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África do Sul

Morreu Frederik de Klerk, o último presidente do apartheid

11 nov, 2021 - 10:41 • Cristina Nascimento com Lusa

Partilhou o Prémio Nobel da Paz, em 1993, com Nelson Mandela, seu sucessor na presidência do país.

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Morreu Frederik de Klerk, o último presidente branco da África do Sul. A notícia está a ser avançada pela imprensa nacional, que cita o porta-voz da fundação do antigo chefe de Estado.

"O antigo presidente morreu, esta manhã, em sua casa em Fresnaye após uma luta contra o cancro. Tinha 85 anos. Ele deixa a sua mulher Elita, dois filhos Susan e Jan e seus netos", acrescenta o porta-voz, Dave Steward.

De Klerk estava doente deste março de 2021 e a sua doença foi tornada pública em junho.

A presidência sul africana deve adiantar a qualquer momento pormenores sobre as cerimónias fúnebres.

Foi de Klerk, que partilhou o Prémio Nobel da Paz com Nelson Mandela, que, num discurso proferido no parlamento da África do Sul no dia 2 de fevereiro de 1990, anunciou que aquele que viria a ser o primeiro Presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, seria libertado da prisão após 27 anos de cativeiro.

O anúncio eletrizou na altura o país, que durante décadas tinha vinha ser desprezado e sancionado por grande parte da comunidade internacional pelo seu brutal sistema de discriminação racial conhecido como apartheid.

Com o aprofundamento do isolamento da África do Sul e a sua economia outrora sólida a deteriorar-se, de Klerk, que tinha sido eleito presidente apenas cinco meses antes, anunciou também no mesmo discurso o levantamento da proibição do Congresso Nacional Africano (ANC) e de outros grupos políticos anti-apartheid.

Vários membros do parlamento abandonaram nesse dia a câmara enquanto o Presidente discursava.

Nove dias mais tarde, Mandela saiu em liberdade e quatro anos depois seria eleito o primeiro Presidente negro do país, em resultado dos negros terem pela primeira vez exercido o direito de voto.

De Klerk e Mandela receberam o Prémio Nobel da Paz em 1993 pela sua cooperação, muitas vezes intensa, no processo de afastamento da África do Sul do racismo institucionalizado e em direção à democracia.


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