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Subida dos juros

Costa. "Não tem havido compreensão suficiente do BCE sobre a natureza da inflação"

29 jun, 2023 - 13:22 • Lusa

O primeiro-ministro diz que a subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu não tem em conta os setores que têm alimentado a tensão inflacionista e espera um alívio da inflação a partir de setembro.

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O primeiro-ministro, António Costa, disse esta quinta-feira que "não tem havido compreensão suficiente" do Banco Central Europeu (BCE) sobre a natureza do ciclo inflacionista, quando se fala em novas subidas das taxas de juro, esperando alívio a partir de setembro.

"O BCE é soberano na definição da política monetária. Acho que não tem havido a suficiente compreensão por parte do BCE da natureza específica do ciclo inflacionista que temos estado a viver e também não tem em devida conta os setores que têm alimentado esta tensão inflacionista", declarou o chefe de Governo.

Falando à imprensa portuguesa em Bruxelas à entrada para o Conselho Europeu, António Costa apontou que "hoje é mais ou menos claro que sobretudo o aumento dos lucros extraordinários têm contribuído mais para a manutenção da inflação do que as subidas salariais".

"Não compreender a natureza específica deste ciclo inflacionista limita muito a capacidade de o enfrentar porque se não acertamos bem no diagnóstico a terapia rapidamente acerta", salientou.

Depois de o governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, ter dito na quarta-feira que as taxas Euribor vão continuar a subir até setembro (12 meses) e novembro (3 e 6 meses), antecipando que a partir destas datas comecem a cair lentamente, António Costa disse esperar um alívio a partir desta data.

"Esperemos que, como o governador do BdP ontem [quarta-feira] anunciou, a partir de setembro possamos começar a retomar uma trajetória de política monetária mais adequada àquilo que é fundamental, que é salvaguardar as condições de vida das famílias, a capacidade de as empresas investirem e de a economia continuar a crescer, e de gerar emprego que gerem salários melhores", concluiu o primeiro-ministro português.

Esta entrevista aconteceu no mesmo dia em que em Sintra, num debate no Fórum do BCE, os governadores dos bancos centrais europeu, inglês, japonês e o presidente da Fed, dos EUA, alertaram para a persistência da inflação, dando indicação de potenciais novas subidas de juro.

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  • Sara
    29 jun, 2023 Lisboa 22:00
    Costa tem de mostrar uns gráficos à lagardé, em Portugal metade das pessoas que trabalham ganham o ordenado mínimo ou seja se for um casal um dos ordenados vai para pagar a casa, tem pagar a saúde, não há sns, tem de comprar menos no supermercado, tem que dormir menos para ter a certeza que vai chegar ao trabalho greves e tais e claro a imensidão de impostos, portanto a maioria dos portugueses é pobre apenas sobrevive, será que ela pensa que Portugal é um país que a maioria minoria não trabalha e vive as custas de ajudas?há pessoas que ainda trabalham em Portugal e os poucos que trabalham tem de levar tudo isto para à frente, pagar guerras, minorias e ordenados e pensões chorudas a todos os activos e passivos do governo
  • Anastácio José Marti
    29 jun, 2023 Lisboa 14:22
    È curiosa a afirmação do Primeiro Ministro, como se ele e o seu governo tivessem sido diferentes do BCE. Como compreender, justificar e aceitar que em sete anos, continue sem baixar os impostos diretos do trabalho, continue a impor aumentos abaixo da taxa de inflação, seja para trabalhadores seja para pensionistas, e quando nos impõe algum aumento, fá-lo sempre com base na percentagem, o que nunca terá equidade alguma nesses aumentos, pois quem ganha muito muito leva e quem ganha pouco, pouco ou nada leva, aumentando assim as disparidades entre ricos e pobres, ano após ano, como se o preço de uma carcaça, não fosse o mesmo para um rico e para um pobre. Quando um politico e o seu governo impõe estas desgraças económicas á população, o que pode esperar esta população de um governo que finge governar e que nunca mostrou, sensibilidade, preocupação ou empenho em permitir aos portugueses uma melhor vida e mais sadável com outro poder de compra que os portugueses nunca tiveram?
  • JOHN DOE
    29 jun, 2023 NEW JERSEY 14:19
    A ignorância em Portugal, dos 50% que ainda votam, e ainda mantêm esta "Democracia" (de facto, muito menos, pois, deveria excluir os votantes que dependem de Partidos para viver..., pois, de outro modo, não o conseguiriam..) é imensa: como é que António Costa se arroga o direito de aconselhar/repreender o BCE sobre as razões que estão base da atual inflação ? Mário Centeno, publicamente, declarou o obvio, ou seja, cerca de 2/3 da inflação deveram-se ao aumento brutal da especulação. Queiramos, ou não, vivemos num sistema capitalista ; e esta realidade é incompatível, em termos de desenvolvimento económico, com uma realidade de um país, como Portugal, onde o Estado pesa mais de 50% no PIB ; ou seja, o Estado não tem poder para mandar uma empresa privada aumentar salários. O que deviam ter feito, era tributar os chamados lucros extraordinários (derivados da especulação..), e não o fizeram. Portugal é um país com uma produtividade baixíssima, cerca de metade da média da CEE. Não se pode distribuir riqueza, quando a mesma não é criada : o que anda a fazer é empurrar , cada vez mais, para o futuro, as reformas de fundo que deveriam fazer.
  • Joaquim Correto
    29 jun, 2023 Paços 13:43
    Compreensão de quê? Da inflação estar alta e das consequentes manifestações e greves por causa das condições salariais? Tu e o presidente da república se fizessem o vosso trabalho para controlar a inflação e se tivessem juizinho, estavam mas é caladinhos acerca disto!
  • Americo
    29 jun, 2023 Leiria 12:52
    "Esperemos que, como o governador do BdP ontem [quarta-feira] anunciou, a partir de setembro possamos começar a retomar uma trajetória de política monetária mais adequada àquilo que é fundamental, que é salvaguardar as condições de vida das famílias, a capacidade de as empresas investirem e de a economia continuar a crescer, e de gerar emprego que gerem salários melhores", concluiu o primeiro-ministro português." - Tal um, tal outro. Estes srs., sempre "negaram" que haveria inflação. Acreditar neles ? Eu não. Quem está a lucrar de imediato com a inflação é o governo. São, cerca oito milhões/dia. AGUENTEM...........diz Costa.

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