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“O homem sem religião é um perigo para o seu próximo”, diz líder muçulmano

25 mai, 2016 - 16:57

O imã da mais importante universidade do mundo islâmico elogiou o Papa Francisco como sendo um homem de paz, depois de um encontro entre os dois, na segunda-feira.

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As filosofias e os regimes que se afastaram da religião não têm conduzido nem à paz nem à felicidade, pelo que os líderes religiosos são chamados novamente a tomar a dianteira para dar um novo rumo à humanidade, considera o imã da Universidade de Al-Azhar.

Depois de se ter encontrado com o Papa no Vaticano, na passada segunda-feira, o sheikh Ahmed Mohamed el-Tayeb deu uma entrevista à sala de imprensa da Santa Sé, em que partilhou algo da sua conversa com Francisco.

Questionado sobre a responsabilidade dos líderes religiosos no mundo actual, o sheikh el-Tayeb disse que são grandes e de peso. “Como disse Sua Santidade, todas as filosofias e ideologias sociais modernas que tomaram o destino da humanidade afastadas da religião e do Céu não foram capazes de a tornar feliz nem de a afastar das guerras e do derramamento de sangue. Creio que chegou o momento de os representantes das religiões divinas agirem com força e de forma concreta para conduzir a humanidade numa nova direcção, rumo à misericórdia e à paz, para que possa evitar as grandes crises que sofremos agora.”

“O homem sem religião constitui um perigo para o seu próximo e creio que as pessoas começaram agora, no século XXI, a procurar guias sábios que os conduzam na direcção certa”, afirma o imã.

Neste sentido, el-Tayeb rejeita a ideia de que o islão seja culpado pela violência e pelo terrorismo religioso que se abate sobre grande parte do mundo.

“Sim, o terrorismo existe, mas o islão não tem nada a ver com este terrorismo. Isto aplica-se ao ulama [corpo de líderes e clérigos muçulmanos reconhecidos] e aos cristãos e muçulmanos no Oriente. Aqueles que matam muçulmanos, e cristãos, compreenderam erradamente os textos do Islão, intencionalmente ou por negligência”.

O imã considera que é contraproducente apresentar a violência que os cristãos no Médio Oriente sentem, por exemplo, como sendo uma perseguição. “Não deve ser apresentada como uma perseguição aos cristãos no Oriente, pois há mais vítimas muçulmanas que cristãs e todos sofremos esta catástrofe juntos”, afirma.

“Não devemos culpar as religiões pelos desvios de alguns dos seus seguidores, porque em todas as religiões existe uma facção dissidente que ergue a bandeira da religião e mata em seu nome”.

Na linha da frente do combate à radicalização

Segundo explica, a Universidade de Al-Azhar, que é a mais prestigiada do mundo muçulmano, dedica-se precisamente a tentar combater este fenómeno. “Clarificamos os conceitos islâmicos que foram deturpados por aqueles que usam a violência e o terrorismo”, explica, acrescentando que estas clarificações são depois integradas nos currículos escolares que a universidade administra.

“Estabelecemos um observatório mundial que monitoriza, em oito línguas diferentes, o material disseminado por estes movimentos extremistas e as ideias distorcidas que deturpam os jovens. Este material é depois corrigido e traduzido para outras línguas”, explica ainda.

O encontro entre o imã e o Papa foi particularmente importante, uma vez que marcou o restabelecimento de relações entre as duas entidades desde que estas foram interrompidas em 2011.

Na altura, a Universidade de Al-Azhar criticou o facto de Bento XVI ter pedido o fim da perseguição aos cristãos no Egipto, após um massacre em Alexandria na noite de Natal dos coptas, como são conhecidos os cristãos egípcios.

Mais do que o conteúdo da conversa entre os dois interessou o facto em si, como deixou claro o Papa, na segunda-feira, quando disse que “o encontro é a mensagem”.

A confiar nas palavras do imã, os dois líderes entenderam-se bem. Al-Tayeb não se poupou em elogios a Francisco. “A primeira impressão, que foi muito forte, é que ele é um homem de paz, que segue o ensinamento do cristianismo, que é uma religião de amor e de paz. Temos visto que ele é um homem que respeita as outras religiões e mostra consideração pelos seus seguidores; é um homem que consagrou a sua vida para servir os pobres e os marginalizados e que assume responsabilidade em geral pelas pessoas. É um asceta, que renunciou aos prazeres efémeros da vida terrena.”

“Tudo isto são qualidades que partilhamos e por isso queremos encontrar-nos com ele para trabalhar pela humanidade neste grande campo que temos em comum”, concluiu o imã de Al-Azhar.

Comentários
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  • Paulo Cortes
    11 jul, 2016 Castro Verde 01:46
    Só se for perigoso para a religião porque tem cabeça para pensar.
  • António Lapa
    25 mai, 2016 AMADORA 20:44
    As religiões nada de bom trouxeram à humanidade. A História está cheia de crimes perpetrados pelas religiões monoteístas (cristãos e muçulmanos). Estas religiões pretendem possuir a verdade absoluta, cada uma à sua maneira e o resultado são as perseguições, torturas, mortes guerras e os anátemas que há séculos temos estado sujeitos. Acredito, e este é o motivo da necessidade religiosa, que o individuo que não consegue viver sem o esteio de uma verdade absoluta procure a religião. Todos nós, de alguma maneira, em momentos muito concretos da nossa vida necessitamos das verdades absolutas mesmo sabendo que elas não existem e esse é o segredo da necessidade religiosa e de, não obstante o manancial de informação existente, haver ainda um número substancial de ignorantes. Os discursos oficiais das religiões no tempo que corre é um discurso cheio de humanidade, contrastando com o discurso de 17 séculos de apelo ao sofrimento e ao desprezo pela vida cuja deve ser de sofrimento silencioso como os exemplos dos santos. Outro grande pecado das religiões oficiais é de sempre andar de mãos dadas com o Poder e usar da mesmas prepotências e métodos coercivos. Não nos iludamos, este discurso é o único que colhe nas massas pois ninguém nos tempos que correm ouviria o antigo discurso.
  • António Costa
    25 mai, 2016 Cacém 18:18
    É o respeito pelo próximo que torna o Homem "Mau" ou "Bom". Apenas o respeito pelo Outro. A Religião DEVIA ser uma ajuda para o Bem. É a nossa prática diária, aquilo que fazemos ou não, são as nossas ações no dia-a-dia que nos tornam "Bons" ou "Maus". Infelizmente, para se fazer Mal ao Outro arranja-se sempre desculpas: na Raça DIFERENTE (Racismo), na Cultura DIFERENTE e também na Religião DIFERENTE. A Religião Cristã prega a Paz e quando alguns "espertos" tentaram e usaram a violência para se manterem no poder ENTRARAM em CONTRADIÇÃO. Ao tentar "usar" o Cristianismo como "forma de Poder" entra-se em contradição. E é apenas por isso que a Igreja TEVE de pedir Perdão pela Inquisição. Aos Egípcios, aos Romanos, aos Gauleses, e por aí, nunca passaria pela cabeça "pedir perdão" por queimar pessoas vivas, simplesmente porque isso não era crime! Sempre o fizeram! Como aos Muçulmanos, o que interessa, são apenas as Regras da sua Religião. No Islão se seguimos as Regras do Islão somos "Bons", se não seguimos as Regras do Islão somos "Maus". Apenas isso. E é por isso que a Democracia Ocidental, onde as Regras, as Leis do dia-a-dia, são feitas para e pelas pessoas é considerada uma "Aberração" pelo Islão. As palavras Deus e Religião tem SIGNIFICADOS DIFERENTES no Cristianismo e no Islão. E a TRAGÉDIA da nossa época é isso ainda não ter sido percebido!
  • Começa a ser evident
    25 mai, 2016 Aveiro 17:48
    A história relata-nos precisamente o contrário e actualidade também!
  • zaratrusta
    25 mai, 2016 alcains 17:26
    Eis o Título: “O homem sem religião é um perigo para o seu próximo”, diz líder muçulmano" Eu, agnóstico convicto me confesso, tenho o registo criminal limpo, nunca bati na sogra, na avó na cão ou no gato, periquito ou esposa etc. Perigo, sim perigo, pavor sinto daqueles que em nome da religião que professa este líder muçulmano, que espalham em nome desta, o terror, a morte de inocentes, cometem premeditadamente crimes abjectos. Logo, e em síntese, quero distancia de ti e dos teus!
  • fanã
    25 mai, 2016 aveiro 17:11
    Por isso mesmo continuam a haver GUERRAS DE RELIGIÃO , caros hipócritas !...........Judeus vs Muçulmanos , Cristãos vs Protestantes e outros grupos étnicos com as suas crenças uns contra os outros !.........desde que o Mundo é Mundo sempre assim foi !.....ou estarei a inventar ????????

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