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Entrevista

Livro sobre D. António Barroso pode ser "uma ajuda ao processo de beatificação"

20 mai, 2019 - 16:29 • Henrique Cunha

D. Carlos Azevedo, autor do livro "António Barroso e o Vaticano", diz à Renascença que os documentos agora revelados "dão-nos uma imagem de um homem muito lúcido e atento".
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Uma personalidade que" sabia distinguir o amor à pátria do nacionalismo". É assim que D. Carlos Azevedo, bispo português na Cúria romana, começa por falar de D. António Barroso, bispo do Porto entre 1899 a 1918.

Autor do livro "António Barroso e o Vaticano", D. Carlos Azevedo diz, em entrevista à Renascença, que os documentos agora revelados "dão-nos uma imagem de um homem muito lúcido e atento" e que a compilação destes numa só obra "completa o quadro da sua personalidade".

São mais de 400 documentos, com cerca de 190 cartas inéditas, num livro que, na opinião do autor, pode ser "uma ajuda ao processo de beatificação" do histórico bispo do Porto.

Para além de servirem de registo histórico sobre a relação de D. António Barroso com Roma, os textos traduzem também a relação da Igreja com o fim da monarquia e a implantação da República.

Foi "em 2016, ao procurar a documentação para Fátima para escrever o livro de Fátima que saiu em 2017”, que D. Carlos encontrou “muitas cartas de António Barroso nas caixas que abria” e viu que “essas cartas não estavam no processo de beatificação, que eram desconhecidas e inéditas”. Assim decidiu "varrer a documentação" relativa ao antigo bispo do Porto, explica.

Nesse contexto, D. Carlos Azevedo teve oportunidade de consultar “todos os pareceres” de D. António Barroso, bem como “as cartas que mandava ao secretário de Estado e que depois o Núncio transmitia ao secretário de Estado sobre os seus pareceres”, documentos que nos “dão a imagem de um homem muito perspicaz, muito lúcido, muito atento”.

O bispo português no Vaticano reconhece em D. António Barroso um homem de “uma liberdade evangélica” que o tornava “um homem livre na política e livre mesmo de criticar as opiniões de Roma”.

“Era uma personalidade que sabia distinguir o amor à pátria do nacionalismo”, refere D. Carlos. “Ele não era nacionalista, porque um cristão não pode ser nacionalista, mas tinha amor à pátria e ele demonstrou que podemos ter um grande amor à pátria, mas querer que a pátria esteja ao serviço da humanidade toda e não apenas de nós próprios como está muito na onda, por exemplo, dos nossos dias.”

D. Carlos Azevedo espera que o seu livro possa ajudar no processo de beatificação de D. António Barroso e recorda uma breve conversa com D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, falecido a 11 de Setembro de 2017.

Na ocasião D. António Francisco alertou-o: “Vê lá se vens estragar o processo”, ao que D. Carlos Azevedo respondeu que “não, as cartas vêm ajudar, porque demonstram a lucidez e a coragem dele em todas as frentes”.

Em junho de 2017, o Papa Francisco aprovou a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” de D. António José de Sousa Barroso.
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