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Coronavírus. ​Circo vive dias difíceis, à espera de apoios

15 abr, 2020 - 07:30 • Olímpia Mairos

Fez-se silêncio sobre a arte circense. A pandemia de Covid-19 calou a magia e as gargalhadas e trouxe angústia e incertezas quanto ao futuro da atividade.

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O circo parou como pararam muitas atividades no país, devido à pandemia da Covid-19. Junto à antiga estação de comboios, em Viseu, há cerca de 30 camiões e mais de 30 pessoas paradas e os prejuízos avolumam-se.

O Super Circo, em parceria com o Circo Nery, tinha criado um espetáculo a três pistas que se estreou em Marco de Canaveses e que iria andar em digressão pelo país. Viseu era a próxima cidade, mas devido à suspensão das atividades culturais teve de parar. Israel Modesto, diretor do Super Circo, conta à Renascença que a arte circense vive momentos dramáticos e queixa-se da falta de apoios.

“Está na hora de o Governo olhar para os circos, porque há muitos parados em todo o país e tanto agora, como no passado, nunca houve um cêntimo de apoio”, alerta o responsável, acrescentando que “não é importante que as pessoas tragam para aqui comidas quentes, o importante é um apoio à arte”. O diretor do Super Circo queixa-se que “não há ninguém no Governo que se preocupe” com a atividade de diversão que percorre o país de lés a lés.

Linha de apoio para combater esquecimento

Israel Modesto defende a criação de “uma linha de apoio para esta atividade, porque os circos, sejam grandes ou pequenos, estão em risco porque, mais uma vez, estão a ser esquecidos pelo Governo, ao contrário do que acontece noutros países na Europa”.

“Precisamos de um apoio financeiro para nos controlarmos neste tempo todo indeterminado, porque não sabemos quando podemos exercer a atividade”, defende o empresário, considerando que o recurso ao "lay-off" “não é uma solução, até porque há pessoas que nem coletadas estão”.

Nesta fase, todos os artistas se mantêm na cidade de Viseu, com a mesma rotina, com ensaios diários, à espera da oportunidade de voltarem a atuar. Mas essa é uma realidade que pode tardar em chegar, já que os espetáculos poderão ser o último setor a arrancar.

“Esta vai ser a última atividade a iniciar, porque isto depende do público, depende da bilheteira, e o dinheiro da bilheteira tem de chegar para movimentar esta logística toda e manter estas pessoas todas”, assinala o diretor do Super Circo.

"Vamos vivendo de algumas migalhas"

Israel Modesto reforça que quem depende do circo e, neste momento, não tem apoios "vive de algumas migalhas que possa ter". "Vai consumindo, sabe Deus como, até um dia", responde o diretor do Super Circo, esperando que o apelo de ajuda que faz através da Renascença possa surtir efeito junto do Governo.

O responsável insiste: “somos pessoas que sempre trabalhámos no circo, não sabemos fazer mais nada, mas com uma função importante, que é levar alegria às cidades, a todas as crianças e famílias”.

“Sim, nós somos circos que andamos na estrada. Este circo tem-se vindo a reinventar de ano para ano, com o objetivo de criar temáticas diferentes que atraiam as famílias”, realça Israel Modesto, garantindo que “tinha o resto da tournée toda agendada”. “As artes são um pilar fundamental da nossa democracia, pelo que não devem ser abandonados à morte certa pela mão deste terrível vírus”, remata o diretor do Super Circo.

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