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IPO do Porto premiado pela segurança no trabalho

29 abr, 2015 - 14:24 • Ana Carrilho

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho está empenhada em fazer da Europa um local de trabalho mais seguro, saudável e produtivo. Todos os anos morrem 4.000 pessoas a trabalhar. Por cá, o IPO do Porto tem dado o (bom) exemplo.
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Ontem assinalou-se em todo o mundo o Dia Internacional da Segurança e Saúde no Trabalho. Uma data aproveitada pelas diversas organizações nacionais e internacionais para chamar a atenção para a importância da prevenção de riscos nos locais de trabalho.

E, cada vez mais, os riscos psicossociais, ligados ao stress e à pressão ou até violência têm de ser encarados como prioridade. É, de resto, uma das grandes preocupações da União Europeia.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no trabalho está empenhada em fazer da Europa um local de trabalho mais seguro, saudável e produtivo. Os números são preocupantes: todos os anos morrem 4.000 pessoas a trabalhar e 3 milhões são vítimas de acidentes graves.

No 2º Inquérito Europeu às Empresas sobre Riscos Novos e Emergentes, realizado no Outono do ano passado, 25% dos trabalhadores revelaram que as condições de trabalho têm impacto negativo na sua saúde.

O sector dos serviços continua a ganhar peso no mercado laboral e uma em cada cinco empresas afirmou que tem que lidar com clientes difíceis ou com a pressão do tempo. E admitiu que não sabem como ultrapassar estes riscos psicossociais gerados nos seus funcionários, decorrentes destas situações.

É verdade que a grande maioria das organizações que adopta procedimentos de prevenção de segurança e saúde nos seus locais de trabalho, o faz por obrigação legal. Portugal não escapa à regra.

E na União Europeia, 90% das empresas que previnem os riscos profissionais consideram que essas práticas são muito úteis.

Claro que o nível de implementação varia com o tamanho das organizações e são as grandes empresas que mais facilmente dão mais atenção à segurança e saúde dos seus trabalhadores. Mas, por exemplo, a abordagem e prevenção dos riscos psicossociais  - que são encarados como mais difíceis de tratar - ainda continuam a ser tabu.

Na União Europeia, um terço das empresas tem relutância em falar do assunto. E só 20% - em média, no conjunto dos 28 – implementaram planos de prevenção. O que quer dizer que ainda há muito para fazer.

Incentivos à prevenção passam pela criação de prémios
Na segunda-feira, em Riga, a capital da Letónia, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho entregou os prémios de boas práticas da campanha “Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis”. Mais de meia centena de candidaturas esteve a concurso, 48 apresentadas por empresas de diversos sectores e dimensão, além de 7 propostas por parceiros oficiais da campanha.

Vieram de 26 países. 11 organizações foram premiadas e outras 12 receberam menções honrosas por promoverem locais de trabalho  que contribuem para a gestão do stress. Entre estas, está o Instituto Português de Oncologia do Porto.

A jornalista Ana Carrilho falou com a Coordenadora do Gabinete de Segurança no Trabalho e Gestão de Risco Geral do IPO do Porto. Marta Mendes revelou as práticas adoptadas na organização desde há alguns anos e que vão dando frutos ao nível da satisfação profissional dos trabalhadores e de ganhos na gestão e produtividade desta instituição.

Este é, apenas, um exemplo que já está sinalizado pela Autoridade para as Condições de Trabalho. Em entrevista à jornalista Ana Carrilho, o Inspector-Geral Pedro Pimenta Braz referiu outros, mas também frisou que “esta é uma área em que Portugal, as empresas, os trabalhadores e a própria ACT ainda estão a aprender”.

De resto, Pimenta Braz diz que ainda é preciso fazer muito para melhorar as condições de segurança e saúde no trabalho nas empresas portuguesas. O Inspector Geral da Autoridade para as Condições de Trabalho frisa que é preciso mudar práticas, mentalidades e comportamentos e a começar logo na escola. Isto porque, apesar da evolução positiva, Portugal ainda está longe dos objectivos desejáveis e definidos pela União Europeia.

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