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Antiga linha do Tua dá lugar a ecopista de 70 km

09 ago, 2017 - 12:31 • Olímpia Mairos

Projecto inédito dos municípios de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança quer também recuperar as estações e apeadeiros da antiga linha do Tua que se encontram ao abandono.

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A antiga linha do Tua, onde os comboios deixaram de circular há mais de 20 anos, vai voltar a ligar os concelhos de Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros.

Os municípios uniram-se num projecto inédito intermunicipal, no Nordeste Transmontano, que envolve o aproveitamento do corredor ferroviário para uma ecopista e a reabilitação de estações e apeadeiros.

O investimento, que ascende a 1,8 milhões de euros, tem comparticipação comunitária, através do programa Valorizar, no valor de 1,2 milhões e o restante será assumido pelos municípios.

O projecto prevê a regularização da plataforma da linha, para permitir a sua utilização ciclável e pedonal de forma segura e confortável, criando uma ecopista contínua com uma extensão de 70 km, entre Mirandela e Bragança.

Para além da ecopista, os municípios pretendem recuperar o património edificado, como as estações, que se encontram actualmente ao abandono e em adiantado estado de degradação e que servirão de apoio à ecopista.

Está prevista a intervenção nas estações de Sendas e de Rossas, em Bragança, do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, de Carvalhais e do Romeu, em Mirandela. Infraestruturas que darão lugar a albergues/hostels de apoio à visitação e fruição da nova ecopista.

No seu trajecto, a Linha do Tua percorre territórios de “impressionante valor paisagístico”, atravessando um conjunto alargado de povoações que “espelham a diversidade da região e apresentam um forte potencial de desenvolvimento turístico”, sublinha em comunicado a autarquia de Macedo de Cavaleiros.

A nova ecopista ligará a Terra Quente à Terra Fria transmontanas e estende-se por treze quilómetros no concelho de Mirandela, 24 no de Macedo de Cavaleiros e 30 no de Bragança.

O percurso que agora vai ser reabilitado foi o primeiro a encerrar, no início da década de 1990. Anos mais tarde foram descativados os cerca de 60 quilómetros entre Mirandela e o Tua.

Os últimos cerca de 20 quilómetros da ferrovia ficaram parcialmente submersos pela barragem de Foz Tua. Os restantes, entre a Brunheda e Mirandela, têm o regresso do comboio anunciado para breve no âmbito do plano de mobilidade turística e quotidiana, contrapartida pela construção da hidroelétrica.

Comentários
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  • Daniel Conde
    21 ago, 2017 Vinhais 11:15
    Mais ainda, há que escrutinar melhor esta obra, mais um fenómeno autárquico do despesismo para o "fazer por fazer". Se ela custar de facto ao erário destas autarquias os 2,6M€ já anteriormente noticiados, há que comparar este valor com o da reabertura ferroviária deste troço, que custaria às 3 autarquias 5,7M€; sim, por mais 3,1M€, estas câmaras poderiam REABRIR a Linha do Tua até Bragança, em relação a mais uma eco-coisa em terra batida. Eu sou Nordestino e praticante de BTT e de corrida, e se há coisa que não falta na região são percursos para ambas. Os índices de envelhecimento destes concelhos são da ordem dos 200/300%; existem rampas de 7 e até de 19 km, a 2% de inclinação média, neste percurso; várias aldeias do trajecto não têm transporte público fora do período escolar; estas ciclovias costumam ter uma maior utilização a partir de centros urbanos, e numa distância a até 10km, o que aqui deixa 36 km para um uso residual ou nulo. Portanto, a pergunta é mesmo "Quem é que vai esta eco-coisa servir?". Uma população cada vez mais idosa em aldeias cada vez mais despovoadas? É um convite a que idosos e jovens se desloquem aos centros urbanos, para uma consulta ou para as aulas, a pé ou de bicicleta, em quilómetros de rampas intermináveis, sob a chuva e o frio trasmontanos? E onde estão as contas e estudos destas autarquias, para afirmarem numa política de obra consumada que não há alternativas? O regresso do serviço público ferroviário é uma impossibilidade "porque sim"?
  • Daniel Conde
    21 ago, 2017 Vinhais 10:57
    Este artigo é um infeliz espelho do mal jornalismo que se pratica no nosso país. Primeiro, este projecto de "inédito" tem zero: ecopistas em leito ferroviário a atravessarem mais que um concelho já as há desde a década de 1990, a começar nas de Fafe e do Minho, e a acabar nas mais recentes no Tâmega e Dão. Depois, outras fontes citaram que o projecto irá custar 3M€, e o Programa Valorizar financia no máximo 400 mil euros, pelo que o investimento das autarquias será de 2,6M€. A eco-coisa mais barata que conheço é a de Montemor-o-Novo, a custar 40 mil euros/km, em terra batida, sem recuperação de estações, e com apenas 1 ponte no trajecto. Se esta custasse apenas 1,8M€ em 76 km (não 70), estaríamos a falar de um novo recorde de poupança, custando a obra cerca de 24 mil euros/km, e ainda assim incluindo recuperação de estações e uma miríade de túneis e pontes! E se o Turismo de Portugal autoriza que a mesmíssima obra possa ser triplamente financiada, ao "parti-la" em 3 municípios, parece-me uma péssima política de financiamento público. A primeira foto não é de ciclovia nenhuma, já que tal não existe; há 38km de canal no concelho de Bragança, não 30; não se encerraram 60 km de canal entre Mirandela e o Tua, mas 42 entre o Cachão e o Tua; submersos ficaram cerca de 14km, não 20. Teria sido interessante saber se a intervenção na estação de Carvalhais respeitará o seu uso diário pelas dezenas de estudantes que a usam, bem como a proximidade das oficinas e do depósito de gasóleo.
  • Transmontano
    11 ago, 2017 21:35
    Porque não aproveitar o caminho e as pontes para fazer um comboio turístico de mirandela à Bragança? Não é preciso um comboio cada 5 minutos, mas para aproveitar a paisagem e mais bonito e pratico, porque não penso que as pessoas com certa idade va de bicycletta a fazer um percurso que faziam antigamente!
  • Rodrigo monteiro
    10 ago, 2017 Coimbra 01:09
    Destruiram o caminho de ferro e não há nada, mas nada que o justifique (a não ser a classe política de corruptos!!!) Uma ecopista faz-se em qq lado que jamais à custa da desactivação de uma linha férrea que terminava precisamente numa CAPITAL DE DISTRITO!!!VERGONHOSO!!!NÃO SE CONFORMEM, BANDO DE CARNEIROS!
  • Macela
    09 ago, 2017 Porto 15:48
    Primeiro o IP4 - pese embora o sorvedouro de vidas que aquilo tem sido, muitas vezes porque os condutores se esquecem que se trata de uma estrada de montanha - e finalmente a A4, constituíram uma enorme melhoria no acesso ao nordeste transmontano, mas isso não devia implicar o desaparecimento da ligação por comboio, que seria de agrado e até uma necessidade para muita gente que não quer ou não pode levar o carro. Não fosse o automóvel a galinha dos ovos do Governo (tenha ele a cor que tiver), e a via férrea não teria sido praticamente descartada. O comboio é um transporte cómodo, barato com elevado índice de segurança que merecia melhor sorte. Conheço bem todos os locais referidos; minhas raízes são dessas paragens portanto só posso congratular-me com a iniciativa. Pode ser que nem tudo esteja perdido.
  • lagidiv
    09 ago, 2017 Almada 14:58
    Estão a piar muito tarde!!! será que ainda vão a TEMPO DE COISA ALGUMA!!!
  • Luis Filipe
    09 ago, 2017 Guarda 14:57
    Excelente ideia para aproveitar essas vias desativadas, não deixando ao esquecimento esses lugares e levando mais pessoas a "viver" o interior (abandonado). Parabéns à iniciativa, agora é levar a bom porto o projeto e conseguir a sua manutenção ao longo do tempo.
  • bobo
    09 ago, 2017 lisboa e outra 14:54
    Destruiriam o Caminho de Ferro Português CP
  • bobo
    09 ago, 2017 lisboa e outra 14:54
    Destruiriam o Caminho de Ferro Português CP