Tempo
|
A+ / A-

​Torá com mais de 400 anos descoberta na Covilhã

15 set, 2016 - 19:13

Documento judaico foi encontrado por um empreiteiro durante uma obra de demolição.

A+ / A-

Uma Torá com mais de 400 anos foi encontrada por um empreiteiro durante a demolição de um edifício na Covilhã, anunciou esta quinta-feira a autarquia. o documento judaico encontra-se em muito bom estado de conservação.

"Estamos a falar de um documento muito, muito raro, podemos mesmo dizer que é uma jóia da cultura portuguesa e da história sefardita mundial e portanto entendemos que é da maior importância darmos a conhecer esse documento", disse o presidente da Câmara, Vítor Pereira, em conferência de imprensa.

O autarca explicou que este documento foi encontrado há cerca de 10 anos, durante a demolição de um edifício no centro da cidade, mas, na altura, o empreiteiro não terá tido consciência da importância do achado, limitando-se a guardá-lo. "Enrolou-o num lençol e num plástico e assim o guardou durante estes 10 anos", acrescentou.

Ao tomarem conhecimento deste episódio, os técnicos do departamento da Cultural da Câmara foram analisar o achado, tendo encontrado um "pergaminho com 30 metros de comprimento, 60 de altura, provavelmente escrito com tinta ferrogálica e com suporte de apoio em rolos de madeira".

Uma peça única, que está em muito bom estado de conservação e cuja autenticidade foi confirmada por Javier Castaño, professor e investigador no departamento e Estudos Judaicos e Culturais do Mediterrâneo e do Oriente Próximo.

"Segundo nos referiu, esta peça terá mais de 400 anos e terá sido escrita no período filipino, dos cristãos-novos, quando o culto da religião judaica era proibido em Portugal, mas mantido dentro de portas e no segredo da família", especificou Vítor Pereira.

O autarca lembrou ainda que esta descoberta é mais um elemento que confirma a importância que o judaísmo teve neste concelho, bem como da existência de uma judiaria na cidade.

No que concerne à preservação do documento, especificou que foi realizado um protocolo com o empreiteiro no sentido de que seja a autarquia a guardá-lo e a conservá-lo, ainda que a posse continue a ser de quem o encontrou.

Para já, esta Torá com mais de 400 anos será exposta ao público em geral entre o dia 23 e o final do mês, no edifício dos Paços do Concelho, no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

Depois disso, é intenção do município continuar a "aprofundar a análise" do documento, de forma a recolher mais informação e obter dados científicos e históricos sobre o mesmo.

"Sensibilizaremos o Ministério da Cultura para a importância deste documento e vamos tentar que ele fique disponível para os cientistas e historiadores poderem analisar e apreciar, sendo certo que não pode ser manuseado para que continuemos a garantir a sua preservação", explicou.

Relativamente às Jornadas Europeia do Património, a iniciativa arranca dia 22, às 22h00, no salão Nobre dos Paços do Concelho, com a apresentação do Fundo Fotográfico Antigo do Arquivo Municipal, seguindo-se no dia 2, às 10h30, um momento musical e a apresentação do memorial às vítimas da Inquisição, naturais e residentes no concelho acusadas de judaísmo. Segue-se, às 11h00, a apresentação da Torá.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Manuel Gois
    17 set, 2016 Tomar 09:04
    E o achador nem sequer era arqueólogo! Imaginem os imensos tesouros que teráo sido destruídos pela incúria e até pelo receio de ver parar obras enquanto os profissionais da arqueologia se esforçam para os conseguir recuperar.. Devia existir um, nem que fosse apenas estudante de arqueologia, (que até podia dar currículum) em cada obra publica.

Destaques V+