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Fogo na Sertã reacendeu, autarca de Mação fala em "situação muito dramática"

21 jul, 2019 - 17:16 • Redação com Lusa

Fogos no distrito de Castelo Branco continuam a mobilizar mais de 800 bombeiros e 15 meios aéreos. Fogo “descontrolado” em Vila de Rei. Quinze aldeias da freguesia de Mação ameaçadas. .
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O incêndio no concelho da Sertã reacendeu este domingo à tarde depois de sido dado como dominado durante a madrugada, continuando os fogos no distrito de Castelo Branco a mobilizar mais de mil bombeiros e 15 meios aéreos, segundo a Proteção Civil.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registava, às 16h55, sete incêndios florestais em curso em Portugal continental, que estão a ser combatidos por 1.232 operacionais, 362 viaturas e 22 meios aéreos.

Depois de ter sido dado como dominado durante a madrugada, o fogo que começou há mais de 24 horas no concelho da Sertã, reacendeu hoje à tarde e no local estão 295 bombeiros, 91 viaturas e uma aeronave.

O incêndio que mobiliza mais meios é o que deflagrou ao início da tarde de sábado no concelho de Vila de Rei (Castelo Branco) e depois passou para Mação (Santarém), estando as chamas a ser combatidas por 829 operacionais, apoiados por 249 viaturas e 15 meios aéreos.

Segundo a ANEPC, estão cortadas ao trânsito a estrada nacional (EN) dois, entre Vila de Rei e Fundada, EN 244, EN 244-1 e EN 348.

Os incêndios que lavram desde a tarde de sábado no distrito de Castelo Branco e que se propagaram a Mação causaram 20 feridos, um deles com gravidade, que se encontra internado na unidade de queimados do Hospital de São José, em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, deu conta de oito bombeiros e de 12 civis feridos na sequência dos incêndios.

Quinze aldeias da freguesia de Mação ameaçadas

Quinze aldeias das 23 existentes na freguesia de Cardigos, Mação, estavam esta tarde em perigo devido às chamas que lavram naquele concelho do distrito de Santarém, disse o vice-presidente da autarquia. "Provavelmente, das 23 aldeias da freguesia [de Cardigos], neste momento, 15 estarão em perigo", afirmou António Louro, vice-presidente da autarquia com o pelouro da Proteção Civil.

Entre as aldeias e lugares ameaçados pelas chamas, António Louro nomeou Cardigos, a sede de freguesia, Freixoeiro, Carvalhal, Corujeira, Roda ou Portela dos Povos, entre outras.

O autarca revelou ainda que a "grande preocupação" tem sido defender as habitações face à proximidade das chamas e à violência do incêndio e que alguns habitantes de localidades mais isoladas, nomeadamente os mais idosos e vulneráveis "foram retirados". "Em alguns locais não foi possível fazer todas as operações com a antecedência desejada", assinalou o autarca, lembrando, no entanto, que "a casa das pessoas, quando as habitações têm boas condições e são mais recentes, é o sitio mais seguro".

O fogo já terá consumido esta tarde diversos anexos, mas não habitações, embora ameace duas localidades. O Presidente da Camara de Mação, Vasco Estrela, descreve uma situação muito grave à Renascença e conclui que os meios aereos, nomeadamente os aéreos, têm sido insuficientes.

"Sim, temos essas informações, não totalmente confirmadas, em Cernadas e Casas da Ribeira, Cardigos, onde os incêndios praticamente entraram dentro das localidades. Casas de primeira habitação houve ontem [destruídas], e agora temos conhecimento destes anexos, junto a estas duas localidades. A situação está muito grave, muito grave. Em todo o redor de Cardigos há fogo. A situação está muito dramática. Os meios aéreos de vez em quando vêm controlar a situalção, fazer algumas descargas, mas do meu ponto de vista não são suficientes", referiu Vasco Estrela.

Frente de fogo “descontrolada” em Vila de Rei mas com habitações protegidas

O vice-presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Paulo César, disse que existe no concelho uma frente de fogo "descontrolada" na fronteira com os municípios da Sertã e Mação mas as habitações têm sido defendidas das chamas.

"Há um fogo descontrolado na extremidade dos três concelhos, entre Sesmarias e Portela dos Colos, mas têm-se conseguido defender as habitações", afirmou Paulo César.

O autarca disse ainda que o vento forte e a temperatura elevada têm sido "os maiores obstáculos" aos operacionais que combatem o incêndio numa zona onde predomina o pinheiro e eucalipto, admitindo que junto a povoações mais isoladas por vezes há falta de bombeiros. "Os bombeiros não chegam a todo o lado mas quando isso acontece temos tido o apoio de outras entidades de Proteção Civil, como a GNR", frisou.

O incêndio que começou cerca das 15h00 de sábado na localidade de Fundada, Vila de Rei (distrito de Castelo Branco) e se estendeu ao início da noite ao concelho de Mação (distrito de Santarém), permanece ativo há mais de 24 horas e está a ser combatido por 844 operacionais, apoiados por 255 viaturas e 15 meios aéreos.


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