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Vila Real. Novo bispo “pronto para assumir o belo desafio” da nova missão

30 jun, 2019 - 18:30 • Olímpia Mairos

A Diocese de Vila Real celebrou este domingo, em festa, a entrada solene do seu novo bispo, nomeado a 11 de maio pelo Papa Francisco, para suceder a D. Amândio Tomás.
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D. António Augusto de Azevedo, bispo de Vila Real, afirmou na missa de entrada solene na diocese que “a entrada de um novo bispo numa diocese representa uma nova etapa na vida do próprio e um tempo novo na vida dessa Igreja particular”.

O novo bispo está “pronto para assumir o belo desafio que representa esta nova missão” que, referiu, será a da “promoção da cultura do encontro e da pedagogia da proximidade”.

“Com a consciência” de ser, antes de mais, “discípulo de Jesus Cristo, chamado a continuar a sua missão como sucessor dos apóstolos”, o novo bispo da diocese de Vila Real confia “na vontade de Deus, Pai de misericórdia” e acredita “na ação do Espírito Santo que abre sempre horizontes novos” à sua “vida pessoal e à da Igreja”.

Segundo D. António Augusto, “todo o batizado (bispo, padre ou leigo) que quiser caminhar como discípulo de Cristo, não pode vir à procura da honra ou poder, de vida cómoda ou fácil. Simplesmente deve estar animado da disponibilidade e da alegria de servir”. Neste sentido, o prelado apresenta-se como, com todos os fiéis, “o primeiro discípulo missionário, para dar um novo impulso à diocese, na lógica de uma autêntica conversão missionária”.

“Partir nesta aventura de dar a vida por amor, de Deus e dos homens. Esta é hoje uma causa urgente e inadiável porque muitos dos nossos contemporâneos não experimentaram a vida em plenitude que só Deus pode dar. Mergulhados na angústia ou no vazio, marcados pelo sofrimento ou pela miséria, precisam que alguém lhes leve uma palavra de esperança, que alguém se aproxime com gestos de amor genuíno”, referiu o prelado.

Fazendo referência aos tempos que vivemos, D. António Augusto afirmou que são, “para um bispo e para todo o cristão, muito exigentes e, ao mesmo tempo, muito desafiantes” e que, “apesar das rugas e feridas da nossa mãe, a Igreja”, os cristãos devem deixar-se “contagiar pelo sonho do Papa Francisco” em dar à Igreja o rosto “de uma igreja acolhedora, próxima, fraterna, misericordiosa.”

“Este é também o meu sonho para a Igreja de Vila Real”, afirmou D. António Augusto, manifestando o desejo de ser “o pastor que Deus quer e o povo merece”.

Dia de festa em Vila Real

A entrada solene de D. António Augusto Azevedo na Diocese de Vila Real iniciou-se na Sé, pelas 16 horas. Ali, o ainda bispo eleito era aguardado pelo pároco da Sé, padre Manuel Coutinho, que lhe apresentou a cruz, que D. António beijou, aspergindo-se a si e, depois, aos presentes com água benta.

D. António dirigiu-se, depois, à Capela do Santíssimo Sacramento, onde permaneceu breves momentos em oração, antes de seguir para o Seminário de Vila Real, onde era aguardado pelo clero. Seguiu-se o cortejo litúrgico até à Sé, por um tapete tecido de flores, por entre muitas palmas e aclamações populares.

A tomada de posse foi antecedida da leitura, pelo núncio apostólico D. Rino Passigato, da Carta Apostólica do Papa com a nomeação do novo bispo, na qual Francisco afirma que D. António exerceu o “ofício de Auxiliar” e manifestou “qualidades espirituais e humanas” e onde também adquiriu “a perícia das coisas que devem ser feitas”, pelo que, agora, escreve o Papa, “nos parece ser a pessoa apta e conveniente” para, com “grande empenho,” conduzir a Diocese de Vila Real, de acordo “com os direitos e obrigações inerentes ao ofício”.

O final da leitura da Carta Apostólica foi sublinhado por uma salva de palmas por parte da assembleia que enchia a Catedral.

De seguida, o administrador apostólico da Diocese de Vila Real, D. Amândio Tomás, entregou simbolicamente o báculo a D. António Augusto, que ocupou também a cátedra diocesana. O báculo entregue ao novo bispo de Vila Real pertenceu ao segundo bispo da diocese, D. António Valente da Fonseca, que conduziu a diocese transmontana entre 1933 e 1967.

Bem-vindo à “querida Diocese de Vila Real”

No acolhimento ao novo bispo, o administrador apostólico de Vila Real, D. Amândio Tomás, saudou e deu as boas vindas a D. António Augusto.

“A Diocese de Vila Real recebe-o como pai, mestre e guardião da fé em Cristo, certa de que a vai guiar para lá do ano centenário da sua fundação. Recebemo-lo com muita alegria, esperança e docilidade e apreço, pois tem muito para nos dar”.

D. Amândio Tomás aproveitou também a ocasião para manifestar “obediência e reverência” ao seu bispo, “fiel à máxima de Santo Inácio de Antioquia: ‘Tudo com o bispo, nada contra o bispo’”.

“O Senhor D. António passa a ser o meu bispo. Conte com a minha lealdade, submissão e apreço, em Jesus Cristo Nosso Senhor”, afirmou.

D. António Augusto de Azevedo. Sexto bispo de Vila Real

A eucaristia da tomada de posse de D. António Augusto Azevedo, como bispo de Vila Real, foi concelebrada por 20 bispos e por mais de uma centena de sacerdotes, a maioria da diocese de Vila Real, mas também do Porto e de outras limítrofes.

Na sua saudação final, D. António Augusto agradeceu a presença aos bispos, aos sacerdotes, religiosos, aos fiéis da diocese, às autoridades, algumas vindas da região do Porto, e à sua família.

O prelado recordou ainda os seus antecessores na diocese e manifestou a sua gratidão “ao Senhor D. Amândio Tomás”, seu antecessor, “pelo modo simpático e fraterno” como o acolheu. “À amizade e estima desde há muitos anos, acresce agora o reconhecimento pelo seu trabalho pastoral ao serviço da diocese de Vila Real”.

Às várias autoridades presentes, civis, militares, académicas, D. António Augusto, além de agradecer, assegurou que “poderão contar com toda a colaboração do novo bispo em tudo o que concorra para o bem do povo desta diocese, no respeito pelas funções próprias de cada um”.

Dirigindo-se ao clero de Vila Real, deixou uma “palavra de apreço” pelo “trabalho pastoral e de incentivo a um presbitério unido e fraterno, para que cada um se sinta feliz na sua missão, reconhecido pelo bispo e apreciado pelo seu povo”.

O novo bispo deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos “religiosos, religiosas e demais consagrados da diocese” e a “todos os cristãos leigos, aos representantes e membros dos vários secretariados, movimentos, associações e grupos, aos leigos das várias paróquias e comunidades espalhadas pela diocese” confia “uma mensagem de esperança e ânimo”.

Saudando as famílias, D. António Augusto manifestou o desejo “que sejam comunidades de vida e amor” e aos jovens deixou o apelo: “a Igreja e a diocese contam convosco, com a vossa energia, entusiasmo e criatividade”.

Sem esquecer “as crianças, os idosos, os pobres e doentes, D. António Augusto fez referência aos “numerosos transmontanos e durienses que estão na diáspora, no nosso país ou no estrangeiro”, referindo “a importância” da sua “colaboração” e que “podem contar com o acolhimento e apoio”.

“Quero caminhar convosco para sermos verdadeiramente Povo de Deus; conto convosco para construirmos comunidades vivas e fraternas; o vosso compromisso é essencial para a missão da Igreja de hoje”, afirmou D. António Augusto.

No final da celebração litúrgica foi lida a ata da tomada de posse do novo bispo, nomeado a 11 de maio deste ano, que foi depois assinada, assumindo, assim, D. António a condução da sua nova diocese.

Itinerário do novo bispo diocesano

Natural de Avioso, no concelho da Maia, D. António Augusto Azevedo tem 57 anos. Foi ordenado presbítero a 13 de julho de 1986, na Sé Catedral do Porto.

Nos dois primeiros anos de sacerdócio foi vigário paroquial de Santo Tirso (1986-1988), assumindo a função de capelão militar na Força Aérea, em 1988. Um ano depois torna-se Conselheiro Espiritual das Equipas de Nossa Senhora. De 1990 a 2000 ocupou as funções de pároco de Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia, acumulando este múnus com a assistência da Pastoral Operária do Porto (LOC e JOC), de 1998 a 2000.

Foi docente na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa desde 2003, tornando-se, em simultâneo, Prefeito e Professor no Seminário Maior do Porto. Exerceu o cargo de Juiz do Tribunal Eclesiástico do Porto, desde 2004, ano em que assumiu a Capelania do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa (2004-2012). Em 2005 assumiu o serviço de Assistente Diocesano do Centro de Preparação para o Matrimónio (CPM). Foi nomeado Reitor do Seminário Maior do Porto, em 2012, e responsável pelo acompanhamento dos Padres Novos, em 2015.

Foi nomeado bispo auxiliar do Porto, pelo Papa Francisco, a 9 de janeiro de 2016, e foi ordenado bispo a 19 de março desse mesmo ano, na Sé Catedral do Porto. Como bispo auxiliar do Porto (2016-2019), assumiu o acompanhamento pastoral da região Sul e foi o responsável pela Peregrinação Diocesana a Fátima, em setembro de 2017.

Atualmente é o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios e tem como lema episcopal as palavras do salmista: “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”.

D. António Augusto Azevedo é o sexto bispo de Vila Real, sucede a D. Amândio Tomás, bispo de Vila Real desde maio de 2011, onde foi também, durante três anos, coadjutor.

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