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Mário Centeno avisa que plano de desconfinamento tem "algum nível de incerteza a curto prazo"

15 mar, 2021 - 18:55 • Sandra Afonso

O governador do Banco de Portugal assinala que os resultados económicos de 2020 foram melhores do que o esperado, no entanto, alerta que haverá nova quebra em 2021. Centeno sublinha que apoios não devem cessar por enquanto.

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Mário Centena avisou, esta segunda-feira, que o plano de desconfinamento desenhado pelo Governo é acompanhado de grande incerteza e que a economia portuguesa deverá sofrer nova quebra em 2021, apesar dos resultados acima das expectativas.

O Governador do Banco de Portugal reagiu ao plano apresentado pelo Governo, que marca o início do regresso à normalidade, com o alerta de que o país tem pela frente "riscos enormes, quase pandémicos".

"Temos pela frente riscos enormes, quase pandémicos. Podemos esperar este ano um novo retrocesso, embora não seja tão profundo como poderia. Apesar do plano anunciado no último sábado, ainda há algum nível de incerteza a curto prazo", afirmou.

O ex-ministro das Finanças salientou que o plano apresentado pelo Governo "é certamente bem-vindo por todas as empresas, mas ainda está condicionado pelo desenvolvimento da pandemia nas próximas semanas e meses". As vacinas serão "um fator chave", assim como a resposta aos novos desafios que surgirem. "Não há descanso na luta contra o impacto da crise", acrescentou.

Apoios não devem cessar já


Mário Centeno falou na abertura de um "webinar" organizado pelo supervisor e pelo Banco Europeu de Investimento. O governador do Banco de Portugal recordou que os apoios só poderão ser retirados quando todos os sectores da economia estiverem a salvo.

“Havia mais de 88 mil trabalhadores em 2020, em comparação com 2019, isto é um contraste com o estado inicial da crise soberana, em que o emprego de longo prazo foi massivamente destruído. No entanto, há uma linha fina a separar estes dois cenários. Por isso é tão importante que as medidas de apoio se mantenham até que todos os setores da economia comecem a crescer e para que a economia reabra rapidamente", vincou.

Apesar de tudo, a economia portuguesa está melhor do que o esperado: “Portugal fechou 2020 com uma recessão menos severa do que o esperado inicialmente. Dados do último trimestre revelam um desempenho melhor da economia, estima-se que a contração tenha sido de 7,6%, menos que as estimativas anteriores que excediam os 8% e que constavam em todas as previsões desde julho."

"O mesmo aconteceu na taxa de desemprego, que ficou em 6,8% em 2020, um número muito inferior à nossa anterior previsão de dezembro", acrescentou o ex-ministro das Finanças português.

Oportunidade para adaptação


Neste "webinar", com o tema “Investment, digitalization and green financing: The Portuguese case”, Mário Centeno defendeu também que a retoma será uma oportunidade de adaptação às alterações da digitalização e finanças verdes.

Segundo o governador, a bazuca europeia deve ser aproveitada na retoma da economia para potenciar a transição digital e verde. “O nosso desafio será não só recuperar, mas adaptar-nos a estas alterações“, sublinhou.

Há muito dinheiro em causa e, em certos casos, será mais difícil controlar, como nos investimentos verdes onde os negócios se podem fundir com outro tipo de investimento. São dados que tornam ainda mais pertinente o escrutínio destes investimentos, sublinha o governador.

O Plano de Recuperação e Resiliência conta distribuir cerca de 14 mil milhões de euros de subvenções a fundo perdido e 2,7 mil milhões de euros em empréstimos. Para a digitalização de empresas, administração pública e escolas estão previstos perto de 2,5 mil milhões de euros em subvenções. À economia verde deverão chegar 2,9 mil milhões.

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