga, de acordo com o New York Times, em 2016 a empresa pedia 500 mil dólares apenas para instalar o software.

Como funciona?

É um tipo de aplicação geralmente conhecido como Spyware: instala-se no telemóvel através de uma ligação e tira partido das vulnerabilidades do sistema operativo. Na prática, funciona como um controlo remoto. Através do Pegasus o atacante pode comandar o telemóvel à distância, o que significa que tem acesso a tudo o que lá está, pode ler as mensagens de texto e do WhatsApp, ver as chamadas e fotografias, obter palavras-passe, ou localizar o dispositivo por GPS, tudo isto de forma anónima sem que o dono do aparelho se aperceba que está a ser espiado.

Como é que chegaram ao telefone do primeiro-ministro espanhol e como o infetaram?

Essa é uma grande questão. Esta aplicação tem sido um verdadeiro quebra-cabeças para governos, serviços de inteligência e até para a Apple e para a Google, exatamente porque se trata de um software bastante secreto, o seu funcionamento preciso não é conhecido.

O que se sabe é que todos os sistemas operativos têm falhas. Não há nenhum perfeito e inviolável e o que este programa faz é usar essas vulnerabilidades para contornar as medidas de segurança. Desconhece-se a forma exata como infecta os telemóveis, mas se precisa da interação da vítima ela pode ser conseguida através de ligações enviadas por mensagens.

Há outros casos conhecidos?

Não faltam casos. Desde 2016 que tem havido relatos de ataques a diferentes personalidades publicas.

Pedro Sanchez e Margarita Robles são apenas os últimos de uma lista que inclui, por exemplo, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, a quem foram roubadas fotos íntimas com a atual namorada quando ainda era casado, também Emmanuel Macron, o Presidente francês, e Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, membros da oposição em Espanha, separatistas da Catalunha, muitos jornalistas, entre os quais Jamal Khashoggi, o colunista saudita que foi assassinado, e defensores dos Direitos Humanos.

Apesar de o NSO Group desmentir, uma investigação do Washington Post admite que o Pegasus terá espiado mais de 50 mil números de telefone de todo o mundo.

Também podemos estar a ser espiados? Como é que sabemos?

Habitualmente este tipo de spyware, até porque é muito caro e sofisticado, é usado para espiar pessoas com um elevado perfil político ou social. Há uma aplicação, desenvolvida pela Amnistia Internacional, para fazer a verificação. Chama-se Mobile Verification Toolkit e é gratuita.

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