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Guerra na Ucrânia

Gazprom reduziu exportações de gás para quase metade em 2022

02 jan, 2023 - 15:15 • Sandra Afonso

Como reação às sanções económicas impostas pelo Ocidente depois da invasão da Ucrânia. Moscovo acabou por cortar severamente as exportações para a União Europeia.

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Em 2022, a empresa estatal russa Gazprom reduziu para quase metade as suas exportações de gás.

De acordo com dados avançados esta segunda-feira pela empresa, as vendas para os países fora do antigo bloco soviético, sobretudo europa, caíram 45%.

Foram embarcados 100.900 milhões de metros cúbicos de gás em 2022, o que compacta com os 185.100 milhões exportados um ano antes para os mesmos países.

Como reação às sanções económicas impostas pelo Ocidente depois da invasão da Ucrânia. Moscovo acabou por cortar severamente as exportações de hidrocarbonetos para a União Europeia.

A agravar a situação esteve ainda o preço. No início de dezembro a União Europeia, os países do G7 e a Austrália acordaram limitar o preço das exportações de petróleo da Rússia a 60 dólares o barril, para conter as receitas de Putin.

A medida fechou ainda mais a torneira do fornecedor. Moscovo anunciou que a partir de 1 de fevereiro proibia a venda de petróleo a países estrangeiros que limitem o preço.

A Europa está a reduzir o consumo de energia, através da aplicação de várias medidas internas, e tem procurado diversificar as fontes de fornecimento junto de mercados alternativos, como os Estados Unidos.

Gazprom cortou produção e aumentou vendas para China

A energética russa também se está a adaptar às novas condições de mercado. Segundo dados avançados pela agência Efe, a Gazprom produziu 394.100 milhões de metros cúbicos de gás, até 15 de dezembro de 2022, o que representa uma queda de 19,6%, face ao mesmo período de 2021.

Mesmo a produzir menos, nem tudo terá sido vendido. Várias notícias no último ano deram conta de que a Gazprom terá sido forçada a queimar milhares de metros cúbicos de gás, por incapacidade de armazenamento e venda.

Segundo o comunicado agora divulgado, a China está a ser uma alternativa à Europa. As exportações têm aumentado, através do gasoduto "Power of Siberia" e de um contrato de longo prazo com a China National Petroleum Corporation (CNPC). As entregas até "excedem regularmente as quantidades diárias estipuladas no contrato".

Rússia reforça venda de gás para a Ásia

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou entretanto que a Rússia vai aumentar o fornecimento de gás à Ásia, para 88.000 milhões de metros cúbicos, até 2030. Serão também construídas infraestruturas para o efeito.

"Um passo importante para reduzir o impacto das sanções e outras ações hostis contra a Rússia será o desenvolvimento de infraestruturas portuárias e de condutas no sul e no leste, incluindo o aumento da exportação de gás natural", explicou.

Entre os projectos previstos estão o campo de Kovyktinskoye, na Sibéria, o gasoduto "Power of Siberia 2", da Mongólia até à China, e a rota do Extremo Oriente.

Putin diz ainda que a venda de petróleo para "países amigos" aumentou quase 25% nos primeiros nove meses de 2022 e pretende continuar à procura de novos parceiros em regiões de rápido crescimento, nomeadamente Ásia, América Latina, África e Médio Oriente.

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