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Ciência

Como evolui um embrião célula a célula? Essa é a Descoberta do Ano

21 dez, 2018 - 10:05 • Marta Grosso , com revista Science e agências

Uma combinação de tecnologias permite acompanhar, com impressionante detalhe, o desenvolvimento dos órgãos e dos organismos ao longo do tempo, revela a revista “Science”.

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Tal como uma partitura indica quando cordas, metais, percussão e instrumentos de sopro tocam para criar uma sinfonia, uma combinação de tecnologias consegue agora revelar quando os genes em células individuais são ligados, estimulando as células a tocar suas partes especializadas.

O resultado é a capacidade de rastrear o desenvolvimento de organismos e órgãos com um detalhe impressionante, célula a célula e ao longo do tempo.

A revista “Science” reconhece, por isso, esta combinação de tecnologias, e o seu potencial para estimular avanços na investigação científica e na medicina, como a Revelação do Ano de 2018.

Nos últimos anos, têm sido feitos avanços em técnicas de sequenciamento do RNA (ácido ribonucleico, um tipo de código genético) em células individuais, que forneceram informações importantes aos cientistas sobre como elas se “especializam” em determinadas funções, dando origem a órgãos ou outros tecidos específicos.

O RNA pode assim indicar quais genes estão ativos em cada célula ao longo do desenvolvimento embrionário ou na formação destes tecidos, permitindo aos investigadores observar quando e como problemas na atividade dos genes podem levar ao surgimento de doenças ou como são desencadeados processos de regeneração.

Nos últimos anos, a combinação de técnicas conhecida como “single-cell RNA-seq” evoluiu e, no ano passado, deu um passo fulcral quando dois grupos mostraram que tal poderia ser feito a uma escala grande o suficiente que abrangesse o desenvolvimento embrionário.

Na frente dos mais recentes avanços científicos estão, assim, técnicas que conseguem isolar milhares de células intactas de organismos vivos, detetar com eficiência a sequência do material genético de cada célula e reconstruir as suas relações no tempo e no espaço.

Esta técnica “vai transformar a próxima década na investigação”, afirma o biólogo de sistemas Nikolaus Rajewsky, do Centro Max Delbrück para a Medicina Molecular, em Berlim.

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