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O preço da eletricidade está a subir. Porquê?

03 set, 2021 - 08:25 • Fátima Casanova

O Governo já disse que vai usar “almofadas” para ajudar os consumidores a enfrentar o aumento quase diário do preço da eletricidade. Num mês, foram batidos oito máximos.

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O preço da produção da eletricidade não pára de aumentar. Na quinta-feira, foi registado um novo máximo histórico de 140,23 euros por megawatt/hora.

Porque é que o preço da eletricidade tem estado a bater recordes?

Este mês de setembro começou com máximos históricos, isto depois de oito recordes batidos em agosto, com o preço da energia elétrica comercializada no mercado grossista ibérico a dar um salto de gigante. Ou seja, aumentou imenso o preço da produção da eletricidade, ainda antes dos custos de transporte e de distribuição.

Estamos a falar de que valores?

O custo de referência definido para este ano para o mercado grossista ibérico, ou seja, o custo da produção da eletricidade, era de 42 euros por megawatt hora. Este era o valor de referência da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) para o ano de 2021.

Ora, o mês de agosto fechou com um preço médio de 105 euros e, na quinta-feira (dia 2 de setembro) registou-se um novo pico histórico de 140,23 euros, de acordo com o operador de mercado elétrico na Península Ibérica.

O que motivou esse salto nos preços da produção?

A principal explicação é a escalada que o preço do gás natural tem tido no mercado internacional, ao mesmo tempo que tem aumentado o preço das licenças de emissão de dióxido de carbono.

Os custos destas duas parcelas ultrapassam atualmente os 120 euros por megawwat hora – é este o valor mínimo que uma central precisa de cobrar para cobrir os custos por cada megawat de eletricidade produzida.

Dizer ainda que o recurso às centrais a gás natural tem sido necessário, porque a produção eólica tem sido relativamente baixa neste Verão (apesar de nos queixarmos do vento que se faz sentir) e no Verão também chove menos, portanto a produção hidroelétrica é mais cara.

E no resto da Europa, qual é o panorama?

Não é muito diferente. Por exemplo, a Grécia e a Itália têm tido, nos últimos dias, preços ainda mais altos do que a Península Ibérica. A generalidade da Europa tem passado por uma vaga de elevados preços grossistas da eletricidade, porque quase todos os países produzem energia elétrica, justamente a partir do gás natural.

E tem havido muitas restrições no seu abastecimento, nomeadamente, a dificuldade em recuperar depois de vários meses em que a economia europeia esteve quase fechada por causa da pandemia.

Então e quais poderão ser as consequências na nossa carteira?

Para já, o Governo garantiu que está atento e descartou aumentos. Ainda nesta semana, o ministro do Ambiente disse aos jornalistas que tem muitas almofadas para “inibir o aumento do preço da eletricidade aos consumidores” no próximo ano.

Segundo Matos Fernandes, o Governo tem “uma vontade muito grande, sem qualquer promessa, de fazer com que a eletricidade não aumente”.

Já em Espanha, a ministra da Transição Ecológica tem um discurso completamente diferente: foi ao Parlamento avisar que a fatura da eletricidade dos consumidores pode disparar 25% ainda este ano.

Como são definidos os aumentos em Portugal?

Normalmente, as atualizações do preço são feitas anualmente. Os diferentes comercializadores estão atentos à ERSE (a entidade reguladora) que, em 15 de dezembro, fixa os preços para o ano seguinte a partir de uma proposta anunciada em 15 de outubro.

Este ano, no entanto, excecionalmente, a ERSE procedeu a uma revisão intercalar dos preços e aprovou um aumento de cerca de 3%, que entrou em vigor em julho para os mais de 900 mil clientes das tarifas reguladas.

Os comercializadores do mercado livre têm as suas próprias estratégias, mas avisaram que esse aumento de 3% ficou muito aquém do que seria necessário para refletir os custos da produção, portanto está aberta a porta ao aumento de preços.

Isto mesmo já avisou a Deco, a associação para a defesa dos consumidores, que pede ao Governo uma descida do IVA da luz para uma taxa mínima de 6% em toda a fatura de eletricidade.

Dizer também que, nesta sexta-feira, registou-se uma ligeira descida do preço da eletricidade no mercado grossista: dos 140 para os 137 euros por megawatt hora.

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  • Miguel Ferreira
    22 set, 2021 AGUALVA-CACÉM 11:23
    "Dizer ainda que o recurso às centrais a gás natural tem sido ..." "Dizer também que, nesta sexta-feira, registou-se uma ligeira" Mas os jornalistas hoje em dia têm formação em português?! Desde quando é que uma construção verbal que já é incorrecta e inadmissível nas intervenções orais, passou a ser admitida num Média de referência como é a RR?

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