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“Recordista de manipulações”, "fake news" e voto "fútil". Rangel e Marques trocam acusações no debate das europeias

20 mai, 2019 - 23:39

Último debate entre os cinco principais candidatos às eleições europeias em clima de tensão entre o social-democrata Paulo Rangel e o socialista Pedro Marques.
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O último debate entre os cinco principais candidatos às eleições europeias fica marcado por uma dura troca de acusações entre os cabeças de lista do PS e do PSD.

O social-democrata Paulo Rangel apelidou o adversário socialista Pedro Marques de ser “recordista das manipulações”, depois de o antigo ministro ter referido que o programa do Partido Popular Europeu (PPE), de que Rangel é vice-presidente, defende uma espécie de “polícia de choque contra refugiados”.

“Sobre o comentário de Paulo Rangel desta ideia de incapacidade de reforma da união económica e monetária, vejo com perplexidade quando Paulo Rangel não teve capacidade de influenciar programa do PPE que não tem uma palavra no programa sobre isso. O que lá está é um programa securitário, muito parecido com coisas que encontro na extrema-direita, está lá uma força costeira europeia, que parece uma polícia de choque contra refugiados”, afirmou Pedro Marques no debate realizado na RTP.

Foi então que Paulo Rangel acusou o cabeça de lista do PS às europeias de contorcer a realidade e de ter sido “desmentido seis vezes” pelo site de verificação de notícias Polígrafo.

“Pedro Marques é o recordista das manipulações, no Polígrafo já foi desmentido seis vezes, uma vez porque colocou Portugal na liderança da execução dos fundos europeus, outra porque disse que Frans Timmermans [candidato do PS Europeu à presidência da Comissão Europeia] defendia o salário mínimo europeu… Disse aqui uma coisa que é objetivamente falsa: não há nenhum programa securitário no PPE. O que há é uma coisa que o PS europeu concorda, que é uma guarda europeia costeira de fronteiras”, declarou Paulo Rangel.

“Há um problema de credibilidade nas suas afirmações. Foi desmentido seis vezes pelo Polígrafo nas últimas semanas. No programa do PPE não está isso”, frisou o cabeça de lista do PSD.

Minutos depois, Pedro Marques aproveitou uma pergunta sobre sondagens para garantir que o PS “não considera que nenhum voto dos portugueses no dia 26 de maio é fútil como disse Paulo Rangel, acho isso inacreditável e até um certo desrespeito pela democracia”.

O candidato socialista ao Parlamento Europeu também disse recusar fazer “campanha negativa” e considera “absolutamente inacreditável” que Rangel tenha trazido para debate “o tema do Polígrafo”.

“O próprio Poligrafo veio dizer que foi manipulado, que houve tentativas de manipulação por pessoas ligadas ao PSD através do WhatsApp. Como é que traz esse tema para aqui, das fake news e da campanha feita por algumas pessoas do PSD?”, lamentou Pedro Marques.

Paulo Rangel admitiu que a utilização da palavra fútil foi um lapso. “Não me custa nada reconhecer, porque eu, ao contrário de si, não tenho problema com a verdade, realmente a palavra fútil é infeliz. Quando disse que o PSD é voto útil... quem quer ganhar ao PS tem de votar no PSD, é o único que está em condições de o fazer”, argumentou o social-democrata.

Este foi o último debate entre os cinco principais candidatos às eleições europeias que estão marcadas para domingo.

Possível corte nos fundos europeus. O elefante no meio da sala

O possível corte de 7% na transferência de fundos europeus para Portugal foi outro dos temas quentes do debate. A direita responsabiliza Pedro Marques e o Governo.

“Pedro Marques fica muito nervoso, porque ele é o responsável por Portugal perder 7% dos fundos, 1.600 milhões de euros. A proposta é da Comissão Europeia, mas aceite por si”, acusou Paulo Rangel.

O candidato socialista respondeu que “não foi aceite nada” e que o comissário Carlos Moedas, mandatário do PSD às europeias, disse que a proposta é um bom ponto de partida para negociar.

“Como é que Paulo Rangel pode falar em vetos de propostas que, para já, são primeiras propostas, quando assinou e aplaudiu um acordo, há sete anos, que fazia um corte de 10% dos fundos de coesão a Portugal”, disse Pedro Marques.

Nuno Melo, cabeça de lista do CDS, não compreende como é que Portugal sofra um corte nos fundos, quando países mais ricos até ganham.

“Quanto estive na Assembleia da República a denunciar esta perda de 7% fundos de coesão junto de deputados do PS e de outros partidos, eles justificaram ali a ‘maravilha’ do corte. Os fundos de coesão é dinheiro que existe na Europa para aproximar os países mais atrasados dos mais ricos. Se me dissessem que há um problema no Orçamento da UE porque o Reino Unido vai sair e todos os países vão ter um corte, eu dizia: terá que ser. Mas há países muito mais ricos do que Portugal que não vão perder um cêntimo e outros que vão ganhar muito”, argumentou.

Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, sublinha que, “a confirmar-se este corte, vamos para o terceiro corte consecutivo em fundos de coesão para Portugal, cortes em quadros de financiamento que passaram por governos de José Sócrates, Passos Coelho, Paulo Portas e agora por este, mas ainda não está fechado”.

A candidata bloquista argumenta que esses cortes “vão efetuar-se ou não dependendo de quem é que as pessoas vão eleger e das maiorias que se vão conseguir” após as eleições europeias de domingo. “Eu não deixo isto passar e espero que o próximo Governo também não”, defende Marisa Matias.

João Ferreira, cabeça de lista da CDU, não aceitará um orçamento europeu com cortes nas verbas para Portugal.

O Governo devia bater-se pelo reforço dos fundos de coesão, em vez de tentar reduzir a perda, defende João Ferreira, que considera a proposta “desastrosa” em matéria de quanto Portugal vai pagar pelos fundos estruturais.

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