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Moçambique. Durante ataque fugiram dos sons dos tiros, “era como o fim do mundo”

02 jul, 2020 - 08:33 • Lusa

Organização Médicos Sem Fronteiras recebeu relatos que apontam para 15 civis mortos em Macomia, no mês de maio.

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O ataque armado de rebeldes a Macomia, uma das principais vilas do norte de Moçambique, no final de maio, pode ter feito, pelo menos, 15 mortos entre a população civil, anunciou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"Após o ataque de 28 de maio, nenhum relatório oficial forneceu o número de vítimas civis e feridos", notou a organização, que disse ter recebido "relatos não verificados de, pelo menos, 15 mortos, incluindo várias crianças, algumas devido à fome, enquanto se escondiam no mato por dias para escapar dos combates".

Os dados fazem parte de um relato publicado no portal da organização não-governamental MSF na terça-feira por pessoal que teve de fugir para o mato quando começaram os disparos em mais uma incursão de grupos rebeldes que aterrorizam a província de Cabo Delgado.

"Éramos pelo menos mil pessoas, todas a fugir dos sons dos tiros. Era como o fim do mundo", descreveu um dos membros da equipa.

“Vi uma mulher com um bebé a tentar descer um terreno. Como não conseguia, pousou-o para saltar. Nesse momento, começaram disparos de armas pesadas nas proximidades. A mulher gritava por socorro, a pedir que alguém lhe passasse o bebé, mas não havia ninguém para ajudá-la", lê-se noutra descrição.

Na sequência da batalha que seguiu para recuperarem o controlo de Macomia, as forças de defesa de segurança do país anunciaram na altura ter abatido 78 insurgentes, entre os quais dois cabecilhas.

Após contínuos ataques violentos, a MSF suspendeu as atividades em Macomia no início deste mês e já tinham paralisado também a operação em Mocímboa da Praia, outra importante vila.

A organização continua a trabalhar na província de Cabo Delgado, onde apoia o Centro de Tratamento da Cólera em Metuge, perto da capital provincial, Pemba. "As nossas equipes estão a avaliar atividades futuras para apoiar a resposta das autoridades locais, à medida que a população de deslocados internos continua a crescer em Pemba e nos arredores", concluiu.

A violência armada dos últimos dois anos e meio já terá provocado a morte de, pelo menos, 700 pessoas e uma crise humanitária que afeta cerca de 211.000 residentes, levando as Nações Unidas a lançar, no início de junho, um apelo de 35 milhões de dólares (30 milhões de euros) à comunidade internacional para um Plano de Resposta Rápida para Cabo Delgado para ser aplicado de maio a dezembro.

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