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Holocausto

Auschwitz libertado há 75 anos. Governo recorda vítimas do regime nazi, incluindo "centenas de portugueses"

27 jan, 2020 - 15:27 • Liliana Monteiro com Lusa

"É preciso que a memória continue viva e que saibamos não cometer o erro que cometemos nos anos 30", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em visita ao campo de concentração onde a Alemanha nazi exterminou mais de um milhão de pessoas.

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"Um facto que é muito pouco conhecido em Portugal é que também há portugueses vítimas de Auschwitz." Assim lembrou esta segunda-feira Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, durante uma visita ao campo de concentração nazi de Auschwitz-Bierkenau, localizado na Polónia, que foi libertado há precisamente 75 anos.

"Conhecemos a identidade de pelo menos quatro cidadãos de nacionalidade portuguesa que foram deportados e internados em Auschwitz - infelizmente três morreram, um sobreviveu", declarou o chefe da diplomacia portuguesa aos jornalistas. "A investigação histórica recente tem mostrado que há dezenas de portugueses que foram vítimas do universo concentracionário nazi e se a essas dezenas somarmos também aqueles que pereceram em campos de trabalhos forçados, como Mauthausen, ou em campos de prisioneiros de guerra, o número sobe à centenas. É muito importante homenagear esses portugueses, homenageando ao mesmo tempo aqueles outros portugueses que contribuíram para salvar milhares de vidas da perseguição nazi: Aristides de Sousa Mendes, evidentemente, mas também o padre Joaquim Carreira, os diplomatas Garrido Sampaio e Teixeira Branquinho..."

Antes da sua viagem à Polónia para participar nas comemorações do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que Santos Silva tutela assinalou, em comunicado, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, recordando o dia em que o "símbolo máximo da barbárie humana" foi "libertado pelas tropas aliadas".

"É preciso que a memória continue viva e que saibamos não cometer o erro que cometemos nos anos 30", reforçou o ministro esta manhã a partir da Polónia. "Nos anos 30, nós, os europeus, despertámos tarde para a ira nazi, fascista, racista. É muito importante que não tornemos a cometer esse erro, que saibamos contrariar a tempo o antissemitismo - que em vários países está outra vez a recrudescer - e todas as forma de intolerância, de xenofobia, de desumanização ou de negação da dignidade humana seja de quem for."

No comunicado enviado às redações, o Governo português refere que, “neste dia, evocamos todas as vítimas do Holocausto e da ideologia nazi" e "relembramos não apenas as vidas dos milhões de judeus, mas as de todos aqueles que, pelas suas origens, crenças, orientação sexual, condições físicas e opções políticas foram perseguidos, e os milhões de prisioneiros de guerra mortos pela fome, pela doença, pelo trabalho forçado”.

Na nota, o Governo português também homenageia a memória de todos aqueles que tiveram “a coragem de escolher fazer o que estava certo, independentemente das consequências”.

“Entre nós, figuram Aristides de Sousa Mendes e os também diplomatas Carlos Garrido Sampaio e Alberto Teixeira Branquinho e o Padre Joaquim Carreira”, destaca o documento.

Segundo a nota do MNE, manter viva a memória do Holocausto, defendendo os valores da nossa sociedade democrática, liberal e inclusiva, é fundamental para que não se esqueçam os perigos que advêm da intolerância, do ódio, da xenofobia, do racismo, do antissemitismo e da discriminação.

“Em 2019, Portugal tornou-se membro da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, reforçando o seu compromisso de promoção da educação das novas gerações sobre este tenebroso período. Educar é a melhor forma de prevenção e, também, de homenagem”, refere o comunicado.

Segundo o documento, “recordar este período negro da História da Humanidade e assegurar que se não repete é, mais do que nunca, um imperativo”.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, participa hoje na cerimónia do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz, que decorre no antigo campo de concentração.

Dignitários de cerca de 50 países estão presentes, como os Presidentes da Áustria, Alemanha, Irlanda e Israel ou os primeiros-ministros da Bulgária, Croácia, França, Grécia, Hungria e República Checa.

As comemorações deste 75.º aniversário incluem vários eventos organizados pelo museu, entre os quais os ensaios fotográficos “Auschwitz - O Campo da Morte” e “Auschwitz - Retratos de Sobreviventes”.

Mais de um milhão de pessoas foram mortas no que foi considerado o pior campo de extermínio criado pelo regime nazi, libertado a 27 de janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho soviético.

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