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Miao Deshun, o último preso dos protestos em Tiananmen, vai ser libertado

03 mai, 2016 - 09:37

Operário fabril é libertado aos 51 anos, após 27 anos de prisão. O regime condenou-o à pena de morte, mais tarde foi comutada em prisão perpétua e depois reduzida por três vezes.

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O último preso relacionado com os protestos pró-democracia na praça de Tiananmen, em 1989, será libertado em Outubro deste ano, depois de as autoridades chinesas terem reduzido a pena aplicada em 11 meses.

Num comunicado, a organização Dui Hua sediada nos EUA, que defende os direitos dos presos na China, confirmou que Miao Deshun, de 51 anos, será libertado da prisão de Yanqing, em Pequim, a 15 de Outubro, após mais de 27 anos na prisão.

"Recebemos esta notícia com alegria e esperamos que [Miao] receba os cuidados que necessita para voltar à sua vida normal, depois de ter passado mais de metade desta atrás das grades", frisou a organização.

Em 1989, Miao Deshun, um operário fabril, foi detido com outros quatro amigos na noite de 4 de Junho, pouco depois de o exército chinês ter irrompido com tanques nas ruas de Pequim e de ter acabado, com recurso à força, com quase sete semanas de protestos pró-democracia.

A detenção aconteceu depois de "centenas ou milhares", segundo algumas fontes, de estudantes e de trabalhadores em greve terem morrido no massacre de Tiananmen, onde protestavam a favor de reformas democráticas no regime e contra a corrupção.

Foi condenado à morte e depois a prepétua

Após participar de confrontos com o exército, o jovem foi acusado de "fogo posto", por ter alegadamente arremessado um contentor contra um blindado em chamas.

Com base nesta acusação, o regime chinês condenou Miao Deshun à pena de morte, mais tarde comutada em prisão perpétua. Desde então, os tribunais reduziram a pena por três ocasiões.

Na altura, muitos acusados foram condenados à pena capital ou à prisão perpétua, mas as autoridades chinesas acabaram por substituir algumas destas sentenças com penas menores.

Ao longo dos anos, milhares de presos acabaram por ser libertados, de acordo com os dados das organizações de defesa dos direitos humanos.

No conjunto, menos de 100 pessoas acabaram por ser executadas, segundo diversas fontes.

O estado de saúde de Miao pode ser uma das razões que motivou a redução da pena. Segundo a Dui Hua, o homem terá contraído Hepatite B na prisão e sofre agora de esquizofrenia.

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