Tempo
|
A+ / A-

Embaixador na ONU diz que Guterres preveniu conflitos iminentes num período de muitos atritos

05 out, 2021 - 08:26

Foi há precisamente cinco anos que António Guterres foi nomeado para secretário-geral das Nações Unidas.

A+ / A-

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, preveniu a deflagração de "conflitos iminentes" nos últimos cinco anos, quando os "atritos" geopolíticos subiram de nível, considerou à agência Lusa o representante permanente de Portugal junto da ONU.

A propósito do quinto aniversário da eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU, data que se assinala esta terça-feira, Francisco Duarte Lopes considerou à agência Lusa que "os focos de atrito de natureza geoestratégica e os conflitos em várias áreas do mundo têm vindo a subir".

"Julgo que este mandato é marcado pela ação do secretário-geral como ação lúcida, de contactos permanentes com todas as partes, e também pelo seu envolvimento pessoal especialmente na área da prevenção, procurando evitar a deflagração de mais conflitos, alguns conflitos que estão iminentes", disse o representante permanente de Portugal junto da ONU.

A 5 de outubro de 2016, o Conselho de Segurança chegou a acordo sobre o nome a recomendar à Assembleia Geral da ONU para secretário-geral, com 13 votos a favor de António Guterres e duas abstenções.

No dia seguinte, a recomendação do Conselho de Segurança seguiu para a Assembleia dos 193 Estados-membros, que a 13 de outubro anunciou António Guterres como próximo secretário-geral.

António Guterres realizou o seu primeiro mandato de 1 de janeiro de 2017 até junho último, altura em que foi reeleito, reconduzido ao cargo e iniciou o segundo mandato como chefe máximo da organização.

Para Portugal, a eleição foi "muito importante", sublinhou Francisco Duarte Lopes, porque foi o reconhecimento oficial por parte do Conselho de Segurança "de que o engenheiro Guterres era um ótimo candidato".

Como alguns dos pontos mais importantes dos últimos quatro anos e meio, Francisco Duarte Lopes referiu as propostas de reformas apresentadas por Guterres nas áreas de gestão, paz e segurança e de desenvolvimento, que "em traços gerais, mereceram a aceitação de todos os Estados-membros" e que possibilitaram às Nações Unidas resultados de "maior eficiência" em cada país.

Segundo o embaixador português, Guterres incitou e defendeu que "toda a ação do universo das Nações Unidas", incluindo de todos os programas, agências e fundos da ONU, "possa incluir transversalmente o cumprimento dos direitos humanos e avanços claros na área de direitos humanos", com um "Call to Action" (Apelo à Ação), no ano passado.

No contexto da pandemia de Covid-19, o secretário-geral apelou a um cessar-fogo global e defendeu a distribuição equitativa das vacinas "como um bem público global" em todo o mundo, afirmando, nas palavras de Francisco Duarte Lopes, "a liderança e a rapidez de respostas".

A "centralidade" da agenda climática no mandato de António Guterres é também de destaque, visivelmente na aplicação do Acordo de Paris sobre o clima e no envolvimento pessoal nas conferências relacionadas, incluindo na Conferência COP26 que se realiza em Glasgow de 31 de outubro a 12 de novembro.

"Especialmente em termos de equilíbrio de género", acrescentou o representante permanente, "os avanços foram conseguidos em todo o secretariado das Nações Unidas", levando a um equilíbrio "muito visível" dos funcionários de sexo masculino e feminino "no conjunto dos lugares mais seniores" no sistema da ONU.

Questionado sobre a possibilidade de ter o português como língua oficial da ONU, Francisco Duarte Lopes respondeu que se trata de um objetivo de "longo prazo".

"De facto, o secretário-geral ser português dá naturalmente uma maior visibilidade" à língua, como acontece também quando há oficiais de países lusófonos a ocupar lugares de relevo, defendeu o representante permanente.

"O que nós temos feito é dar passos para que um dia, surgindo essa oportunidade, a possamos aproveitar", disse.

"É de facto um objetivo no longo prazo e nós, neste momento, o que podemos fazer é ir colocando o português nas várias organizações regionais, ir colocando o português em várias agências das Nações Unidas, para que um dia a importância global do português justifique que também se torne numa das línguas oficiais da Organização", declarou Francisco Duarte Lopes.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+