"Somos europeístas e queremos ter voz própria na Europa”, afirmou um membro do governo autónomo da Catalunha, Alfred Bosch, na apresentação pública de um documento deste governo sobre a integração europeia.

O mesmo político reivindicou que “quem decide as coisas na Europa são os cidadãos europeus”, e afirmou que “o caso catalão traz uma oportunidade única para debater este tipo de coisas”. Segundo Bosch, a União Europeia “apostou forte no princípio da subsidiariedade e tem que estar tão perto do cidadão quanto for possível”; o mesmo político alertou, ainda, para que, “se não conseguirmos, virão mais Brexits”.

Parece-me demasiado forçada esta conclusão. O Brexit é que pode levar ao fim do Reino Unido, com a possível independência da Escócia e, a médio prazo, integrando o Ulster (Irlanda do Norte) na República da Irlanda.

Em abril do ano passado escrevi aqui: “Os independentistas tinham a expectativa, ou a ilusão, de que a União Europeia mediasse o conflito. Mas, como era previsível, a UE afastou liminarmente essa hipótese. O Tratado de Lisboa determina que a UE deve respeitar as funções dos Estados membros, incluindo assegurar a sua integridade territorial”.

A Europa comunitária é uma união de Estados. Seria absurdo que ela contribuísse para privar um Estado membro de uma parte do seu território. Por isso alguns independentistas catalães estão frustrados por não receberem apoio de Bruxelas.

Acresce que o independentismo da Catalunha está longe de ser uma aspiração da maioria dos habitantes daquela região. Os independentistas têm maioria no parlamento autonómico graças a uma lei eleitoral que dá mais votos às zonas rurais; na cidade de Barcelona, por exemplo, a maioria é contrária à separação de Espanha.

Por outro lado, não parece ter sido grande ideia procurar chamar a atenção das instâncias europeias e internacionais para a causa independentista bloqueando algumas autoestradas que ligam a Catalunha a França, como aconteceu há dias. A polícia francesa agiu energicamente para pôr fim a esses bloqueios.

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