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Duterte desafia Obama e Ban Ki-moon com convite para encontro nas Filipinas

22 set, 2016 - 15:57

A política filipina de “atirar a matar” soma três mil mortes, entre traficantes e consumidores de droga. A Igreja já veio a público contestar esta prática extrajudicial.

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O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, convidou, esta quinta-feira, Barack Obama e Ban Ki-moon para um encontro, após a sua política de erradicação de tráfego de droga e crimes ter sido criticada pelos dois líderes.

Enquanto formulava o convite, Rodrigo Duterte aproveitou para insultar, mais uma vez, o secretário-geral das Nações Unidas.

“Vou escrever uma carta a convidá-los para uma investigação, com direito a serem ouvidos e a ouvir-me”, anunciou o líder filipino, defendendo que a sua acção é a única capaz de eliminar o intenso tráfego de droga que existe no país e estabelecer a segurança nas ruas.

Duterte terminou o discurso afirmando que combate apenas os “demónios” do mundo do crime e do narcotráfico.

Rodrigo Duterte tinha encontro marcado com Obama e Ban Ki-moon no início deste mês, mas o Presidente norte-americano cancelou a viagem, depois de ter sido insultado publicamente pelo presidente filipino. Ban Ki-moon, que também foi convidado para o mesmo encontro, não compareceu, alegando ”incompatibilidade das agendas”.

“Muitos ainda vão ser mortos até que o último traficante desapareça das ruas”

A política de “atirar a matar”, que, curiosamente, foi uma das promessas que levou Duterte ao poder, está a chocar os defensores dos direitos humanos. Somam-se três mil mortes desde que esta política foi posta em prática, segundo a Reuters.

A erradicação extrajudicial implica o assassinato de todos os suspeitos de tráfego e consumo de droga, sem direito a julgamento. Os corpos são largados em locais abandonados com as mãos atadas e com fita adesiva na boca.

“Muitos ainda vão ser mortos até que o último traficante desapareça das ruas. Até que o último fabricante de drogas seja morto, nós vamos continuar”, declarou o presidente filipino antes de partir para a Cimeira dos Lideres dos Países da Ásia Pacífico. Conhecido antes de ser eleito como o “castigador”, Duterte chegou a pedir à população filipina que "se conhecerem alguns toxicodependentes, vão em frente e matem-nos vocês mesmos pois desafiar os pais a fazê-lo seria demasiado doloroso".

Uma “guerra” contra os princípios da Igreja

As justificações proferidas por Duterte não convencem a Igreja, que já veio a público demonstrar a sua reprovação. “A humanidade em mim está de luto por causa dos seres humanos que não se importam de matar criminosos, pensando que os seus assassinatos irão diminuir o mal no mundo. Choro pelo assassino e pelo assassinado. Tornamo-nos menos humanos quando matamos os nossos irmãos”, declarou o presidente da Conferência Episcopal das Filipinas, Socrates Villegas.

Rodrigo Duterte chegou também a insultar o papa Francisco por ter ficado preso no trânsito, aquando de uma visita papal a Manila.

Em Agosto, em resposta ao apelo do estado islâmico ao reforço do grupo islamita Abu Sayyaf nas Filipinas, Duterte afirmou: ”Tudo o que eles fazem, eu posso fazer dez vezes pior. Aposto nisso a minha honra, a vida e até a presidência”.

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