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Fórum Wahou! quer dar a conhecer Teologia do Corpo

29 set, 2017 - 14:08

A formação dirige-se a todos, mas Marlene Feliciano, que participou na primeira edição, diz que “devia ser obrigatório para casais”.

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A segunda edição do Forúm Wahou!, sobre a Teologia do Corpo, desenvolvida pelo Papa João Paulo II realiza-s enos dias 7 e 8 de Outubro

O Papa, entretanto canonizado, publicou longas reflexões sobre a importância e a dimensão sagrada do corpo humano. Apesar de este trabalho ser considerado um dos seus grandes legados à Igreja, para muitos católicos ainda é terreno desconhecido.

“Isto não é muito conhecido ainda porque vai devagarinho. Para já há esta ideia que muitas pessoas têm que já sabem tudo o que há para saber e por isso não surge muita curiosidade. Depois, quando se encontram com a Teologia do Corpo ficam invariavelmente a pensar porque é que não conheceram isto há mais tempo”, explica Maria José Vilaça, que organiza o evento.

Uma das bases da Teologia do Corpo é a recusa do dualismo, isto é, da ideia de que o corpo é apenas um receptáculo, ou um veículo, que acolhe a alma que representa a essência da pessoa. “Nós não temos um corpo, nós somos um corpo. Portanto tudo o que fazemos com o nosso corpo revela quem somos e o que queremos dizer. E por isso tem tanto a ver com sexualidade, mas não é exclusivamente da sexualidade”, diz Maria José Vilaça.

“Choca muito com os nossos tempos porque vivemos num tempo em que o que fazemos com o nosso corpo não tem nada a ver com a pessoa que somos. É quase como ter um corpo associado, como quem tem um carro ou uma casa. Faço com o corpo coisas que me dão prazer, das quais tiro o máximo de prazer, mas não revela a pessoa que sou em termos psicológicos. Há muito esta divisão”, lamenta.

A psicóloga sublinha a importância destas temáticas numa altura em que se fala de facilitar processos de suposta mudança de sexo, ou “autodeterminação de género”, que partem precisamente do princípio que o ser humano é que determina aspectos que são constitutivos do seu ser. “Todos começamos a conhecer o mundo através do nosso corpo, o corpo diz muito de quem somos. O nascer homem ou nascer mulher não é um acaso, tem a ver com a pessoa que nós somos. Querer determinar posteriormente que afinal sou diferente, que sou outra coisa que não aquilo que o meu corpo diz de mim, é uma coisa muito complicada, porque é ir contra uma realidade que se impõe, fisicamente. O que a Teologia do Corpo diria é que isso vai contra a unidade da pessoa e vai contra a realidade. E uma coisa que vai contra a realidade nunca nos pode fazer felizes.”

Marlene Feliciano é casada e participou com o seu marido na primeira edição doWahou! (o nome, segundo os organizadores, é baseado na expressão de Adão quando viu Eva pela primeira vez). Nem tinha ouvido falar de Teologia do Corpo, mas diz que o curso mudou a sua forma de ver a realidade.

“Eu costumo brincar que devia ser obrigatório para casais que estão a fazer a preparação para o matrimónio, porque não podemos viver com esta falta de esclarecimento ou falta de formação.”

“Depois de participar, pensei que qualquer pessoa que participa e ouve tem esta responsabilidade de anunciar e de divulgar, de dar a conhecer, porque isto é tão importante! É tão simples como vivermos e respirarmos. O corpo e o espírito são um todo, muito amado, e o corpo foi criado para ser corpo, e é amado como corpo, porque foi Deus quem o criou. Isto é fantástico. Não podemos viver sem esse conhecimento”, acrescenta.

O encontro, que ocupa o fim-de-semana inteiro, é aberto a todos os que queiram participar, inclui palestras, workshops e tempo de oração e perguntas. As inscrições podem ser feitas através do site da Pastoral da Família.

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