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Maioria dos professores não se sente valorizado

08 set, 2016 - 00:46

"Exausta" e "desiludida" são os adjectivos mais usados para caracterizar a relação com o exercício da profissão, de acordo com um inquérito inserido no trabalho "As Preocupações e as Motivações dos Professores Portugueses", desenvolvido pela Fundação Manuel Leão.

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A esmagadora maioria dos professores (91%) considera que nos últimos anos diminuiu o prestígio da sua actividade e 85% entende que o Ministério da Educação não valoriza o trabalho que faz, revela um inquérito divulgado.

No trabalho "As Preocupações e as Motivações dos Professores Portugueses", desenvolvido pela Fundação Manuel Leão, 32,3% dos docentes define a sua relação com o exercício profissional como "exausta" e "desiludida".

Percentualmente, as professoras estão mais exaustas e desiludidas (35,9%) do que os professores (25,2%).

O inquérito, lançado em Maio, Junho e Julho, junto de 130 escolas ou agrupamentos, do pré-escolar ao ensino secundário, indica igualmente que para 84% dos professores a sociedade não valoriza o trabalho que faz.

Num universo de 2.910 respostas consideradas válidas,76% dos inquiridos considera que aumentou o controlo sobre o seu trabalho e 80% diz que perdeu, nos últimos anos, autonomia e poder de decisão.

Através de um questionário de resposta fechada, 87% afirma que diminuíram o tempo e as condições que os professores têm para reflectir sobre as suas práticas educativas.

Coordenado por Joaquim Azevedo, ex-secretário de Estado do Ensino e membro do Conselho Nacional de Educação, este estudo mostra que 31% dos professores não estão motivados para ensinar.

Quase todos os inquiridos (94,3%) consideram que aumentou a exigência da prestação pública de contas e 60% considera que os alunos agora "estão mais desmotivados".

O que causa mais insatisfação aos professores é a falta de reconhecimento profissional (57%), a indisciplina na sala de aula (52%) e a extensão dos programas (30%), de acordo com os resultados contidos no relatório.

O documento refere ainda que 74% dos professores se sentem insatisfeitos com os pais por "não se preocuparem com a educação dos filhos", enquanto 64% considera que a educação piorou em Portugal na última década.

Os resultados vão ser apresentados numa sessão pública a realizar na sexta-feira, em Vila Nova de Gaia, juntamente com os resultados do programa AVES (Avaliação Externa das Escolas) ao longo dos últimos 10 anos.

O objectivo do inquérito agora realizado foi conhecer o estado de espírito actual dos professores, as suas autorrepresentações, o que os satisfaz e os tem deixado mais insatisfeitos, como valorizam o seu trabalho e a percepção que têm do modo como a sociedade os valoriza no início de mais um ano lectivo.

O questionário foi aplicado em escolas públicas e privadas.

"Os professores do ensino particular têm uma relação positiva com o trabalho docente quase 15 pontos percentuais acima dos professores do ensino público e dizem-se também menos exaustos e desiludidos com a mesma diferença percentual", dizem os autores do estudo.

São os professores com mais de 10 anos de serviço que acusam maior cansaço e desilusão.

"Sinto que devemos procurar ir um pouco mais fundo na análise destes resultados, que se repetem ao longo dos anos, evidenciando uma degradação crescente das condições em que se está a processar o exercício profissional dos professores", escreve Joaquim Azevedo no comentário final aos dados do inquérito.
Comentários
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  • Arthur
    08 set, 2016 Brasil 18:00
    Com um problema/discussão semelhante a este começou o declínio da educação brasileira, indo em direção ao fundo do poço, onde estamos hoje, agora deixa se falar de "escola sem partido" para se falar de "dia nacional do funk", o negocio aqui está tão deteriorado que o último projeto citado foi a aprovado e o primeiro recusado. Abram os olhos e arrumem o sistema educacional antes que Portugal se perca. Funk não é cultura, é desprezo pela inteligência e o individual das pessoas. Termino com essa última frase: arrumem seu sistema educacional, voltem para o sistema clássico !!!!!!!!!
  • Petervlg
    08 set, 2016 Trofa 12:38
    Este Justo e o JOÃO DAS NEVES, são completamente ..., quando se comenta um assunto, o mínimo que se pede é que as pessoas estejam informadas, o que não acontece com este comentários. Não sou professor, mas sou uma pessoa informada, para poder comentar.
  • Petervlg
    08 set, 2016 Trofa 11:53
    O problema é que Educação começa em casa, e maior parte das pessoas julga o contrario, basta ver por alguns comentários.
  • Justo
    08 set, 2016 Leiria 11:28
    Temos pena! Também eu na minha profissão me sinto cansado e desiludido! Não são excepção! E ainda lembro que tem 3 meses de férias mais 15 e mais 15, etc etc! Portanto sejam competentes e deixem-se de queixar!
  • José Manuel Fernande
    08 set, 2016 Mem Martins 11:21
    Se estivermos a falar do valor dos ordenados, arendendo a forma como estão organizadas as carreiras, então é uma das maiores aldrabices que eu já vi, sobem na carreira quer estejam a dar aulas ao servico dos partidos ou a fazer qualquer coisa até se estiverem toda a vida ao servico da festa do avante chegam ao topoda carreira, que é para terem uma boa reforma.
  • Coveiro de Agramonte
    08 set, 2016 Porto 11:21
    Sr. João das Neves O Sr. sabe o que diz ou diz o que sabe? De facto, a ignorância é atrevida. Pena é que tenhamos de ler tais dislates. Mas, vozes de burro não chegam aos céus, diz o povo e tem razão.
  • José Manuel Fernande
    08 set, 2016 Mem Martins 11:16
    Não há maior valorização que o resultado do trabalho efectuado, e o resultado é mau, e óbvio que se os professores fazem no conjunto um mau trabalho só podem se sentir mal. Os restaurantes do estado chamam se cantinas e não teem nem nunca vam ter estrelas MICHELIN por nunca são orientado para a qualidade esforce-se para ter qualidade não faz sentido e só por algo na barriga dos seus utentes ea seu trabalho está feito Nada gerido pelo estado tem qualidade, Exemplos: Transportes públicos rede de escolas públicas, hospitais centros de saúde todo o governo não há neste momento nem um ministro com provas dadas nem um tinha um emprego onde tivesse de produzir alguma coisa idem secretários de estado e vou terminar já estou enjuado
  • Jose Melo
    08 set, 2016 VILA REAL 11:11
    Sr. João das Neves, para além de ignorante é parvo. Não sabe nada da realidade dos professores. Eu não sou professor mas contacto com eles frequentemente , os 4 meses de férias que relata só na sua imaginação. Quanto ao caso de estarem doentes e receberem por inteiro mais uma vez é ignorante. Antes de abrir essa " bocarra " estude . Passe bem
  • Carla
    08 set, 2016 Leça do Balio 10:44
    "O documento refere ainda que 74% dos professores se sentem insatisfeitos com os pais por "não se preocuparem com a educação dos filhos", enquanto 64% considera que a educação piorou em Portugal na última década. " - Esta afirmação só pode ser uma anedota, os professores não desenvolvem uma única actividade com os pais, e a escola veta mesma a participação dos pais em regulamento interno. Apenas são chamados à presença dos Ilustres Professores por questões negativas ou então meras informativas e conclusivas.
  • almague
    08 set, 2016 Lisboa 10:36
    Os professores têm toda a razão e este inquérito revela esta realidade. So não revela desde quando e quem foi o responsável por esta situação atual na educação em Portugal. Pois aqui vai o responsável pelo início da degradação do ensino assim como o desprestígio da profissão de Professor em Portugal. A responsável por tudo isto chama se : MARIA DE LURDES RODRIGUES - ex ministra da educação do governo de Sócrates. Esta mulher só lhe faltou ordenar que os professores deviam lavar e esfregar as salas onde davam aulas. Mais , só lhe faltou dizer que professores mais experientes que não gostassem dela deviam ir para a rua porque tinha os professores mais jovens à espera e que precisavam de emprego. Por tudo isto e por muito mais que esta mulherzinha como ministra da educação fez, iniciou sem nunca mais ter acabado a degradação e o desprestígio do ensino e dos professores em Portugal.

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